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Medicina
Terapia de choque
O eletrochoque para o tratamento de
doenças psiquiátricas é reabilitado pela
medicina

Paula Neiva
Até a década de 50, o eletrochoque
era um procedimento corriqueiro no tratamento de doentes psiquiátricos.
Com a criação de medicamentos mais efetivos para o
tratamento de distúrbios mentais, ele foi sendo gradualmente
abandonado. Agora, com a constatação de que os remédios
não dão conta de tudo, o eletrochoque voltou a ser
utilizado nos principais centros de psiquiatria o nome técnico
é eletroconvulsoterapia, ou simplesmente ECT. "Em casos muito
específicos, a ECT tem se revelado imprescindível",
diz o psiquiatra Sérgio Rigonatti, do Hospital das Clínicas
de São Paulo. Regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina,
o método é indicado para pacientes graves, que não
respondem a nenhum outro tipo de tratamento (veja
quadro).
Ainda não se desvendou por completo
o princípio de ação do eletrochoque no combate
a doenças como depressão ou transtorno bipolar. Suspeita-se
que as descargas elétricas, ao causar convulsões no
paciente, aumentariam a quantidade de substâncias químicas
cerebrais relacionadas à sensação de bem-estar.
Elas também teriam a capacidade de aumentar o número
de conexões nervosas no hipocampo, área cerebral associada
ao controle das emoções. O procedimento todo dura
menos de um minuto. Antes da aplicação do eletrochoque,
o paciente é anestesiado e imobilizado. Dois eletrodos são
colocados, então, em sua cabeça e suas atividades
vitais passam a ser monitoradas. A descarga elétrica, de
dois segundos, é suficiente apenas para acender uma lâmpada
de 20 watts por alguns instantes. Mesmo assim, depois da sessão,
muitos pacientes relatam dores musculares e de cabeça. Por
causa da anestesia, nenhum deles se lembra do procedimento. Em média,
um tratamento requer até doze sessões, depois das
quais a doença pode ser controlada com o uso de medicamentos.
O tratamento de choque é eficaz em até 90% dos casos
de depressão grave, refratários a medicamentos num
primeiro momento.
As primeiras máquinas de eletrochoque
foram criadas na década de 30, por cientistas italianos.
Sem a precisão dos aparelhos modernos, os médicos
não conseguiam controlar a intensidade da descarga e o tipo
de onda elétrica. Por isso mesmo, os efeitos colaterais do
tratamento podiam ser severos. Era comum que o paciente tivesse
luxações e fraturas decorrentes das contraturas musculares
e sofresse longos períodos de perda de memória. O
eletrochoque, hoje, é sem dúvida mais seguro e lembra
menos um instrumento de tortura. Nem por isso deve ser utilizado
indiscriminadamente. "A prescrição precisa ser bem
criteriosa, e o número máximo de aplicações
é de três vezes por semana", diz o psiquiatra Marco
Antônio Brasil, presidente da Associação Brasileira
de Psiquiatria.
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Último
recurso
O eletrochoque é recomendado
para pacientes graves e que não respondem ao
uso de medicamentos. As principais indicações
são:
Depressão
Esquizofrenia catatônica
Manias com sintomas psicóticos
Transtorno bipolar
Pacientes idosos e gestantes, que podem sofrer efeitos
colaterais graves com o uso de medicamentos
Fontes:
Sérgio Rigonatti, diretor do serviço
de eletroconvulsoterapia
do Hospital das Clínicas de São Paulo,
e
José Alberto Del Porto,
psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo
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