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15 de agosto de 2007
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A heroína dos bispos

Como a ex-paquita Bianca Rinaldi se tornou
a primeira estrela com o DNA da Record


Marcelo Marthe

 
Bianca numa aula de circo (à dir.) e com Xuxa, nos tempos em que era só "Xiquita": salário de 40 000 reais e apoio da "casuloterapia"

Ultimamente, a atriz Bianca Rinaldi vem se submetendo a sessões de acupuntura e fisioterapia para tratar de uma bursite no ombro esquerdo. É um caso de doença ocupacional. Para viver a protagonista da próxima novela da Record, Caminhos do Coração, Bianca pôs seus músculos e articulações à prova. Como a personagem Maria será uma heroína de ação, sua preparação inclui aulas de trapézio, malabarismo, ginástica olímpica e luta tailandesa. A dedicação rendeu dores, mas reforçou um cacife que já era alto. Nos últimos três anos, a emissora de Edir Macedo investiu 300 milhões de reais declarados na teledramaturgia e valeu-se de rostos conhecidos dos folhetins da Globo para chamar atenção para suas produções. Bianca é um fenômeno diferente. Embora tivesse uma carreira pregressa, foi na Record que ela alcançou projeção de fato. É, em suma, a primeira estrela forjada nos folhetins da emissora. Se a versão de A Escrava Isaura que inaugurou a indústria de novelas da Record foi bem-sucedida, isso se deveu em boa medida à sua escalação para o papel principal. Ela também teve sucesso como a mocinha de Prova de Amor, o maior êxito da rede no ibope. E será a âncora de sua maior aposta até agora – pois Caminhos do Coração, que estréia no dia 28, tem o custo recorde de 200.000 reais por capítulo.

Antes de desembarcar na Record, Bianca teve uma trajetória de artista infanto-juvenil. Aos 15 anos, essa filha de uma família de classe baixa (sua mãe foi copeira de um conhecido hospital paulistano) desbancou 7.000 garotas num concurso para ser uma das paquitas de Xuxa. Rebatizada de "Xiquita", ela passou a freqüentar o círculo íntimo da apresentadora infantil. Depois, trabalhou na novelinha Malhação, também na Globo, e em produções do SBT – onde seu maior papel foi o da vilãzinha de Chiquititas. Foi na Record, entretanto, que ela se impôs como atriz adulta. Em busca de emprego, enviou um portfólio por e-mail à assessoria de imprensa da emissora. Ele foi encaminhado ao diretor de A Escrava Isaura, Herval Rossano. Logo no primeiro encontro, Rossano (morto em maio deste ano) decidiu que o papel seria de Bianca. Graças a Isaura, ela ganhou fama até em outros países, como o Chile. "As pessoas me abraçavam na rua", diz.

Com o moral nas alturas e um holerite de atriz do primeiro time da Globo (na faixa de 40.000 reais por mês), Bianca sente-se para lá de confortável na Record. "Quando cheguei, pouca gente botava fé na emissora. Sinto orgulho de saber que tem um saco de cimento meu nessa obra", diz. Ela encontrou uma forma de retribuir: emprestou sua imagem de boa moça às causas dos bispos. Tornou-se embaixadora do principal projeto social da Record. Ao lado de Dudu Braga, filho de Roberto Carlos, apresenta o programa Ressoar, ligado ao instituto filantrópico homônimo. A atriz, "católica de nascença", não se furtou ainda a dar seu testemunho em reuniões com jovens em templos da Igreja Universal do Reino de Deus, a grande patrocinadora da Record. É das raras artistas que se dirigem diretamente ao bispo Honorilton Gonçalves, que dá as cartas no canal – e tem fama de inatingível. Uma vez, o bispo interrompeu a decolagem de um helicóptero ao saber que ela queria conversar com ele. "Sempre que bato na sala dele, tenho certeza de que serei atendida", diz Bianca.

Bianca é casada há seis anos com seu empresário, Eduardo Menga. Ela tem 32 anos e Menga, 54. "Eu me divirto quando perguntam se ele é meu pai", diz. Ao intermediar sua ida para a Record, o maridão (pai da ex-tenista Vanessa Menga) também acabou arranjando emprego na emissora, como negociador dos contratos com atores. Menga não é seu único conselheiro. Nas interpretações de Bianca há sempre "um dedinho" de sua psicoterapeuta, Helena Martins, inventora de uma certa "casuloterapia" – que consiste numa maratona de três dias de análise intensiva num chalezinho branco. "Aprendi que nosso DNA é o mesmo, mas faz muita diferença o jeito como cada um desenvolve o que está ali nos cromossomos", filosofa.

O noveleiro Tiago Santiago, que a princípio questionou a escolha da atriz para fazer Isaura, hoje se desmancha por ela. "Adoro escrever cenas para a Bianca chorar", diz. Agora, ele vai brindá-la com uma trama bem maluca. Em Caminhos do Coração, a trapezista vivida por ela se descobre herdeira do dono de uma clínica onde se produziram crianças mutantes com superpoderes. Maria será perseguida como suspeita do assassinato do tal médico, interpretado por Walmor Chagas. "Ela vai cair no sono depois de tomar um 'boa-noite-cinderela' numa festa e acordará ao lado do cadáver, com uma seringa com veneno na mão", informa o autor.

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