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Espaço
O mistério dos ventos
solares
A sonda Genesis,
que vinha do Sol, despencou
no deserto. Mas talvez ainda seja possível
salvar sua preciosa carga

Thereza Venturoli
A missão
da sonda Genesis coletar e mandar para a Terra pedaços
do Sol foi preparada com extremo cuidado e com o que há
de mais moderno em termos de tecnologia aeroespacial. Os equipamentos
de coleta bandejas recobertas por safira, ouro, diamante
sintético e alumínio, entre outros materiais
foram montados e acondicionados num ambiente ultra-esterilizado.
Os instrumentos de navegação e de vôo da nave
foram checados e rechecados. A rota foi traçada com tanta
precisão que a cápsula contendo as partículas
solares retornou à Terra de sua longa viagem no local combinado,
na hora esperada: por volta das 10 da manhã de quarta-feira,
num campo de treinamento das Forças Armadas americanas, no
deserto de Utah. Até a recepção tinha sido
exaustivamente ensaiada: dois dublês de cinema foram treinados
para, de helicóptero, pescar a cápsula pendente de
um pára-quedas, ainda no ar. E tudo funcionou à perfeição,
exceto por um detalhe: na última hora, os pára-quedas
não se abriram. A missão de 264 milhões de
dólares da Nasa terminou se esborrachando a mais de 300 quilômetros
por hora no solo arenoso (veja
quadro)
do deserto.
A cápsula,
que lembra um disco voador de 200 quilos e 1,5 metro de diâmetro,
carregava uma minúscula quantidade de partículas atômicas
continuamente lançadas pelo Sol o que se chama de
vento solar (veja
ilustração).
Além de hidrogênio e hélio os principais
constituintes do Sol , o vento solar contém uma ínfima
proporção de átomos de todos os outros 81 elementos
da tabela periódica que existem naturalmente ou seja,
que não foram criados pelo homem em laboratórios.
Os cientistas acreditam que a análise desse pó de
estrela permitiria desvendar não apenas a composição
original da nuvem de poeira e gases que deu origem a todo o sistema
solar, há mais de 4,5 bilhões de anos. Seria possível
também saber a proporção em que cada elemento
participou na concepção do Sol e dos planetas. Para
isso, seria preciso que a preciosa carga não tocasse o solo,
para que não houvesse a menor contaminação.
Esses fiascos,
embora desconcertantes, são quase rotina em missões
muito ousadas. "Parece que sabemos pousar em Marte, mas não
na Terra", ironizou John Logsdon, diretor do Instituto de Política
Espacial, da Universidade George Washington. Não é
à toa: a Nasa não tinha, até agora, nenhuma
experiência em resgates terrestres desse tipo, com o emprego
de técnicas e truques cinematográficos. Os engenheiros
da Nasa não sabem dizer, ainda, o que ocasionou a falha com
a Genesis e prometem dar alguma explicação em breve.
Há esperança. Como a cápsula não se
arrebentou completamente, é possível que algumas amostras
ainda sejam aproveitáveis.
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