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Saúde
Duplo poder de fogo
Laboratório
testa remédio que promete
combater ao mesmo
tempo o excesso
de peso e o fumo

Bel Moherdaui
Uma droga
que promete, de uma só vez, ajudar a emagrecer e parar de
fumar parece boa demais para ser verdade? A prudência recomenda
cautela diante de anúncios do gênero, mas uma coisa
pelo menos se pode dizer: não é invenção
de ficção científica. O Acomplia, que tem como
princípio ativo o rimonabant, é a nova arma do recém-criado
Sanofi-Aventis, fusão de dois grandes laboratórios
franceses, para um público que não pára de
crescer no mundo todo a Organização Mundial
de Saúde calcula que existam hoje mais de 300 milhões
de obesos. Quando for aprovado pelos órgãos competentes
e posto à venda, o novo medicamento poderá gerar até
6 bilhões de dólares por ano em vendas, situando-se
no patamar de campeões como Lípitor e Zocor, para
tratamento de colesterol. "Cigarro e obesidade são o primeiro
e o segundo causadores de morte no mundo ocidental. Esse medicamento
tem o poder de combater os dois, e isso explica o entusiasmo em
torno dele", diz Robert Anthenelli, psiquiatra da Universidade de
Cincinnati, nos Estados Unidos, e um dos pesquisadores envolvidos
no estudo. A previsão do fabricante é enviar o Acomplia
para aprovação tanto à Food and Drug Administration
americana quanto aos órgãos correspondentes na Europa
ainda no ano que vem e lançá-lo comercialmente em
2006.
O rimonabant
é uma substância criada para bloquear um tipo de receptor
no cérebro que aumenta a necessidade de ingestão de
comida e a vontade de fumar exatamente o responsável
pela larica, o pico de apetite que usuários sentem depois
de fumar maconha. Foi, aliás, inspirado em pesquisas sobre
a fome pós-maconha que o Sanofi, muito antes da fusão,
começou a buscar um medicamento que bloqueasse esse efeito
e, em última instância, controlasse a fome em geral.
A influência adicional sobre a vontade de fumar foi descoberta
posteriormente. Dos 1.500 pacientes obesos ou com sobrepeso tratados
experimentalmente durante um ano com 20 miligramas diários
de Acomplia, 70% perderam mais de 5% do peso corporal; e 39%, mais
de 10%. Em média, a perda chegou a 8,6 quilos e a 8,5 centímetros
da circunferência abdominal. Além disso, os pacientes
tiveram diminuição nos níveis de triglicérides
e aumento do HDL (o colesterol bom). O teste com fumantes foi feito
em 787 pacientes que já haviam tentado parar de fumar outras
vezes. Durou apenas dez semanas, mas o resultado já analisado
mostrou que a droga quase dobra a chance de um paciente deixar o
cigarro. Mais: quem efetivamente conseguiu largar o vício
não teve o ganho de peso que isso costuma acarretar. A grande
dúvida é saber se a perda de peso será duradoura.
O fabricante, previsivelmente, acredita que os testes finais, que
devem durar mais um ano e englobar 13.000 pessoas, mostrarão
que sim. "Mas não é uma coisa que a pessoa vai tomar
e resolver o problema dela em um mês. Todos esses medicamentos
para perda de peso acentuada, na verdade, tendem a ser uma medicação
a longo prazo", alerta a endocrinologista Zuleika Halpern, secretária-geral
da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade
(Abeso).
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Dieta em pílulas
Como funciona a nova geração
de remédios para emagrecer
RIMONABANT
(Acomplia,
em teste)
Onde
age: na área do
cérebro que ativa a necessidade de alimentos
e fumo
O que faz:
reduz a vontade de comer e de fumar
SIBUTRAMINA
(Reductil, Plenty)
Onde
age: na área do
cérebro que determina níveis de saciedade
O que faz:
satisfaz a fome com menos comida
ORLISTAT
(Xenical)
Onde
age: no intestino
O que faz:
impede a absorção pelo organismo de 30%
da gordura ingerida
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