Edição 1871 . 15 de setembro de 2004

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Internet
Memória de sobra

Novos serviços oferecem espaço
dezenas de vezes maior do que o
habitual para armazenar e-mails


Carlos Rydlewski

 
Daniela Picoral
Fregueses de um cibercafé: informações não precisam ficar guardadas no computador pessoal


DA INTERNET
Os principais provedores
Yahoo
Gmail
Hotmail
GMX
Rediff
Walla

Imagine que a caixa de correio de sua casa se transformou num contêiner industrial. É mais ou menos isso que alguns provedores de e-mail estão oferecendo aos usuários, ao permitir que armazenem 1 gigabyte de mensagens. Esse espaço chega a ser dezenas de vezes maior do que o proporcionado por provedores convencionais. O novo serviço surgiu com empresas pequenas como a alemã GMX, a israelense Walla ou a indiana Rediff. Mas atingiu dimensão muito maior com a entrada de uma das marcas mais populares da internet nesse ramo. Em abril, o Google lançou como teste o Gmail, e assim criou um rebuliço entre concorrentes como Microsoft e Yahoo!. Mesmo sem chegar a 1 gigabyte, ambas decidiram ampliar o tamanho dos depósitos de mensagens de seus provedores. O Hotmail, da Microsoft, vai saltar de 2 para 250 megabytes. Os clientes do Yahoo! passarão a contar com 100 megabytes – dezessete vezes mais do que antes.

Alguns críticos afirmam que o espaço de 1 gigabyte excede em muito as necessidades de um usuário normal de internet. Ele poderia guardar algo em torno de 100.000 e-mails de texto (veja quadro). Passaria anos sem ser obrigado a apagar uma mensagem – só faria isso se quisesse. Os defensores do novo modelo dizem que essa é uma objeção irrelevante e que as vantagens são muitas. A maior delas é a possibilidade de livrar espaço no disco rígido do computador: toda a correspondência importante e até mesmo arquivos de música e foto poderiam permanecer na memória do provedor. O ganho é maior ainda num mundo que caminha a passos largos para conexões de internet sem fio, feitas freqüentemente por equipamentos portáteis com capacidade limitada de memória.

Armazenar tanta informação para o internauta obviamente tem um preço. Um disco com capacidade para 1 gigabyte custa, hoje, entre 100 e 220 dólares para uma companhia da internet. A manutenção do equipamento sai por até 30% do investimento inicial, ao ano. Como os serviços existentes – inclusive o Gmail – são gratuitos, os provedores precisam buscar outras formas de remuneração. O Google anuncia uma estratégia polêmica para isso. A empresa poderia monitorar o conteúdo das mensagens para associar a elas publicidade de interesse do usuário. Nos Estados Unidos, grupos de defesa do consumidor e da privacidade já se manifestaram contra a idéia e prometem combatê-la. Mesmo assim, o Gmail desponta como um sucesso. Na fase atual, de teste, a entrada no serviço depende de um convite grátis. Essas permissões de uso vêm sendo postas à venda por até 80 dólares em sites de leilão da web.

 


 
 
 
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