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Acabou
a limpeza
Termina
a retirada do entulho do
World Trade Center e se discute
o que fazer em seu lugar

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Foram
oito meses de trabalho paciente e ininterrupto, iniciado logo depois que
os dois aviões seqüestrados por terroristas puseram abaixo
as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Finalmente,
a limpeza completa do local estará concluída neste mês.
Logo após o atentado, a montanha de entulho tinha a altura de dez
andares. O que se vê agora é uma cratera de 65.000 metros
quadrados de área e 21 metros de profundidade. Até a semana
passada, apenas 1.008 das 2.823 pessoas dadas como mortas haviam sido
identificadas, graças aos 19.000 fragmentos de pele e ossos pinçados
em meio ao 1,6 milhão de toneladas de entulho retiradas da cratera
e examinadas minuciosamente. A prefeitura ainda vendeu 175 000 toneladas
de ferro recuperadas dos escombros. Começa agora uma nova empreitada,
ainda mais complexa: a reconstrução da área equivalente
a cinco quarteirões, que abrigava o complexo de sete prédios,
duas estações subterrâneas de metrô e outra
de trem destruídas pelo atentado de 11 de setembro. Ainda não
foi definido o que será erguido no local. A decisão vai
além de uma simples discussão urbanística. A destruição
das torres gêmeas foi a maior agressão já sofrida
pelos Estados Unidos dentro de seu território, o que explica a
alta temperatura emocional que cerca o assunto.
A base é um projeto apresentado pela agência criada pelo
governo estadual e pela prefeitura para coordenar os trabalhos de reconstrução
da área, que é próxima do coração financeiro
de Nova York. O projeto prevê a divisão do terreno do World
Trade Center em quatro lotes. O maior deles abrigaria um parque e um memorial
aos mortos no atentado. O restante seria ocupado por prédios residenciais,
torres de escritórios, lojas e uma rede subterrânea de metrô
e trens. O plano não prevê novos espigões de 110 andares,
como os destruídos. Ao contrário, se for aprovado, vai reabrir
trechos de duas ruas que foram fechados nos anos 60 para a construção
das torres. O projeto está sendo discutido com representantes de
moradores, a associação de parentes das vítimas e
um grupo de empresas que arrendaram o terreno do World Trade Center, de
propriedade da administração do Porto de Nova York, quatro
meses antes dos atentados. A decisão final vai demorar meses.
A reconstrução do ponto zero como os americanos chamam
o local do atentado deverá consumir mais que os 21,5 bilhões
de dólares liberados pelo presidente George W. Bush para o projeto.
Será o maior desafio do prefeito Michael Bloomberg, que assumiu
em janeiro com a difícil missão de suceder ao popularíssimo
Rudolph Giuliani, combater o déficit municipal de 5 bilhões
de dólares e reverter a recessão econômica causada
pelo atentado. Bloomberg está surpreendendo os nova-iorquinos.
Discreto e eficiente, ele atua na prefeitura como se estivesse no comando
de suas empresas delegando funções, estipulando metas
e cobrando resultados. No momento, Nova York precisa mais de um bom administrador
que de um líder político.
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O
que saiu dos escombros
1,6 milhão de toneladas de entulho, transportadas
em 105 000 viagens de caminhão
900 carros intactos das garagens subterrâneas
Notas de dólares que encheram 60 sacos de lixo de
100 litros
A escultura A Esfera, de Fritz Koenig, de 45 000 toneladas,
que estava exposta na frente das torres gêmeas
1 008 vítimas identificadas, de um total de 2 823
mortos
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