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15 de agosto de 2007
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Com Sete Pecados, os problemas da escola
pública chegam às novelas. E isso dá ibope


Marcelo Marthe

 
Divulgação
A diretora-patricinha e o revoltado Xongas: real, mas nem tanto

Nos anos 90, Gabriela Duarte ganhou (má) fama como a mimada Maria Eduarda da novela Por Amor. Nada menos verossímil do que escalar uma atriz tão marcada como patricinha para o papel de diretora de uma escola pública da periferia de São Paulo. O noveleiro Walcyr Carrasco resolveu correr esse risco no atual folhetim das 7 da Globo, Sete Pecados. E não se deu mal: em suas primeiras semanas no ar, o núcleo em torno do colégio se revelou um chamariz de ibope. A história da diretora que enfrenta alunos hostis e professores desmotivados nasceu do desejo do autor de fazer propaganda de uma boa causa. "Quero mostrar que, com o engajamento da população e dos profissionais do ramo, é possível salvar a escola pública", diz ele. Trata-se de um universo ausente das novelas da Globo, em que sempre se viram apenas colégios de classe média como o de Malhação. O estabelecimento em questão tem paredes pichadas e salas de aula em frangalhos. A biblioteca estava um caos até Miriam, a tal diretora, comandar sua recuperação. A moça enfrenta ainda o bad boy Xongas (Kayky Brito), que já liderou o furto de um portão da escola e soltou um enxame de abelhas numa festa. Em breve, um tio criminoso tentará cooptá-lo para um assalto – e ele só não morrerá por intervenção da diretora. Carrasco não pretende ir muito além disso em matéria de realismo. "Se eu mostrasse barbaridades como as das escolas de verdade, minha novela não iria ao ar antes das 11 da noite", diz.

De um filme como Ao Mestre, com Carinho à novelinha mexicana Carrossel, a escola é um cenário clássico. "Ela permite misturar todo tipo de personagem e explorar várias tramas simultâneas", diz o diretor de Sete Pecados, Jorge Fernando. Um pesquisa acaba de demonstrar que as espectadoras se sensibilizam com a realidade abordada por Carrasco. Mas a boa aceitação tem a ver mesmo é com os ingredientes folhetinescos da trama. A diretora é uma heroína tão valorizada quanto as protagonistas por sua determinação e pelo romance açucarado com um professor de educação física sem sal (Marcello Novaes). Da mesma forma, o namorico que se delineia entre uma aluna e Xongas faz com que o público desculpe o revoltado. O que não significa, é claro, que as caretas de ursinho panda de Kayky Brito mereçam perdão.

 
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A riquinha e o marido alheio: surra programada

O destaque da escola é reflexo também de um dado que preocupa a Globo: o triângulo central de Sete Pecados ainda não caiu no gosto do público. Parte das espectadoras não engole o fato de a protagonista riquinha e fútil interpretada por Priscila Fantin dar em cima de um homem casado (Reynaldo Gianecchini). Também não entende por que a mulher dele (Giovanna Antonelli) não reage às investidas da rival. Depois da pesquisa, programou-se uma cena em que essa última levará uma surra da esposa ameaçada. Será uma forma de lhe conferir mais dignidade – e de dar ao público alguém mais para torcer além da diretora-patricinha.

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