Edição 1871 . 15 de setembro de 2004

Índice
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
VEJA on-line
Autor-retrato
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Saúde
Duplo poder de fogo

Laboratório testa remédio que promete
combater ao mesmo tempo o excesso
de peso e o fumo


Bel Moherdaui


EXCLUSIVO ON-LINE
Em Profundidade: Dietas
Mais sobre tabagismo em VEJA Saúde

Uma droga que promete, de uma só vez, ajudar a emagrecer e parar de fumar parece boa demais para ser verdade? A prudência recomenda cautela diante de anúncios do gênero, mas uma coisa pelo menos se pode dizer: não é invenção de ficção científica. O Acomplia, que tem como princípio ativo o rimonabant, é a nova arma do recém-criado Sanofi-Aventis, fusão de dois grandes laboratórios franceses, para um público que não pára de crescer no mundo todo – a Organização Mundial de Saúde calcula que existam hoje mais de 300 milhões de obesos. Quando for aprovado pelos órgãos competentes e posto à venda, o novo medicamento poderá gerar até 6 bilhões de dólares por ano em vendas, situando-se no patamar de campeões como Lípitor e Zocor, para tratamento de colesterol. "Cigarro e obesidade são o primeiro e o segundo causadores de morte no mundo ocidental. Esse medicamento tem o poder de combater os dois, e isso explica o entusiasmo em torno dele", diz Robert Anthenelli, psiquiatra da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, e um dos pesquisadores envolvidos no estudo. A previsão do fabricante é enviar o Acomplia para aprovação tanto à Food and Drug Administration americana quanto aos órgãos correspondentes na Europa ainda no ano que vem e lançá-lo comercialmente em 2006.

O rimonabant é uma substância criada para bloquear um tipo de receptor no cérebro que aumenta a necessidade de ingestão de comida e a vontade de fumar – exatamente o responsável pela larica, o pico de apetite que usuários sentem depois de fumar maconha. Foi, aliás, inspirado em pesquisas sobre a fome pós-maconha que o Sanofi, muito antes da fusão, começou a buscar um medicamento que bloqueasse esse efeito e, em última instância, controlasse a fome em geral. A influência adicional sobre a vontade de fumar foi descoberta posteriormente. Dos 1.500 pacientes obesos ou com sobrepeso tratados experimentalmente durante um ano com 20 miligramas diários de Acomplia, 70% perderam mais de 5% do peso corporal; e 39%, mais de 10%. Em média, a perda chegou a 8,6 quilos e a 8,5 centímetros da circunferência abdominal. Além disso, os pacientes tiveram diminuição nos níveis de triglicérides e aumento do HDL (o colesterol bom). O teste com fumantes foi feito em 787 pacientes que já haviam tentado parar de fumar outras vezes. Durou apenas dez semanas, mas o resultado já analisado mostrou que a droga quase dobra a chance de um paciente deixar o cigarro. Mais: quem efetivamente conseguiu largar o vício não teve o ganho de peso que isso costuma acarretar. A grande dúvida é saber se a perda de peso será duradoura. O fabricante, previsivelmente, acredita que os testes finais, que devem durar mais um ano e englobar 13.000 pessoas, mostrarão que sim. "Mas não é uma coisa que a pessoa vai tomar e resolver o problema dela em um mês. Todos esses medicamentos para perda de peso acentuada, na verdade, tendem a ser uma medicação a longo prazo", alerta a endocrinologista Zuleika Halpern, secretária-geral da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso).

 

Dieta em pílulas

Como funciona a nova geração de remédios para emagrecer

RIMONABANT (Acomplia, em teste)
Onde age: na área do cérebro que ativa a necessidade de alimentos e fumo
O que faz: reduz a vontade de comer e de fumar

SIBUTRAMINA (Reductil, Plenty)
Onde age: na área do cérebro que determina níveis de saciedade
O que faz: satisfaz a fome com menos comida

ORLISTAT (Xenical)
Onde age: no intestino
O que faz: impede a absorção pelo organismo de 30% da gordura ingerida

 
 
 
 
topovoltar