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O
STF abre o cofre
As finanças públicas estão
pressionadas por gastos e
queda na receita. Esse é o
risco Brasil
A Lei de Responsabilidade Fiscal, o dique de contenção que
manteve a economia brasileira livre de maiores sobressaltos nos últimos
meses, sofreu uma rachadura. Na semana passada, os ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF) revogaram um de seus dispositivos mais eficientes.
No julgamento de uma ação movida por partidos de oposição,
o STF decidiu que Estados e municípios podem voltar a se endividar
para pagar salários de funcionários públicos e cobrir
despesas com a máquina administrativa. É um retrocesso que
chegou num momento delicado das finanças públicas, atacadas
por excesso de gastos e queda nas fontes de receita. Para piorar as coisas,
o STF aceitou julgar, em data ainda não definida, outra ação
que escancara ainda mais os cofres públicos. Trata-se do artigo
da lei fiscal que obriga os Estados a estabelecer como teto de gastos
com salários o limite de 50% da arrecadação. Felizmente,
nesse caso, o STF parece propenso a não mexer na lei. "Estamos
tendo toda a cautela, pois essa lei significa um avanço em termos
de administração pública", diz Marco Aurélio
Mello, presidente do Supremo.
Segundo analistas, a volatilidade do dólar e a subida do chamado
risco Brasil na semana passada tiveram como causa tangível mais
a aritmética e menos a política. "Apesar do melhor desempenho
da economia brasileira neste ano, alguns sinais de preocupação
começam a despontar no horizonte", afirma Odair Abate, economista-chefe
do Lloyds TSB. Ele lembra que, a menos que caia a regra que determina
um prazo de noventa dias entre a aprovação e o início
da cobrança de um tributo, a CPMF será suspensa a partir
de 17 de junho mesmo que seja aprovada. Ninguém espera que o imposto
seja sancionado no Senado antes do fim do mês. Isso deixaria o governo
pelo menos dez semanas sem a arrecadação desse tributo.
O rombo seria de 4 bilhões de reais, já que a perda de receita
é de cerca de 400 milhões de reais por semana. Para compensar
parte do desfalque, o governo poderá ter de aumentar em pelo menos
300% a alíquota do IOF, imposto que incide sobre empréstimos
e financiamentos.
Há outras fragilidades assombrando o tesouro. O Brasil aparece
num perigoso segundo lugar no mundo quando se mede o déficit em
conta corrente talvez o mais valioso indicador de saúde
das finanças públicas. A conta corrente mede a diferença
entre tudo o que o país exporta (bens, serviços e remessas
de recursos) e o que ele importa. Os Estados Unidos são os campeões
nesse item, que lá chega a 5% do PIB. No Brasil, o déficit
em conta corrente bateu em 4% do PIB. Mas existe uma diferença
crucial entre a situação americana e a brasileira: a moeda.
Os Estados Unidos imprimem dólares.
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