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Olimpíadas
Estava caro demais
Para
diminuir o custo dos Jogos de 2008,
a China
reduz quantidade de novos estádios

José Eduardo Barella
AP
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| Chineses mostram
seus
planos ao Comitê Olímpico, em 2001: agora, "mais
frugal" |
Vale a pena
uma cidade torrar uma fortuna para organizar uma Olimpíada?
A euforia que contaminou os gregos com os Jogos de Atenas, encerrados
no mês passado, esfriou logo depois que a conta da festa foi
apresentada 7 bilhões de dólares, quase o dobro
das previsões iniciais. Os custos cada vez mais elevados
do maior evento esportivo do planeta levaram o Comitê Olímpico
Internacional (COI) a pedir moderação às autoridades
chinesas, que prometem investir 33 bilhões de dólares
para transformar os Jogos de 2008, em Pequim, "nos mais esplêndidos
da história". Entre outras coisas, o COI teme que estádios
grandes demais para a demanda repitam a má impressão
causada pelas arquibancadas vazias durante as competições
em Atenas. Não se sabe se por atenção ao pedido,
o comitê organizador chinês anunciou na semana passada
o corte de 1 bilhão de dólares no orçamento
"para tornar o evento mais frugal".
A parcela
maior do orçamento chinês é destinada a uma
faxina urbana em Pequim. Inclui um novo aeroporto, a extensão
das linhas de metrô, além de melhorias no sistema de
comunicações e de fornecimento de energia elétrica.
O restante é para a infra-estrutura dos Jogos, incluindo
a Vila Olímpica e os locais de competição.
Por enquanto, o facão vai atingir apenas as obras da parte
esportiva. Dos dez novos estádios e ginásios que seriam
construídos, apenas cinco vão sair do papel
instalações já existentes serão reformadas
para abrigar as competições. Só nas obras do
Estádio Olímpico a economia será de 200 milhões
de dólares.
Os chineses
parecem ter aprendido a lição ignorada por outros
países que receberam uma Olimpíada. Ao se candidatar
para sediar os Jogos, é comum uma cidade subestimar os custos
e supervalorizar as receitas (direitos de TV, patrocínio
e venda de ingressos) para ganhar a concorrência do COI. "É
a maldição do vencedor, pois a cidade-sede acaba pagando
caro pelo otimismo exagerado", disse a VEJA o economista americano
Evan Osborne, especializado em marketing esportivo. Na ponta do
lápis, organizar uma Olimpíada é empreendimento
de alto risco financeiro. À exceção de Los
Angeles e Atlanta, que exigiram poucos investimentos em infra-estrutura
e tiveram forte patrocínio da iniciativa privada, as demais
sedes amargaram prejuízos. Montreal é o maior exemplo
de fiasco. A cidade canadense construiu estádios grandiosos,
que se tornaram ociosos após os Jogos de 1976, e paga dívidas
até hoje. Por essa razão, para amenizar as perdas,
é preciso planejar a longo prazo. Atenas aproveitou o evento
para tocar obras viárias que eram sempre adiadas. "O ganho
maior de bancar uma Olimpíada, se serve de consolo, é
a auto-estima que ela traz para a cidade", diz Osborne.
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