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15 de agosto de 2007
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Economia
O termômetro do bilhão

As empresas nacionais com receita anual
superior a 1 bilhão de dólares já chegam
a 160, mostra lista da revista Exame


"Quero cumprimentar aqueles empresários que não aceitaram o derrotismo e o imobilismo e resolveram enfrentar os desafios da globalização e da concorrência" Daniela Tovianski
André Biagi (à esq.), da Santa Elisa, recebe prêmio de Roberto Civita

Poucos dados retratam com tanta nitidez o fortalecimento do setor privado brasileiro quanto a proliferação de empresas com faturamento superior a 1 bilhão de dólares por ano. A quantidade delas cresce a passos largos, conforme mostra a 34ª edição de Melhores e Maiores da revista Exame, que, assim como VEJA, é publicada pela Editora Abril. Em 1973, na primeira edição da premiação, apenas treze empresas brasileiras podiam considerar-se bilionárias; em 2006, esse número saltou 1.130%, para 160 empresas. "Em questão de poucos anos, algumas das grandes empresas do país passaram de figurantes a protagonistas do mercado mundial", disse Roberto Civita, presidente da Editora Abril, durante a cerimônia de premiação, ocorrida na semana passada em São Paulo. "Nunca tantos empresários deixaram a condição de locais para se transformar em empreendedores globais." Presente à cerimônia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse estar ciente de que, para sintonizar o país ao processo de internacionalização competitiva de seu setor privado, é preciso aumentar os investimentos em infra-estrutura. "É óbvio que a aceleração do crescimento trouxe exigências inexistentes quando o país caminhava lentamente. Leva um certo tempo para adaptar a máquina pública a um volume maior de projetos, a uma quantidade maior de empreendimentos e à reintrodução do planejamento de longo prazo", disse Mantega.

Alvaro Motta
André Biagi (à esq.), da Santa Elisa, recebe prêmio de Roberto Civita

O perfil das 500 maiores empresas do país, indicadas pela Melhores e Maiores, mostra como as grandes corporações conseguiram se transformar em referência global num ambiente de negócios que ainda carece de planejamento e infra-estrutura. Elas faturam 700 bilhões de dólares e são responsáveis por metade das receitas de exportações do país. Juntas, deram ao estado, na forma de tributos, 100 bilhões de dólares. Premiada como empresa do ano, a usina de álcool e açúcar Santa Elisa, a segunda maior do país, focou suas energias no planejamento gerencial e na modernização industrial. Fundada há setenta anos em Sertãozinho, interior de São Paulo, ela hoje fatura 361 milhões de dólares por ano, 25% a mais do que em 2005. O crescimento da empresa, é verdade, está inexoravelmente relacionado ao aumento da demanda por etanol, cuja procura é crescente tanto no Brasil como no resto do globo. Mas também decorre de visão estratégica: os executivos da Santa Elisa aproveitaram o bom momento da economia e o interesse pelo etanol para ganhar escala. E o fizeram por meio de aquisições e fusões. A principal operação ocorreu em fevereiro deste ano, quando a Santa Elisa se juntou à Vale do Rosário, até então a quarta maior usina de açúcar e álcool do país. A fusão das duas usinas acabou resultando num gigante da moagem de cana, cujo faturamento deverá chegar a quase 2 bilhões de reais, e deu musculatura à Santa Elisa para enfrentar a principal concorrente, a Cosan. Também no primeiro semestre, a usina conquistou sócios no exterior, como o fundo de investimento internacional Carlyle Riverstone, para investir 2 bilhões de reais na construção de quatro usinas nos próximos dois anos. Em julho, o banco de investimento Goldman Sachs anunciou que injetaria 400 milhões de reais para ter uma participação minoritária na empresa premiada por Exame. Com a lição de casa feita, o caminho do grupo que controla a Santa Elisa será a abertura de capital na bolsa.

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