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Brasil
Escolinha do professor
Samuel
Secretário-geral
do
Itamaraty constrange
colegas ao submetê-los a uma sabatina

Alexandre Oltramari
Ed Ferreira/AE
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| Guimarães
e dois
dos livros da sabatina: a doutrinação sem diplomacia
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Samuel Pinheiro
Guimarães, 65 anos, está no auge de sua carreira diplomática.
Desde o início do governo, ele ocupa o cargo de secretário-geral
do Itamaraty. Nesse posto, cuida de promoções, transferências
e, principalmente, da formulação da política
externa do governo petista. Juntamente com o chanceler Celso Amorim
e Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Lula
para assuntos externos, Pinheiro Guimarães forma a santíssima
trindade da atual diplomacia. Professor universitário por
mais de duas décadas, autor de treze livros, ele decidiu
no início do ano submeter todos os diplomatas que estão
sendo transferidos de posto a um cursinho de duas semanas em seu
gabinete. Nas aulas, Pinheiro Guimarães obriga os diplomatas
a ler três livros, todos afinados com a doutrina nacional-terceiro-mundista
do chefe Amorim. Uma das obras exigidas, Rio-Branco, de Álvaro
Lins, é uma biografia do patrono da diplomacia brasileira,
um dos maiores nacionalistas do país. A segunda é
Brasil, Argentina e Estados Unidos, de Moniz Bandeira, que
traz um prefácio no qual Pinheiro Guimarães espicaça
a Alca, a Area de Livre Comércio das Américas, e os
Estados Unidos. A terceira, Brasil: de 1945 a 1964, de Rogério
Forastieri da Silva, trata da política desenvolvimentista
de incentivo à industrialização. Depois de
ler os calhamaços, os alunos são submetidos a uma
sabatina.
As aulas
da escolinha do professor Samuel, que reúnem grupos de até
doze diplomatas, ocorrem numa sala de 40 metros quadrados, contígua
ao gabinete do secretário. Ninguém pode realizar as
leituras obrigatórias em casa. Também não é
permitido ler um livro em menos de três dias. Terminado o
cursinho, o professor acomoda a turma em dois sofás, serve
água e café e toma a lição. Não
tem essa de pedagogia moderna com o professor Samuel. Tudo o que
ele não quer é estimular o espírito crítico
entre os alunos. Em outras palavras, aluno bom é aluno que
reza integralmente pelo seu catecismo antiamericano e esquerdista.
Dá para imaginar o quanto esse tipo de sabatina pode ser
constrangedor. "Me senti doutrinado e infantilizado. Tenho apenas
35 anos, mas havia senhores de idade enfrentando a mesma situação",
disse a VEJA um diplomata que passou recentemente pelo teste. Apesar
da revolta generalizada no Itamaraty, as reações,
diplomáticas, estão restritas a rezingas de corredor.
Pinheiro
Guimarães gosta de se comportar também como o príncipe
Metternich da burocracia itamaratiana. No início do ano,
ele determinou que todo oficial de chancelaria deveria fazer um
teste de inglês antes de assumir um cargo fora do país,
mesmo que fosse no Irã. A reação, dessa vez,
não foi nada diplomática. Os oficiais de chancelaria,
uma tropa de 1 100 funcionários, 400 deles servindo no exterior,
não admitiram ver sua dignidade bilíngüe tratada
pelo pequeno Metternich como se fosse assim, digamos, uma mera expressão
geográfica. A briga foi parar nos tribunais. A Justiça
considerou a exigência ilegal, porque entendeu que os servidores
já haviam se submetido a um exame de línguas quando
ingressaram no Itamaraty por meio de concurso público. Desde
então, todos os processos de remoção de oficiais
de chancelaria para o exterior foram paralisados. Na escolinha do
professor Samuel, pelo jeito, instalou-se a Alba, a área
de livres bobagens das Américas.
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