As empresas
nacionais com receita anual
superior a 1 bilhão de dólares já chegam
a 160, mostra lista da revista Exame
"Quero cumprimentar
aqueles empresários que não aceitaram o
derrotismo e o imobilismo e resolveram enfrentar os desafios
da globalização e da concorrência"
Daniela Tovianski
André Biagi (à
esq.), da Santa Elisa, recebe prêmio de Roberto
Civita
Poucos dados retratam
com tanta nitidez o fortalecimento do setor privado brasileiro
quanto a proliferação de empresas com faturamento
superior a 1 bilhão de dólares por ano. A quantidade
delas cresce a passos largos, conforme mostra a 34ª edição
de Melhores e Maiores da revista Exame, que,
assim como VEJA, é publicada pela Editora Abril. Em
1973, na primeira edição da premiação,
apenas treze empresas brasileiras podiam considerar-se bilionárias;
em 2006, esse número saltou 1.130%, para 160 empresas.
"Em questão de poucos anos, algumas das grandes empresas
do país passaram de figurantes a protagonistas do mercado
mundial", disse Roberto Civita, presidente da Editora Abril,
durante a cerimônia de premiação, ocorrida
na semana passada em São Paulo. "Nunca tantos empresários
deixaram a condição de locais para se transformar
em empreendedores globais." Presente à cerimônia,
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse estar ciente de
que, para sintonizar o país ao processo de internacionalização
competitiva de seu setor privado, é preciso aumentar
os investimentos em infra-estrutura. "É óbvio
que a aceleração do crescimento trouxe exigências
inexistentes quando o país caminhava lentamente. Leva
um certo tempo para adaptar a máquina pública
a um volume maior de projetos, a uma quantidade maior de empreendimentos
e à reintrodução do planejamento de longo
prazo", disse Mantega.
Alvaro Motta
André Biagi (à esq.),
da Santa Elisa, recebe prêmio de Roberto Civita
O perfil das 500
maiores empresas do país, indicadas pela Melhores
e Maiores, mostra como as grandes corporações
conseguiram se transformar em referência global num
ambiente de negócios que ainda carece de planejamento
e infra-estrutura. Elas faturam 700 bilhões de dólares
e são responsáveis por metade das receitas de
exportações do país. Juntas, deram ao
estado, na forma de tributos, 100 bilhões de dólares.
Premiada como empresa do ano, a usina de álcool e açúcar
Santa Elisa, a segunda maior do país, focou suas energias
no planejamento gerencial e na modernização
industrial. Fundada há setenta anos em Sertãozinho,
interior de São Paulo, ela hoje fatura 361 milhões
de dólares por ano, 25% a mais do que em 2005. O crescimento
da empresa, é verdade, está inexoravelmente
relacionado ao aumento da demanda por etanol, cuja procura
é crescente tanto no Brasil como no resto do globo.
Mas também decorre de visão estratégica:
os executivos da Santa Elisa aproveitaram o bom momento da
economia e o interesse pelo etanol para ganhar escala. E o
fizeram por meio de aquisições e fusões.
A principal operação ocorreu em fevereiro deste
ano, quando a Santa Elisa se juntou à Vale do Rosário,
até então a quarta maior usina de açúcar
e álcool do país. A fusão das duas usinas
acabou resultando num gigante da moagem de cana, cujo faturamento
deverá chegar a quase 2 bilhões de reais, e
deu musculatura à Santa Elisa para enfrentar a principal
concorrente, a Cosan. Também no primeiro semestre,
a usina conquistou sócios no exterior, como o fundo
de investimento internacional Carlyle Riverstone, para investir
2 bilhões de reais na construção de quatro
usinas nos próximos dois anos. Em julho, o banco de
investimento Goldman Sachs anunciou que injetaria 400 milhões
de reais para ter uma participação minoritária
na empresa premiada por Exame. Com a lição
de casa feita, o caminho do grupo que controla a Santa Elisa
será a abertura de capital na bolsa.