Com Sete
Pecados, os problemas da escola pública chegam
às novelas. E isso dá ibope
Marcelo Marthe
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A diretora-patricinha e o revoltado
Xongas: real, mas nem tanto
Nos anos 90, Gabriela
Duarte ganhou (má) fama como a mimada Maria Eduarda
da novela Por Amor. Nada menos verossímil do
que escalar uma atriz tão marcada como patricinha para
o papel de diretora de uma escola pública da periferia
de São Paulo. O noveleiro Walcyr Carrasco resolveu
correr esse risco no atual folhetim das 7 da Globo, Sete
Pecados. E não se deu mal: em suas primeiras semanas
no ar, o núcleo em torno do colégio se revelou
um chamariz de ibope. A história da diretora que enfrenta
alunos hostis e professores desmotivados nasceu do desejo
do autor de fazer propaganda de uma boa causa. "Quero mostrar
que, com o engajamento da população e dos profissionais
do ramo, é possível salvar a escola pública",
diz ele. Trata-se de um universo ausente das novelas da Globo,
em que sempre se viram apenas colégios de classe média
como o de Malhação. O estabelecimento
em questão tem paredes pichadas e salas de aula em
frangalhos. A biblioteca estava um caos até Miriam,
a tal diretora, comandar sua recuperação. A
moça enfrenta ainda o bad boy Xongas (Kayky Brito),
que já liderou o furto de um portão da escola
e soltou um enxame de abelhas numa festa. Em breve, um tio
criminoso tentará cooptá-lo para um assalto
e ele só não morrerá por intervenção
da diretora. Carrasco não pretende ir muito além
disso em matéria de realismo. "Se eu mostrasse barbaridades
como as das escolas de verdade, minha novela não iria
ao ar antes das 11 da noite", diz.
De um filme como
Ao Mestre, com Carinho à novelinha mexicana
Carrossel, a escola é um cenário clássico.
"Ela permite misturar todo tipo de personagem e explorar várias
tramas simultâneas", diz o diretor de Sete Pecados,
Jorge Fernando. Um pesquisa acaba de demonstrar que as
espectadoras se sensibilizam com a realidade abordada por
Carrasco. Mas a boa aceitação tem a ver mesmo
é com os ingredientes folhetinescos da trama. A diretora
é uma heroína tão valorizada quanto as
protagonistas por sua determinação e pelo romance
açucarado com um professor de educação
física sem sal (Marcello Novaes). Da mesma forma, o
namorico que se delineia entre uma aluna e Xongas faz com
que o público desculpe o revoltado. O que não
significa, é claro, que as caretas de ursinho panda
de Kayky Brito mereçam perdão.
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A riquinha e o marido alheio:
surra programada
O destaque da escola
é reflexo também de um dado que preocupa a Globo:
o triângulo central de Sete Pecados ainda não
caiu no gosto do público. Parte das espectadoras não
engole o fato de a protagonista riquinha e fútil interpretada
por Priscila Fantin dar em cima de um homem casado (Reynaldo
Gianecchini). Também não entende por que a mulher
dele (Giovanna Antonelli) não reage às investidas
da rival. Depois da pesquisa, programou-se uma cena em que
essa última levará uma surra da esposa ameaçada.
Será uma forma de lhe conferir mais dignidade
e de dar ao público alguém mais para torcer
além da diretora-patricinha.