Edição 1871 . 15 de setembro de 2004

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Olimpíadas
Estava caro demais

Para diminuir o custo dos Jogos de 2008,
a China reduz quantidade de novos estádios


José Eduardo Barella

 
AP
Chineses mostram seus planos ao Comitê Olímpico, em 2001: agora, "mais frugal"


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Vale a pena uma cidade torrar uma fortuna para organizar uma Olimpíada? A euforia que contaminou os gregos com os Jogos de Atenas, encerrados no mês passado, esfriou logo depois que a conta da festa foi apresentada – 7 bilhões de dólares, quase o dobro das previsões iniciais. Os custos cada vez mais elevados do maior evento esportivo do planeta levaram o Comitê Olímpico Internacional (COI) a pedir moderação às autoridades chinesas, que prometem investir 33 bilhões de dólares para transformar os Jogos de 2008, em Pequim, "nos mais esplêndidos da história". Entre outras coisas, o COI teme que estádios grandes demais para a demanda repitam a má impressão causada pelas arquibancadas vazias durante as competições em Atenas. Não se sabe se por atenção ao pedido, o comitê organizador chinês anunciou na semana passada o corte de 1 bilhão de dólares no orçamento "para tornar o evento mais frugal".

A parcela maior do orçamento chinês é destinada a uma faxina urbana em Pequim. Inclui um novo aeroporto, a extensão das linhas de metrô, além de melhorias no sistema de comunicações e de fornecimento de energia elétrica. O restante é para a infra-estrutura dos Jogos, incluindo a Vila Olímpica e os locais de competição. Por enquanto, o facão vai atingir apenas as obras da parte esportiva. Dos dez novos estádios e ginásios que seriam construídos, apenas cinco vão sair do papel – instalações já existentes serão reformadas para abrigar as competições. Só nas obras do Estádio Olímpico a economia será de 200 milhões de dólares.

Os chineses parecem ter aprendido a lição ignorada por outros países que receberam uma Olimpíada. Ao se candidatar para sediar os Jogos, é comum uma cidade subestimar os custos e supervalorizar as receitas (direitos de TV, patrocínio e venda de ingressos) para ganhar a concorrência do COI. "É a maldição do vencedor, pois a cidade-sede acaba pagando caro pelo otimismo exagerado", disse a VEJA o economista americano Evan Osborne, especializado em marketing esportivo. Na ponta do lápis, organizar uma Olimpíada é empreendimento de alto risco financeiro. À exceção de Los Angeles e Atlanta, que exigiram poucos investimentos em infra-estrutura e tiveram forte patrocínio da iniciativa privada, as demais sedes amargaram prejuízos. Montreal é o maior exemplo de fiasco. A cidade canadense construiu estádios grandiosos, que se tornaram ociosos após os Jogos de 1976, e paga dívidas até hoje. Por essa razão, para amenizar as perdas, é preciso planejar a longo prazo. Atenas aproveitou o evento para tocar obras viárias que eram sempre adiadas. "O ganho maior de bancar uma Olimpíada, se serve de consolo, é a auto-estima que ela traz para a cidade", diz Osborne.

 


 
 
 
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