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Edição 1 750 - 15 de maio de 2002
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Mãe é mãe

Uma mulher faz o impensável para
proteger seu filho em Até o Fim

Isabela Boscov

 

Divulgação

Tilda, em cena: cadáver inconveniente


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Trailer do filme

Dar o café da manhã às crianças, lavar a roupa, fazer compras, ocultar um cadáver incômodo: para a mãe vivida pela inglesa Tilda Swinton em Até o Fim (The Deep End, Estados Unidos, 2001), que estréia nesta sexta-feira no país, não há tarefa que seja dura em demasia quando o assunto é proteger a família. Margaret, a personagem de Tilda, é uma solitária. Seu marido mal pára em casa. Seu sogro não pesca nada do que acontece à sua volta. Os dois filhos menores não têm idade para compartilhar decisões e Beau, o mais velho, se isolou em seu próprio problema. Aos 17 anos, ele descobriu que é homossexual, mas não consegue assumir essa condição nem perante si mesmo. Como resultado dessa relutância, é presa fácil para aproveitadores, como seu namorado, um garoto de programa de moral inexistente. Certa noite, Beau e o parceiro discutem e trocam safanões. O namorado cai sobre uma âncora e morre, sem que Beau perceba. Na manhã seguinte, quando sua mãe encontra o cadáver, ela age por instinto. Põe o corpo em seu bote e livra-se dele no lago que margeia seu quintal. Passadas algumas horas, já está às voltas com um chantagista (Goran Visnjic, do seriado E.R.). Há furos no roteiro de Até o Fim e o final é despropositadamente melodramático. Isso sem falar na margem que a história dá a acusações de homofobia. Mas Tilda faz um trabalho de primeira linha a partir de uma proposição difícil de destrinchar: a do amor incondicional de uma mãe.

   
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