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Carta ao leitor
Gerir o sucesso
Gustavo Miranda/Ag. O Globo
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O
presidente Lula e
a primeira-dama, Marisa, na parada de Sete de Setembro
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Com inflação
sob controle, desemprego em queda, economia crescendo, exportações
em alta e invejável taxa de aprovação popular,
o desafio do governo Lula agora é administrar o sucesso.
À primeira vista é uma empreitada bem mais fácil
do que protagonizar o desagradável espetáculo, assemelhado
a um ensaio ao vivo, de debelar uma crise por semana, que vinha
sendo a sina do governo até bem pouco tempo atrás.
O sucesso impõe novas exigências. O governo será
testado em sua capacidade de formular políticas de longo
prazo. Em última análise, isso vai definir o caráter
da administração petista. O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva vai ter a partir de agora a chance de demonstrar se,
mais do que um bem-sucedido projeto de poder, tem para o Brasil
um consistente projeto de país.
A primeira
charada dessa nova fase já foi jogada no colo do presidente.
Ele vem sendo incitado pelos maus conselheiros de sempre a concluir
que a acertada política econômica que tirou o país
da estagnação e seu governo da crise talvez não
seja a melhor para garantir a prosperidade daqui para a frente.
Em bom português, teria chegado a hora de relaxar o garrote
monetário e implementar uma política de queda acelerada
de juros. Sejam quais forem as tentações, o presidente
e o país só ganham se ele adotar a sabedoria secular
dos treinadores do esporte que tanto ama: não se mexe em
time que está vencendo. E o time que venceu a batalha do
governo na economia foi o da ortodoxia, e não o dos que querem
crescimento acelerado a qualquer custo.
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A
partir desta semana, VEJA passa a contar outra vez com a colaboração
do escritor e humorista carioca Millôr Fernandes, que assinou
uma seção na revista entre 1968 e 1982. A volta de
Millôr, um dos grandes nomes da imprensa brasileira (e também
da arte, da literatura e da inteligência), é um presente
para os leitores. "Voltando, é impossível não
me sentir um filho pródigo. Se fosse na internet vocês
ouviriam minha voz ecoando Nelson Gonçalves: 'Boemia, aqui
me tens de regresso'.", diz ele em sua coluna de reestréia.
Bem-vindo, Millôr.
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