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15 de agosto de 2007
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Saúde
Esperança dobrada

Duas novas classes de remédios contra a aids
deverão reforçar o coquetel que salva vidas


Adriana Dias Lopes

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Como a aids permanece incurável, a medicina concentra boa parte de seus esforços em torná-la uma doença passível de ser mantida sob controle. Nos últimos anos, avançou-se muito nesse sentido, mas a batalha contra o HIV ainda esbarra na capacidade de o vírus ganhar resistência aos medicamentos disponíveis. "O HIV se adapta de uma maneira fenomenal. Ele sempre arruma um jeito de driblar os ataques e infectar o organismo", diz o infectologista Artur Timerman, do Hospital Albert Einstein. Hoje, 30 000 brasileiros já não respondem ao tratamento com o coquetel de remédios que significaram uma revolução na década passada. Para eles, a maior esperança é a criação de novas drogas. Um grande passo foi dado na semana passada, com a aprovação pela FDA, a agência americana de controle de remédios, de uma substância chamada maraviroc, fabricada pelo laboratório Pfizer. Ela inaugura uma nova classe terapêutica contra o vírus da aids.

O ineditismo está no fato de o remédio proteger células de defesa do organismo antes mesmo do ataque do HIV. É como se ele impermeabilizasse o maior alvo do vírus (veja o quadro). Um estudo com 600 voluntários mostrou que, entre os que usaram o remédio, havia o dobro de células de defesa intactas. Os primeiros a tomar o maraviroc serão os pacientes que já experimentaram pelo menos duas combinações diferentes do coquetel, sem nenhum benefício. A próxima etapa será testar o medicamento em infectados em início de tratamento. Nos Estados Unidos, o maraviroc será comercializado sob o nome de Selzentry – no Brasil, o Celsentri, como será batizado, já está em análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e deverá chegar às farmácias do país até o fim do ano.

Há ainda um segundo anti-retroviral, também de ação inédita, em fase de análise pela FDA. O raltegravir, da Merck Sharp & Dohme, age bloqueando a enzima integrase, envolvida em uma das etapas de replicação do vírus HIV. Os estudos com o remédio constataram que, dos quase 500 pacientes submetidos ao tratamento com o raltegravir, 75% tiveram sua carga viral reequilibrada. Esse medicamento deve chegar em breve ao mercado brasileiro. No início da epidemia da aids, na década de 80, entre o diagnóstico da doença e a fase terminal transcorriam, em média, cinco meses. A criação do coquetel, há coisa de dez anos, permitiu prolongar a vida dos portadores do HIV por tempo indeterminado. Hoje, o conjunto mais usado no Brasil é composto de dezessete medicamentos, de quatro classes distintas. É muito provável, de acordo com os médicos, que as duas novas classes de drogas antiaids logo venham a fazer parte desse cardápio farmacêutico.

 

 

 


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