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Brasil
O Senado é com
Lula
O presidente
passou
a comandar as
articulações políticas com os senadores
Gustavo Miranda/Ag. O Globo
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| Lula: concentração
de
esforços |
Deputados
e senadores voltam a Brasília, nesta semana, para o terceiro
"esforço concentrado" do ano, eufemismo para designar a semana
trabalhada em meio às férias que os parlamentares
costumam gozar no segundo semestre de anos eleitorais. Com uma maioria
folgada e obediente na Câmara dos Deputados, o governo vai
concentrar seu esforço no Senado. Ali, entre os 81 senadores,
formou-se um funil estreito: além de apertada, a maioria
governista é invertebrada, variando de tamanho a cada votação
e quase sempre entregando à oposição mais votos
do que o Palácio do Planalto gostaria. Com isso, alguns projetos
relevantes do governo estão empacados no Senado. Um deles
é a chamada parceria público-privada (PPP), cujo objetivo
é atrair capital privado para associar-se ao poder público
em investimento em obras de infra-estrutura. Bombardeado pela oposição,
o projeto ainda não foi nem aprovado pelas comissões
técnicas, pelas quais tem de passar antes de ir a plenário.
Se o governo conseguir aprová-lo nas comissões no
"esforço concentrado", já será uma vitória
esplêndida.
O outro
projeto importante é a Lei de Biossegurança. Já
aprovada na Câmara, está há sete meses no Senado,
apesar da relevância e da urgência. A lei regula a pesquisa
sobre células-tronco, grande esperança para tratar
doenças hoje incuráveis. Apesar da oposição
da bancada religiosa, que se opõe às pesquisas com
embriões, há um consenso entre os senadores
o de permitir a pesquisa só com o atual estoque de 20.000
embriões nas clínicas de fertilização,
o que garantirá trabalho aos cientistas para os próximos
cinco anos. Outro ponto central da lei é definir quem será
responsável pelo controle dos transgênicos: um conselho
de ministros ou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio). Da aprovação da lei depende, por exemplo,
a produção de soja transgênica, cuja época
de plantio está chegando no Rio Grande do Sul sem que os
agricultores saibam se poderão ou não trabalhar com
o produto. No ano passado, enfrentou-se o mesmo impasse e o governo
editou uma medida provisória autorizando a venda da soja
transgênica já colhida, esperando que, no ano seguinte,
o assunto estivesse definitivamente resolvido. Não está.
É
praticamente impossível que o Senado vote PPPs e a Lei de
Biossegurança no "esforço concentrado" desta semana.
Também ninguém tem esperança de que consiga
avançar na Lei de Informática, que integra a reforma
tributária, cujo ponto polêmico é definir se
só a Zona Franca de Manaus poderá produzir telas de
televisão e terminais de computador ou se outras regiões
do país também terão autorização
para fazê-lo. Apesar disso, é possível que,
num prazo relativamente curto, o Senado deixe de ser um obstáculo
tão freqüente aos projetos do governo. É que
o presidente Lula, ele próprio, passou a comandar as articulações
políticas no Senado, onde o Palácio do Planalto quer
convencer uns dez senadores, hoje filiados a partidos de oposição,
a aderir às legendas que compõem a base governista,
em especial o PTB e o PL. Na semana passada, Lula conversou por
telefone com os senadores Antonio Carlos Magalhães, do PFL
baiano, e José Sarney, do PMDB. ACM é candidato a
trocar o PFL por uma sigla governista. Lula também falou
com o senador Renan Calheiros, líder das fileiras do PMDB
que andam mais ouriçadas com o governo.
"A solução
é simples, vamos ao supermercado e compramos um carrinho
cheio de senadores", ironiza um membro do governo envolvido na negociação.
Lula também embarcou na tese de batalhar pela aprovação
do direito à reeleição, para mandato de mais
dois anos, dos presidentes da Câmara e do Senado. Acha que,
ao apoiar a reeleição, vai enfrentar problemas apenas
com Renan Calheiros, que almeja suceder a José Sarney na
presidência do Senado enquanto, se ficasse contra a
reeleição, provocaria mágoas em meia república
petista. Desde o início do governo Lula, o Senado tem sido
uma casa complicada para o Palácio do Planalto. Em teoria,
os partidos governistas reúnem 47 senadores, contra 34 oposicionistas.
Na prática, porém, cinco senadores do PMDB votam sistematicamente
com a oposição e, com isso, a matemática muda:
os governistas caem para 42 votos e os oposicionistas sobem para
39.
É
uma maioria extremamente frágil para o governo, que se altera
facilmente dependendo do tema em discussão, pois muitos senadores
vivem de olho no governo de seus Estados. O senador peemedebista
Ramez Tebet, por exemplo, tem um DNA governista, mas vota contra
o Palácio do Planalto porque seu principal adversário
político em Mato Grosso do Sul é o atual governador,
Zeca do PT. É o mesmo caso do senador Duciomar Costa, líder
do governista PTB, que se opõe ao PT para não baixar
a guarda na sua disputa com a senadora petista Ana Júlia
Carepa pelo comando da prefeitura de Belém. Pelo jeito vai
haver mais concentração do que esforço em Brasília.
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