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Tecnologia
Crítico eletrônico
O computador
será um instrumento poderoso
na autenticação de obras-primas da pintura
Com técnicas
como os raios X e a análise de pigmentos, a ciência
há muito tem contribuído para autenticar obras de
arte e desmascarar falsificações. Um campo tecnológico
dos mais promissores está se abrindo agora: a análise
do estilo artístico com uso da computação.
Examinando imagens digitalizadas, o computador pode identificar
as características mais marcantes de um artista. É
possível, por exemplo, comparar milhões de pinceladas
de um pintor para estabelecer matematicamente quais são os
seus padrões habituais. Assim, ao analisar uma obra de atribuição
duvidosa, o computador pode determinar se ela foge ao modelo ou
se encaixa nele. Pesquisadores da Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro já desenvolveram um sistema
que, com base nas pinceladas, conseguia distinguir se uma tela era
do grande modernista brasileiro Cândido Portinari ou de seu
discípulo Enrico Bianco. Na Alemanha, um sistema elaborado
na Universidade de Bremen mostrou-se capaz de identificar desenhos
de Delacroix com uma taxa de acerto de 87%. Mas a mais ambiciosa
pesquisa do gênero está em curso na Universidade de
Maastricht, na Holanda. O projeto Authentic, criado pelo professor
de ciências da computação Eric Postma, debruça-se
sobre os quadros de Vincent van Gogh que pertencem ao acervo do
Museu Van Gogh, de Amsterdã.
A análise
matemática das pinceladas de Van Gogh está apenas
começando. Mas os pesquisadores já avançaram
no exame do uso das cores pelo pintor. Que Van Gogh gostava de recorrer
às cores complementares como vermelho e verde ou azul
e amarelo é conhecimento comum. O Authentic, porém,
mostrou matematicamente como essa característica foi mudando
nos diversos períodos da produção do artista
de forma geral, Van Gogh evoluiu para um uso cada vez mais
intenso das cores complementares. Também está avançado
o exame do tecido das telas utilizadas pelo artista. O computador
registra a maneira como os fios do tecido se entrelaçam e
é capaz de identificá-lo, com a ajuda de raios X,
sob as pinturas mais variadas. Os responsáveis pelo Authentic
avisam, contudo: está longe o dia em que bastará passar
uma pintura pelo scanner para que se saiba quem é seu autor.
Programas de computador cada vez mais sofisticados poderão
produzir laudos detalhados sobre um pintor, mas ainda será
necessário que um crítico dê a palavra final
sobre a autenticidade. Afinal, por motivos históricos ou
biográficos, sempre será possível que um artista
fuja aos seus padrões costumeiros e assim também
ao exame matemático frio. "O computador não vai substituir
o expert, mas será uma ferramenta indispensável para
que se façam avaliações mais confiáveis",
prevê Igor Berezhnoy, um dos pesquisadores do Authentic.

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