Como a ex-paquita
Bianca Rinaldi se tornou
a primeira estrela com o DNA da Record
Marcelo Marthe
Bianca numa aula de circo (à
dir.) e com Xuxa, nos tempos em que era só
"Xiquita": salário de 40 000 reais e apoio da "casuloterapia"
Ultimamente,
a atriz Bianca Rinaldi vem se submetendo a sessões
de acupuntura e fisioterapia para tratar de uma bursite no
ombro esquerdo. É um caso de doença ocupacional.
Para viver a protagonista da próxima novela da Record,
Caminhos do Coração, Bianca pôs
seus músculos e articulações à
prova. Como a personagem Maria será uma heroína
de ação, sua preparação inclui
aulas de trapézio, malabarismo, ginástica olímpica
e luta tailandesa. A dedicação rendeu
dores, mas reforçou um cacife que já era alto.
Nos últimos três anos, a emissora de Edir Macedo
investiu 300 milhões de reais declarados na teledramaturgia
e valeu-se de rostos conhecidos dos folhetins da Globo para
chamar atenção para suas produções.
Bianca é um fenômeno diferente. Embora tivesse
uma carreira pregressa, foi na Record que ela alcançou
projeção de fato. É, em suma, a primeira
estrela forjada nos folhetins da emissora. Se a versão
de A Escrava Isaura que inaugurou a indústria
de novelas da Record foi bem-sucedida, isso se deveu em boa
medida à sua escalação para o papel principal.
Ela também teve sucesso como a mocinha de Prova
de Amor, o maior êxito da rede no ibope.
E será a âncora de sua maior aposta até
agora pois Caminhos do Coração, que
estréia no dia 28, tem o custo recorde de 200.000 reais
por capítulo.
Antes de desembarcar
na Record, Bianca teve uma trajetória de artista infanto-juvenil.
Aos 15 anos, essa filha de uma família de classe baixa
(sua mãe foi copeira de um conhecido hospital paulistano)
desbancou 7.000 garotas num concurso para ser uma das paquitas
de Xuxa. Rebatizada de "Xiquita", ela passou a freqüentar
o círculo íntimo da apresentadora infantil.
Depois, trabalhou na novelinha Malhação,
também na Globo, e em produções do
SBT onde seu maior papel foi o da vilãzinha
de Chiquititas. Foi na Record, entretanto, que ela
se impôs como atriz adulta. Em busca de emprego, enviou
um portfólio por e-mail à assessoria de imprensa
da emissora. Ele foi encaminhado ao diretor de A Escrava
Isaura, Herval Rossano. Logo no primeiro encontro, Rossano
(morto em maio deste ano) decidiu que o papel seria de Bianca.
Graças a Isaura, ela ganhou fama até em outros
países, como o Chile. "As pessoas me abraçavam
na rua", diz.
Com o moral nas
alturas e um holerite de atriz do primeiro time da Globo (na
faixa de 40.000 reais por mês), Bianca sente-se para
lá de confortável na Record. "Quando cheguei,
pouca gente botava fé na emissora. Sinto orgulho de
saber que tem um saco de cimento meu nessa obra", diz. Ela
encontrou uma forma de retribuir: emprestou sua imagem de
boa moça às causas dos bispos. Tornou-se embaixadora
do principal projeto social da Record. Ao lado de Dudu Braga,
filho de Roberto Carlos, apresenta o programa Ressoar,
ligado ao instituto filantrópico homônimo.
A atriz, "católica de nascença", não
se furtou ainda a dar seu testemunho em reuniões com
jovens em templos da Igreja Universal do Reino de Deus, a
grande patrocinadora da Record. É das raras artistas
que se dirigem diretamente ao bispo Honorilton Gonçalves,
que dá as cartas no canal e tem fama de inatingível.
Uma vez, o bispo interrompeu a decolagem de um helicóptero
ao saber que ela queria conversar com ele. "Sempre que bato
na sala dele, tenho certeza de que serei atendida", diz Bianca.
Bianca é
casada há seis anos com seu empresário, Eduardo
Menga. Ela tem 32 anos e Menga, 54. "Eu me divirto quando
perguntam se ele é meu pai", diz. Ao intermediar sua
ida para a Record, o maridão (pai da ex-tenista Vanessa
Menga) também acabou arranjando emprego na emissora,
como negociador dos contratos com atores. Menga não
é seu único conselheiro. Nas interpretações
de Bianca há sempre "um dedinho" de sua psicoterapeuta,
Helena Martins, inventora de uma certa "casuloterapia"
que consiste numa maratona de três dias de análise
intensiva num chalezinho branco. "Aprendi que nosso DNA é
o mesmo, mas faz muita diferença o jeito como cada
um desenvolve o que está ali nos cromossomos", filosofa.
O noveleiro Tiago
Santiago, que a princípio questionou a escolha da atriz
para fazer Isaura, hoje se desmancha por ela. "Adoro escrever
cenas para a Bianca chorar", diz. Agora, ele vai brindá-la
com uma trama bem maluca. Em Caminhos do Coração,
a trapezista vivida por ela se descobre herdeira do dono de
uma clínica onde se produziram crianças mutantes
com superpoderes. Maria será perseguida como suspeita
do assassinato do tal médico, interpretado por Walmor
Chagas. "Ela vai cair no sono depois de tomar um 'boa-noite-cinderela'
numa festa e acordará ao lado do cadáver, com
uma seringa com veneno na mão", informa o autor.