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Sexo
Lições na telinha
Pesquisa
diz que erotismo na TV estimula
os jovens a ter relações mais cedo
Não
é novidade que as cenas de sexo são uma das maneiras
mais eficientes de aumentar a audiência de um programa de
televisão. O que há tempos se discute é a influência
dessas cenas no comportamento de crianças e adolescentes.
Uma pesquisa divulgada na semana passada nos Estados Unidos, realizada
com meninos e meninas de 12 a 17 anos, sugere que a influência
é mesmo enorme, como os pais sempre suspeitaram. De acordo
com o estudo, realizado pela Universidade da Califórnia,
jovens que assistem com freqüência a programas com conteúdo
erótico são duas vezes mais propensos a precocidade
nas relações sexuais do que aqueles que não
vêem esse tipo de espetáculo porque os pais não
permitem. O estudo analisou os hábitos televisivos e sexuais
de 1.792 adolescentes ao longo de um ano. "É um aprendizado
por imitação", diz a psicóloga americana Rebecca
Collins, uma das responsáveis pelo levantamento. "Se todo
mundo está falando de sexo e fazendo sexo sem que nenhuma
conseqüência negativa seja mostrada, o jovem pensa: 'Eu
preciso fazer sexo também'."
A pesquisadora
acredita, com base no levantamento, que os programas com cenas de
sexo não apenas provocam a antecipação da primeira
relação sexual como também levam os jovens
a queimar etapas mais rapidamente, ou seja, passar dos beijos para
carinhos mais ousados e destes para o sexo oral. O surpreendente
é que programas que apenas falam sobre sexo parecem ter sobre
os adolescentes o mesmo efeito que aqueles que exibem cenas eróticas.
O estudo sugere ainda que crianças de 12 anos que assistem
com freqüência a atrações com conteúdo
erótico mostram um despertar sexual similar ao de adolescentes
de 14 ou 15 anos que vêem poucos programas desse tipo. Diante
dos resultados, os pesquisadores afirmam que o impacto da televisão
é enorme e que mesmo uma pequena redução na
quantidade de sexo que é mostrada poderia ter um efeito substancial
no comportamento dos jovens. Pesquisas sobre comportamento sexual
são como conversas de botequim sobre comportamento sexual
é sempre bom dar um desconto no que foi dito ou apurado.
Por outro lado, levantamentos como esse, patrocinado por uma séria
instituição de pesquisa, são excelentes indicadores
de tendências de comportamento. Como era de esperar, os resultados
do estudo foram questionados nas estações de televisão.
"Não acreditamos que um programa de TV possa alterar o comportamento
sexual de uma pessoa", diz Jeff Cusson, porta-voz da HBO, emissora
que transmitiu o seriado Sex and the City, um dos incluídos
na pesquisa.
Em um ponto,
todos concordam: é importante que os pais saibam o que o
filho vê na televisão. Proibir o jovem de assistir
a determinados programas pode, contudo, não ser a melhor
saída. "Para o adolescente, tudo o que é proibido
ganha mais sabor", diz a psicóloga paulista Ceres Alves de
Araújo. "O mais indicado é ver o programa junto com
o filho, mostrar a diferença entre o que é saudável
e o que é perversão e convencê-lo a não
assistir a certos programas." Como sabe qualquer leitor que tenha
filhos nessa faixa etária, não é tarefa fácil.
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Nos
Estados Unidos...
Os
adolescentes vêem
TV três horas por
dia, em média
64%
dos programas de
TV têm algum conteúdo
sexual
46%
dos estudantes do ensino
médio já tiveram relações
sexuais
1
milhão
de adolescentes
engravida
a cada ano
Fonte: Universidade da Califórnia
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