Edição 1871 . 15 de setembro de 2004

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Claudio de Moura Castro
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Carta ao leitor
Gerir o sucesso

 
Gustavo Miranda/Ag. O Globo

O presidente Lula e a primeira-dama, Marisa, na parada de Sete de Setembro

Com inflação sob controle, desemprego em queda, economia crescendo, exportações em alta e invejável taxa de aprovação popular, o desafio do governo Lula agora é administrar o sucesso. À primeira vista é uma empreitada bem mais fácil do que protagonizar o desagradável espetáculo, assemelhado a um ensaio ao vivo, de debelar uma crise por semana, que vinha sendo a sina do governo até bem pouco tempo atrás. O sucesso impõe novas exigências. O governo será testado em sua capacidade de formular políticas de longo prazo. Em última análise, isso vai definir o caráter da administração petista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ter a partir de agora a chance de demonstrar se, mais do que um bem-sucedido projeto de poder, tem para o Brasil um consistente projeto de país.

A primeira charada dessa nova fase já foi jogada no colo do presidente. Ele vem sendo incitado pelos maus conselheiros de sempre a concluir que a acertada política econômica que tirou o país da estagnação e seu governo da crise talvez não seja a melhor para garantir a prosperidade daqui para a frente. Em bom português, teria chegado a hora de relaxar o garrote monetário e implementar uma política de queda acelerada de juros. Sejam quais forem as tentações, o presidente e o país só ganham se ele adotar a sabedoria secular dos treinadores do esporte que tanto ama: não se mexe em time que está vencendo. E o time que venceu a batalha do governo na economia foi o da ortodoxia, e não o dos que querem crescimento acelerado a qualquer custo.

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A partir desta semana, VEJA passa a contar outra vez com a colaboração do escritor e humorista carioca Millôr Fernandes, que assinou uma seção na revista entre 1968 e 1982. A volta de Millôr, um dos grandes nomes da imprensa brasileira (e também da arte, da literatura e da inteligência), é um presente para os leitores. "Voltando, é impossível não me sentir um filho pródigo. Se fosse na internet vocês ouviriam minha voz ecoando Nelson Gonçalves: 'Boemia, aqui me tens de regresso'.", diz ele em sua coluna de reestréia. Bem-vindo, Millôr.

 
 
 
 
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