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Internet
Memória de sobra
Novos serviços
oferecem espaço
dezenas de vezes maior do que o
habitual para armazenar e-mails

Carlos Rydlewski
Daniela Picoral
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| Fregueses de um
cibercafé: informações
não precisam ficar guardadas no computador pessoal |
Imagine
que a caixa de correio de sua casa se transformou num contêiner
industrial. É mais ou menos isso que alguns provedores de
e-mail estão oferecendo aos usuários, ao permitir
que armazenem 1 gigabyte de mensagens. Esse espaço chega
a ser dezenas de vezes maior do que o proporcionado por provedores
convencionais. O novo serviço surgiu com empresas pequenas
como a alemã GMX, a israelense Walla ou a indiana Rediff.
Mas atingiu dimensão muito maior com a entrada de uma das
marcas mais populares da internet nesse ramo. Em abril, o Google
lançou como teste o Gmail, e assim criou um rebuliço
entre concorrentes como Microsoft e Yahoo!. Mesmo sem chegar a 1
gigabyte, ambas decidiram ampliar o tamanho dos depósitos
de mensagens de seus provedores. O Hotmail, da Microsoft, vai saltar
de 2 para 250 megabytes. Os clientes do Yahoo! passarão a
contar com 100 megabytes dezessete vezes mais do que antes.
Alguns
críticos afirmam que o espaço de 1 gigabyte excede
em muito as necessidades de um usuário normal de internet.
Ele poderia guardar algo em torno de 100.000 e-mails de texto (veja
quadro). Passaria anos sem ser obrigado a apagar uma mensagem
só faria isso se quisesse. Os defensores do novo modelo
dizem que essa é uma objeção irrelevante e
que as vantagens são muitas. A maior delas é a possibilidade
de livrar espaço no disco rígido do computador: toda
a correspondência importante e até mesmo arquivos de
música e foto poderiam permanecer na memória do provedor.
O ganho é maior ainda num mundo que caminha a passos largos
para conexões de internet sem fio, feitas freqüentemente
por equipamentos portáteis com capacidade limitada de memória.
Armazenar
tanta informação para o internauta obviamente tem
um preço. Um disco com capacidade para 1 gigabyte custa,
hoje, entre 100 e 220 dólares para uma companhia da internet.
A manutenção do equipamento sai por até 30%
do investimento inicial, ao ano. Como os serviços existentes
inclusive o Gmail são gratuitos, os provedores
precisam buscar outras formas de remuneração. O Google
anuncia uma estratégia polêmica para isso. A empresa
poderia monitorar o conteúdo das mensagens para associar
a elas publicidade de interesse do usuário. Nos Estados Unidos,
grupos de defesa do consumidor e da privacidade já se manifestaram
contra a idéia e prometem combatê-la. Mesmo assim,
o Gmail desponta como um sucesso. Na fase atual, de teste, a entrada
no serviço depende de um convite grátis. Essas permissões
de uso vêm sendo postas à venda por até 80 dólares
em sites de leilão da web.
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