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Música
O gênio do pop
Brian Wilson,
o músico que todo roqueiro adora citar como influência,
anuncia um show no Brasil

Sérgio Martins
Qualquer
frase que reúna os conceitos "genialidade" e "música
pop" tende a ser um exagero, se não for simplesmente uma
bobagem. Pode-se abrir uma exceção, contudo, se a
frase disser respeito ao cantor e compositor americano Brian Wilson.
À frente dos Beach Boys, uma das maiores bandas dos anos
60, Wilson acrescentou ao rock elementos que ninguém imaginava
que ele poderia conter. O principal disco do grupo, Pet Sounds,
de 1966, tem letras e melodias memoráveis além de
ser uma proeza técnica, pela riqueza dos arranjos vocais
e instrumentais e pelos surpreendentes efeitos sonoros (produzidos
numa era pré-eletrônica). Na época, o trabalho
caiu como uma bomba sobre a concorrência. Os Rolling Stones
publicaram um anúncio num jornal conclamando seus fãs
a comprar o disco e os Beatles mais tarde confessaram que uma de
suas obras-primas, Revolver, foi esforço para responder
ao brilhantismo de Pet Sounds. Ainda hoje, roqueiros medíocres
dizem que Brian Wilson é uma "influência" quando querem
parecer bacanas. Por isso é um acontecimento e tanto a vinda
ao Brasil que o músico programou para novembro, durante o
TIM Festival. Wilson, de 62 anos, deve apresentar um show que vem
sendo elogiado na Europa e nos Estados Unidos, com músicas
de Pet Sounds e do disco Smile, que ele iniciou em
1966 e só terminou neste ano. A oportunidade é ainda
mais rara quando se leva em conta que Wilson sofre de esquizofrenia
e oscila entre períodos de doença e normalidade. "Preciso
tomar remédios para abafar as vozes que ecoam na minha cabeça
e dizem que vão me matar", revelou ele em entrevista a VEJA.
Filho mais
velho de uma família de classe média baixa da Califórnia,
Brian foi a vítima predileta de um pai tirânico, Murray
Wilson. Uma das diversões de Murray era arrancar o olho de
vidro que possuía e aterrorizar o filho com seu rosto desfigurado.
Ele também seria o responsável pela surdez parcial
de Brian teria atingido a cabeça do menino com um
objeto de madeira, fazendo com que perdesse a audição
no ouvido direito. Os traumas de infância e as experimentações
com drogas, assim que a carreira musical começou a decolar,
se uniram para detonar o primeiro surto esquizofrênico de
Wilson, em meados dos anos 60. No auge do sucesso dos Beach Boys,
ele teve uma crise nervosa dentro de um avião e passou anos
sem conseguir se apresentar ao vivo. As crises se repetiriam a partir
daí. Uma delas levou Brian Wilson a ficar dois anos sem sair
da cama, ouvindo sempre as mesmas músicas e engordando até
os 160 quilos. A instabilidade emocional do músico também
está por trás da história de Smile,
o disco que demorou 38 anos para ser completado. Assim como os Beatles
se sentiram superados ao ouvir Pet Sounds, Wilson se sentiu
derrotado quando os colegas lançaram Sgt. Pepper's,
em 1967. Ele, que estava no meio da composição
de Smile, entrou em depressão e suspendeu o projeto.
"Foi uma luta dolorosa retomar aquele material, mas acho que consegui
completá-lo da maneira como sempre ambicionei", diz Wilson
a respeito do disco que mostrará no Brasil, praticamente
em primeira mão.
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