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Edição 1 751 - 15 de maio de 2002
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Acabou a limpeza

Termina a retirada do entulho do
World Trade Center e se discute
o que fazer em seu lugar


Veja também
Fotos dos atentados de
11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center

Foram oito meses de trabalho paciente e ininterrupto, iniciado logo depois que os dois aviões seqüestrados por terroristas puseram abaixo as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Finalmente, a limpeza completa do local estará concluída neste mês. Logo após o atentado, a montanha de entulho tinha a altura de dez andares. O que se vê agora é uma cratera de 65.000 metros quadrados de área e 21 metros de profundidade. Até a semana passada, apenas 1.008 das 2.823 pessoas dadas como mortas haviam sido identificadas, graças aos 19.000 fragmentos de pele e ossos pinçados em meio ao 1,6 milhão de toneladas de entulho retiradas da cratera e examinadas minuciosamente. A prefeitura ainda vendeu 175 000 toneladas de ferro recuperadas dos escombros. Começa agora uma nova empreitada, ainda mais complexa: a reconstrução da área equivalente a cinco quarteirões, que abrigava o complexo de sete prédios, duas estações subterrâneas de metrô e outra de trem destruídas pelo atentado de 11 de setembro. Ainda não foi definido o que será erguido no local. A decisão vai além de uma simples discussão urbanística. A destruição das torres gêmeas foi a maior agressão já sofrida pelos Estados Unidos dentro de seu território, o que explica a alta temperatura emocional que cerca o assunto.

A base é um projeto apresentado pela agência criada pelo governo estadual e pela prefeitura para coordenar os trabalhos de reconstrução da área, que é próxima do coração financeiro de Nova York. O projeto prevê a divisão do terreno do World Trade Center em quatro lotes. O maior deles abrigaria um parque e um memorial aos mortos no atentado. O restante seria ocupado por prédios residenciais, torres de escritórios, lojas e uma rede subterrânea de metrô e trens. O plano não prevê novos espigões de 110 andares, como os destruídos. Ao contrário, se for aprovado, vai reabrir trechos de duas ruas que foram fechados nos anos 60 para a construção das torres. O projeto está sendo discutido com representantes de moradores, a associação de parentes das vítimas e um grupo de empresas que arrendaram o terreno do World Trade Center, de propriedade da administração do Porto de Nova York, quatro meses antes dos atentados. A decisão final vai demorar meses.

A reconstrução do ponto zero – como os americanos chamam o local do atentado – deverá consumir mais que os 21,5 bilhões de dólares liberados pelo presidente George W. Bush para o projeto. Será o maior desafio do prefeito Michael Bloomberg, que assumiu em janeiro com a difícil missão de suceder ao popularíssimo Rudolph Giuliani, combater o déficit municipal de 5 bilhões de dólares e reverter a recessão econômica causada pelo atentado. Bloomberg está surpreendendo os nova-iorquinos. Discreto e eficiente, ele atua na prefeitura como se estivesse no comando de suas empresas – delegando funções, estipulando metas e cobrando resultados. No momento, Nova York precisa mais de um bom administrador que de um líder político.

 

O que saiu dos escombros

1,6 milhão de toneladas de entulho, transportadas em 105 000 viagens de caminhão

900 carros intactos das garagens subterrâneas

Notas de dólares que encheram 60 sacos de lixo de 100 litros

A escultura A Esfera, de Fritz Koenig, de 45 000 toneladas, que estava exposta na frente das torres gêmeas

1 008 vítimas identificadas, de um total de 2 823 mortos

 

 
 
   
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