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15 de agosto de 2007
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Estilo
Starck em Ipanema

O designer francês que inventou o hotel-butique
exibe seu gênio no Fasano Rio de Janeiro


Silvia Rogar

Fotos Oscar Cabral
Diferença nos detalhes: piscina à esquerda, suíte com vista para o mar de todos os ângulos e, claro, poltronas – com listras, de Pesce, com rosto da rainha, de Starck


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Durante dois anos, trocaram e-mails, incessantemente, o designer francês Philippe Starck, mago dos interiores surpreendentes pelos jogos de luzes coloridas, objetos surrealistas, toques rococós e vastas cortinas drapeadas, e o empresário paulista Rogério Fasano, de gosto sóbrio e clássico, detalhista ao extremo e acostumado a dar a última palavra no ambiente dos restaurantes estrelados e do hotel de alto luxo que comanda em São Paulo. O resultado de tanta correspondência abre as portas, oficialmente, nesta semana: o Fasano Rio de Janeiro, hotel-butique à beira da praia de Ipanema, primeiro projeto de Starck no Brasil, é a perfeita união da irreverência genial de um com a sobriedade refinada do outro.

Divergências entre Starck e Fasano existiram, claro – "eu adoro simetrias; ele, as formas arredondadas", suspira o brasileiro –, mas foram contornadas sem maiores controvérsias, graças, entre outros fatores, à providencial distância. "Só tivemos dois encontros, em Londres", diz Fasano. Vê-se o toque do sócio (que nas vésperas da inauguração checava pessoalmente a posição de cada quadro na parede) na predominância dos tons naturais da madeira, do couro, do rústico. O balcão da recepção, construído com tronco de pequiá, pesa 6 toneladas e exigiu reforço na estrutura do prédio de oito andares. Com 20 milhões de dólares investidos em construção e decoração, o hotel privilegia o mobiliário brasileiro dos anos 50 e 60 em todos os seus recantos, inclusive no restaurante Fasano Al Mare. "Decidimos homenagear as décadas de glória da arquitetura e da música do Rio", explica Fasano. Ainda no térreo, um corredor de 15 metros, com piso de vidro iluminado e cortinas de linho branco, de um lado, e veludo vinho, de outro, conduz ao ambiente em que Starck mais extravasa humor: o Baretto Londra, bar intimista, com espaço para apresentações musicais, que tem nas paredes bandeiras britânicas tingidas com as cores da Itália. Capas de discos de bandas inglesas como The Clash e The Police estão expostas, em molduras rebuscadas, próximo às poltronas de couro (assinadas por Starck para o hotel) estampadas com o rosto da rainha Elizabeth com tarjas nos olhos e na boca, homenagem ao compacto God Save the Queen, do Sex Pistols. Para dormir uma única noite nos lençóis de algodão de 300 fios e edredons de pena de ganso dos 92 apartamentos pagam-se entre 945 reais (quarto de fundos, 36 metros quadrados) e 5.250 reais. As três suítes mais caras têm 176 metros quadrados, bancadas de ônix nos banheiros, paredes revestidas de pau-ferro da Bolívia e televisão de plasma de 50 polegadas. Nelas, cortinas brancas funcionam como divisórias de ambientes; se abri-las totalmente, o hóspede pode relaxar na banheira contemplando o mar de Ipanema.

Como se espera de Starck, as cadeiras são um show à parte. Os quartos de frente ostentam a poltrona Voltaire, raridade de 1965 assinada pelo carioca Sergio Rodrigues. A listrada UP5, do italiano Gaetano Pesce, que lembra uma corpulenta figura feminina, decora o hall de entrada para as suítes. No terraço, a piscina exclusiva dos hóspedes debruça-se sobre a orla de tal forma que não se vê a rua, dando a impressão de se estar a bordo de um navio. Mais chique do que se hospedar no Fasano Rio de Janeiro, porém, é comprar um dos apartamentos. Todas as unidades estão à venda, a preços que vão de 578 000 a 4 milhões de reais. Até agora, foram vendidos 70% dos quartos, um quinto deles a americanos e europeus. Os donos têm direito a participação na receita de seu pedaço de Fasano e a sete noites grátis por ano. Infelizmente, por mais que sinta vontade, nenhum vai poder morar lá sem pagar as outras 358 diárias.

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