Fósseis indicam que o Homohabilis não
é ancestral do homem moderno
Leoleli Camargo
As teorias mais aceitas sobre
a evolução dos hominídeos ensinam que
o Homo habilis precedeu o Homo erectus. Ambos
seriam ancestrais do homem moderno. A análise de dois
fósseis encontrados na mesma região do Quênia,
divulgada na semana passada, provoca uma reviravolta nessa
linha evolucionária. Um dos fósseis é
um crânio de Homo erectus, que viveu há
1,5 milhão de anos. O outro é um pedaço
de mandíbula superior, que, pelas características,
pertenceu a um Homo habilis. Para surpresa dos arqueólogos,
os exames da mandíbula revelaram que ela data de 1,4
milhão de anos atrás. Todos os fósseis
de Homo habilis encontrados até hoje tinham
entre 1,7 e 1,9 milhão de anos. A óbvia conclusão
é que o Homo habilis não deu origem ao
Homo erectus ambos coexistiram no mesmo período
por pelo menos 500.000 anos.
"A descoberta tira o Homo
habilis da árvore genealógica do homem moderno.
Já foram encontrados fósseis que indicam a transição
do Homo erectus para o Homo sapiens", disse
a VEJA o paleontólogo Fred Spoor, diretor da pesquisa.
Os cientistas afirmam que, para conviverem por tanto tempo
na mesma região e se conservarem como espécies
distintas, o Homo habilis e o Homo erectus deviam
se abrigar em locais diferentes e manter hábitos alimentares
diversos. Conviviam como os gorilas e os chimpanzés
de hoje nas selvas africanas. A análise do crânio
encontrado no Quênia põe em xeque outra teoria
paleontológica: a de que o Homo erectus tinha
mais características humanas do que símias.
O crânio é muito menor do que os demais da mesma
espécie descobertos até hoje. Isso indicaria
que ele pertenceu a uma fêmea e os outros crânios,
a machos. A grande diferença de volume corporal entre
machos e fêmeas é uma característica de
símios, não de seres humanos.