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O terror é
quem
dá as cartas
Com atentados
suicidas, o Hamas
desafia Arafat e mostra que tem
poder de veto em qualquer
tentativa de diálogo

José
Eduardo Barella
AFP Photo/Yariv Katz-Yedioth Aharonot
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Reuters/Gil Cohen Magen
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| Terrorista
é revistado por robô e palestinos deixam a Igreja da
Natividade após 38 dias de cerco |
O jovem alto
e bem-vestido subiu as escadas que levam ao clube de sinuca situado no
3º andar de um prédio simples em Rishon Letzion, cidade industrial
nas proximidades de Tel-Aviv. Carregava uma pasta na mão esquerda
e, ao entrar no salão, não disse uma palavra olhou
para os lados e detonou a bomba que levava na maleta. A explosão
deixou dezesseis mortos e sessenta feridos. Mais uma vez o Hamas, movimento
terrorista islâmico, deixou claro seu poder de veto em qualquer
diálogo entre israelenses e palestinos. Esse primeiro atentado
suicida depois da ofensiva militar na Cisjordânia, em abril, foi
também um lembrete de que, apesar da devastação causada
pelos tanques nas cidades e vilas palestinas, Israel permanece vulnerável
aos ataques terroristas em suas próprias cidades. O que vem aí
é o de sempre. Na sexta-feira, Israel já havia convocado
reservistas e concentrava blindados para uma operação de
retaliação na Faixa de Gaza, o principal reduto do Hamas.
O atentado
jogou no lixo semanas de articulações políticas encabeçadas
pelos Estados Unidos para reaproximar israelenses e palestinos. Com perversa
precisão, a explosão ocorreu no momento em que o primeiro-ministro
de Israel, Ariel Sharon, era recebido pelo presidente americano George
W. Bush em Washington justamente para dar início a um processo
de negociação de paz com os palestinos. Pouco adiantou o
líder palestino Yasser Arafat condenar o ataque. Não foi
levado a sério por duas razões. Primeiro porque é
o tipo de pronunciamento que ele sempre faz quando percebe que mais uma
vez foi atingido o número de vítimas que o governo de Israel
não deixa de vingar. Segundo porque Sharon tenta comportar-se,
ainda que sem sucesso, como se o líder palestino já não
tivesse importância. Em Washington, ele tentou convencer Bush de
que Arafat precisa ser substituído por uma nova liderança
palestina, menos corrupta e mais disposta ao diálogo. O presidente
aceitou a tese, pelo menos em parte. Sharon voltou às pressas para
Israel para preparar a retaliação e, ainda uma vez, membros
de seu governo pediram a deportação do líder palestino.
AP Photo/NTV Russian Channel
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| Terror
islâmico ataca na Rússia: 41 mortos, entre eles dezessete
crianças |
Doze horas
depois do atentado em Rishon Letzion, o Hamas tentou novo ataque suicida
perto de Haifa, no norte de Israel. Desta vez, a bomba explodiu antes
do tempo, ferindo apenas o terrorista que a levava amarrada ao corpo.
Ferido no meio da rua, o palestino ainda teve de enfrentar um robô
enviado pela polícia israelense para desarmar outro explosivo que
ele tinha junto ao corpo. Projetado por um coronel inglês em 1972
para combater as bombas dos terroristas do Exército Republicano
Irlandês (IRA), o robô é uma ferramenta impressionante,
que, estima-se, já salvou 400 vidas. Com o tamanho de um cortador
de grama, provido de uma câmara de vídeo e de um braço
mecânico acionado por controle remoto, o equipamento é movido
por um pequeno motor elétrico. Em Haifa, diante de numerosa platéia,
o robô arrastou o terrorista até o meio da rua e, enquanto
desativava a bomba com movimentos cirúrgicos, uma haste acima do
braço mecânico mantinha uma arma apontada para a cabeça
dele. Em outras circunstâncias, o fuzil é usado para destruir
o detonador do explosivo. Quando se defronta com um carro-bomba, o braço
mecânico é usado para sacudir o veículo, forçando
a explosão do artefato. Devido aos ferimentos causados pela detonação
da bomba, o terrorista morreu no dia seguinte.
O fracasso
do segundo ataque não impediu que o Hamas conseguisse o que queria
elevar novamente a temperatura do conflito no Oriente Médio.
O único avanço positivo da semana passada foi o fim do cerco
israelense à Igreja da Natividade, em Belém, que durou 38
dias. Esse santuário de mais de 1.500
anos foi construído no local que a tradição cristã
diz ser o de nascimento de Jesus Cristo. Pelo acordo, negociado com a
ajuda dos Estados Unidos e da União Européia, treze palestinos
procurados por Israel, que estavam no cerne do impasse, foram transferidos
para Chipre. Depois, seguiriam para o exílio em países europeus.
Uma centena de palestinos também refugiados na igreja, com a proteção
de padres e ativistas estrangeiros pró-palestinos, foi interrogada
e libertada na entrada da Faixa de Gaza.
Os atentados
do Hamas são um desafio direto à autoridade de Arafat, porque
ele já deixou claro que novas ações terroristas dentro
de Israel podem levar a uma guerra civil entre os palestinos. É
um ciclo sem fim de violência. A ofensiva israelense na Cisjordânia
arrasou com o aparato de segurança de Arafat. Sem sua polícia,
o líder palestino tem maior dificuldade para controlar os militantes
do Hamas e, provavelmente, até seus próprios homens
que também estão envolvidos em ataques dentro de Israel.
O terrorismo não é um problema exclusivo do Oriente Médio,
evidentemente. Na quinta-feira passada, uma bomba acionada por controle
remoto, provavelmente colocada por separatistas muçulmanos, matou
41 pessoas, entre elas dezessete crianças, no sul da Rússia.
A diferença é que, por mais terrível que seja, os
atentados em geral não têm o poder de engessar o futuro de
um povo. No conflito entre israelenses e palestinos, ao contrário,
os homens-bomba detêm o poder de veto em qualquer solução
negociada.
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