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Internacional Barack Obama propõe
o fim dos arsenais atômicos.
É possível um mundo livre de armas nucleares? A utopia de um planeta sem o risco da destruição atômica, há tempos ausente dos palanques, foi ressuscitada por Barack Obama no domingo passado, 5. Em discurso a uma multidão de 20 000 pessoas em Praga, na República Checa, o presidente americano disse que os Estados Unidos têm "a responsabilidade moral" de liderar uma campanha pelo fim de todas as armas nucleares. Obama admitiu que a meta de zerar o estoque pode não se concretizar em seu tempo de vida, mas prometeu organizar, no prazo de um ano, uma reunião internacional para debater meios de conter a disseminação de ogivas e mísseis. "A existência de milhares de armas nucleares é o legado mais perigoso da Guerra Fria", disse ele. Levada ao pé da letra, a proposta do presidente americano parece utópica. Horas antes de Obama tornar público seu projeto, a Coreia do Norte lançou um míssil balístico que sobrevoou o Japão e caiu no mar, a 3.200 quilômetros de distância. O recado de Kim Jong Il, ditador fora da lei, foi explícito: seu regime já tinha a bomba atômica. Agora também dispõe do vetor para jogá-la no Japão ou, dependendo de alguns aperfeiçoamentos, em território americano. O sonho de Obama sofreu outro sobressalto em seguida, quando a China e a Rússia vetaram uma condenação à Coreia do Norte no Conselho de Segurança da ONU. Na quinta-feira passada, foi a vez de o presidente Mahmoud Ahmadinejad anunciar que o Irã completou com sucesso o enriquecimento de urânio um passo decisivo em direção à montagem de armas nucleares. Uma nova fábrica iraniana de combustível nuclear poderá, quando totalmente operacionalizada, produzir plutônio suficiente para duas ogivas nucleares ao ano.
O fato é que não há mais segredo. A tecnologia atômica tem mais de sessenta anos e praticamente está ao alcance de qualquer país com dinheiro e determinação suficientes. Até o terrorista Osama bin Laden poderia comprar algum tipo de artefato nuclear. Os norte-coreanos, com a economia arruinada pelo comunismo, fazem qualquer coisa por dinheiro. Não se pode esquecer que a Coreia do Norte, o Irã e a Líbia compraram clandestinamente tecnologia nuclear de um cientista paquistanês nos anos 90. De toda forma, ao mostrar boa vontade para diminuir o próprio poderio bélico, Obama ganha créditos para pedir que outros países desistam de seus planos atômicos. "Não podemos ter um mundo sem armas nucleares enquanto terroristas tentarem obtê-las, mas é certo também que não precisamos de todas as armas que existem hoje para lidar com eles ou com certos países", disse a VEJA o americano Michael Krepon, especialista em redução de arsenal atômico do centro de estudos Henry L. Stimson, em Washington. A proposta de Obama ainda tem um campo minado pela frente.
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