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Moda Criada
há mais de cinquenta anos, a bolsa Chanel de
A 2.55 jamais saiu de linha e, com Karl Lagerfeld à frente da maison, virou uma fonte inesgotável de faturamento, em materiais, acabamentos e detalhes de infindável variedade. Quando completou cinquenta anos, a bolsa foi, claro, relançada, do jeitinho original. Pendurá-la em ombros de celebridades jovens foi o passo seguinte para espanar o ar de coisa do passado. Daí nasceu a composição combinada mais contemporânea: a bolsa clássica usada com as roupas bem informais, de preferência jeans, como faz a atriz americana Sienna Miller, que usa a sua até para ir ao supermercado. A cantora Lily Allen, com uma coleção de todas as cores, também confere modernidade ao modelo. Victoria Beckham de vez em quando trai a Hermès, grife das suas queridas e caríssimas bolsas Birkin, e sai de correntinha na mão. Outra seguidora da Hermès, Carla Bruni, primeira-dama da França, apareceu em companhia de Michelle Obama com uma Chanel lilás, dotada de providencial protetor de ombros. Se a imitação é o maior elogio que se pode fazer, a bolsa de correntinha ganha todas: é difícil entrar numa loja brasileira hoje sem encontrar alguma variação do modelo, desde uma marca de topo como a Lenny e Cia (1 690 reais) até a popular C&A (de couro sintético, feita na China, por 79,90 reais). "Não quis mudar nada, para não descaracterizar. E é das bolsas que mais vendem. Neste inverno, todo mundo vai ter a sua Chanel", diz Arnaldo Silva, consultor de estilo da rede ShoeStock. Reeditar, reler e homenagear são os outros nomes do jogo. "A Chanel é um clássico, um excelente investimento. Fizemos uma releitura, que reflete a nossa cara", diz a carioca Constança Basto, que criou a bolsa de cetim colorido para a ala jovem (160 reais) e em versão mais tradicional (648 reais). A fabricação da bolsa original, com pelica finíssima costurada em matelassê, forro num tom de vinho amarronzado, fecho de metal simples (os C cruzados do lado de fora vieram mais tarde, na era dos logos berrantes) e corrente entrelaçada com uma tira de couro, tem 180 etapas, nas quais trabalham 340 pessoas, a maioria delas há décadas na linha de produção da Chanel. Não adianta querer saber como se produz o efeito acolchoado uma simples espuma nas cópias, um segredo de estado na Chanel. "E a forma como viramos a bolsa pelo avesso para fazer a costura também é segredo", informa Bruno Trippe, diretor de produção. "Naturalmente, o forro tem de ser perfeito mademoiselle Chanel exigia que o interior da bolsa fosse tão bonito quanto o exterior." Quer uma? Na Chanel de São Paulo, o modelo pequeno bate quase nos 8 000 reais. O grande, com um zíper extra, 10.000 reais. "A cada três meses faço novos pedidos, com quinze a vinte unidades de cada tamanho. Antes de entregar já tenho gente na fila", diz Cicila Street Barros, diretora da Chanel no Brasil. |
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