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Edição 1 751 - 15 de maio de 2002
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Como é o seu chefe?

Compare os perfis e descubra como
se relacionar com cada um deles

Maurício Oliveira

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Trechos do livro O Poder da Inteligência Emocional, de Richard Boyatzis e Annie McKee

Chefes autoritários sempre foram tolerados nas empresas porque se acreditava que eles impunham maior respeito e, assim, conseguiam extrair o melhor desempenho de cada funcionário. A era da prepotência nas corporações começou a ruir, no entanto, quando os gurus de recursos humanos decretaram que os viciados em trabalho não estavam mais na moda. Hoje, o discurso é que o profissional deve dedicar-se também à família e a outros interesses, como esportes, hobbies, atividades culturais e voluntárias. Assim, ele será mais feliz e terá boa produtividade por um prazo maior – ao contrário do workaholic, que dá o sangue pela empresa durante algum tempo mas depois tem sua produção diminuída e, não raro, adoece. Nessa nova ordem corporativa, chefes turrões passaram rapidamente de heróis a vilões. "Um líder precisa criar um clima emocional que faça as pessoas desejarem dar o melhor de si, e isso não precisa ser chato nem excessivamente estressante", disse a VEJA o psicólogo americano Daniel Goleman, célebre por ter lançado em 1995 o conceito de inteligência emocional, que arrebatou uma legião de seguidores no mundo todo.

O novo livro de Goleman, O Poder da Inteligência Emocional (Editora Campus), escrito em parceria com os consultores Richard Boyatzis e Annie McKee, classifica os chefes em seis tipos básicos, ordenados com base nos benefícios e danos que podem produzir para a empresa e para os subordinados. Os autores destacam que o conteúdo do livro não se firma apenas em descobertas sobre o funcionamento do cérebro, mas na realidade das empresas. Citam pesquisas acerca do comportamento de executivos em vários países, inclusive o Brasil, e resultados obtidos por equipes submetidas aos diferentes tipos de liderança. Confira a descrição de cada perfil, encontre o tipo de seu chefe e conheça a maneira de lidar com ele.

VISIONÁRIO
Deixa claras as metas e detesta burocracia. Reconhece o esforço da equipe mesmo em tarefas rotineiras

O chefe dos sonhos, que todo mundo gostaria de ter mas raramente encontra, é o visionário, capaz de liderar com sensibilidade e eficácia. Transparente, ele explica aonde quer chegar e como. Faz cobranças de forma educada e cordial. Promove a estabilidade emocional e motiva a equipe. Dá asas a quem demonstra ser capaz de voar. Sob sua batuta, o talento e a dedicação são sempre recompensados. Você tem um desses? Guarde-o no cofre.

 

 

CONSELHEIRO
Concilia as metas individuais com as da empresa. Às vezes se confunde com um amigo do subordinado

O conselheiro delega tarefas importantes e acompanha de perto a execução, pronto para corrigir o rumo quando necessário. Está sempre aberto a conversas sobre desempenho e ajuda os comandados a identificar os próprios pontos fortes e fracos. Para extrair o que cada um tem de melhor, procura saber mais sobre ideologias, aspirações e até sobre a vida pessoal. A melhor maneira de lidar com ele é não confundi-lo com um amigo, sob o risco de estragar o bom chefe que você tem.

 

AGREGADOR
Quer congregar a equipe e distribui elogios, mas alguns acham que ele tolera a mediocridade

Aquele tipo que comenta os resultados do futebol na rodinha do corredor e organiza churrascos é o agregador. Quer, acima de tudo, que todos na equipe se respeitem e se gostem. Por isso evita ter pessoas de temperamento difícil sob seu comando. Enfrenta certa resistência, já que alguns interpretam essa atitude como tolerância à mediocridade. Às vezes assume comportamentos dúbios, como exigir transparência dos comandados e ao mesmo tempo desprezar quem faz fofocas. Parece um cara bacana, mas pode ser um perigo: em nome da equipe, é capaz de esmagar um talento individual. A saída é deixar claro o descontentamento com a situação.


DEMOCRÁTICO
Ouve opiniões da equipe antes de tomar decisões. Isso faz com que seja visto como indeciso e despreparado

O chefe democrático é aquele que gosta de ouvir a equipe antes de decidir. Há quem o considere indeciso ou até mesmo despreparado, já que a principal atribuição de um chefe é justamente tomar decisões. Apesar da aparência receptiva, esse tipo de chefe só valoriza quem produz idéias que realmente fazem diferença. Por isso o subordinado não se deve deixar seduzir pelo clima de abertura e cair na tentação de palpitar sobre tudo. Ao se relacionar com ele, evite dar muitas sugestões e capriche na pertinência de seus palpites.


AGRESSIVO
Viciado em trabalho, fixa metas excessivamente desafiadoras e quer que todos sejam como ele

O agressivo jamais se contenta com os resultados. Viciado em trabalho, quer que todos sejam como ele e não perdoa a quem faz o que considera "corpo mole". Não se preocupa com sacrifícios na vida pessoal dos comandados. Usa o esforço alheio como trampolim para se dar bem. É um bom chefe, por algum tempo, para quem quer aperfeiçoar-se ou conhecer os próprios limites. Depois, deve-se escapar dele.

 

 

DESPÓTICO
Impõe-se pela autoridade do cargo, estimula a competição e deixa os subordinados em pânico

O despótico é dado a variações de humor. Abusa da autoridade, comete injustiças e vive de cara amarrada. Parece sentir prazer em maltratar funcionários. Gosta de promover a competição entre os comandados, não com a intenção de fazê-los crescer individualmente, mas apenas pelo benefício da empresa e, é claro, dele próprio. Embora esteja condenado ao fracasso caso insista em disseminar terror, não é provável que ele mude. A saída é suportá-lo até o dia em que você puder trocar de chefe ou demiti-lo.

 
 
   
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