Brasil
Ele prefere a favela a Milão
Em crise, Adriano
refugia-se por três dias na violenta
Vila Cruzeiro, onde nasceu. Na volta, diz que não jogará
mais na Itália e anuncia seu afastamento do futebol

Ronaldo Soares
|
Carlos Moraes/AP

|
O MILIONÁRIO
DO MORRO Adriano
ao volante de seu carro (à esq.) e em ação
na Vila Cruzeiro (à dir.): juras de amor
eterno à favela |
No mundo de altos
e baixos dos jogadores de futebol, a trajetória do
atacante Adriano, da Inter de Milão, é hiperbólica.
Boa parte de seus colegas nasceu pobre. Adriano nasceu na
Vila Cruzeiro, uma das favelas mais miseráveis e violentas
do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Muitos ascenderam
socialmente, e alguns alcançaram a consagração
internacional. Adriano ganhou na Itália o apelido de
Imperador. Aos 27 anos, tem um patrimônio estimado em
50 milhões de euros. Tem uma mansão na Barra
da Tijuca e um iate na Itália avaliado em 2 milhões
de euros. Mas diz a quem quiser ouvir que seu lugar é
a favela onde nasceu. Lá, sente-se em casa. "Ele
fica de bermuda e chinelo, sem camisa, solta pipa... enfim,
vira criança de novo", diz seu empresário,
Gilmar Rinaldi. Num vídeo que circula na internet,
Adriano faz juras de amor à favela. É para lá
que o jogador corre toda vez que vem ao Rio de Janeiro. Sua
última visita à Vila Cruzeiro, na semana passada,
acabou no noticiário policial. O jogador simplesmente
desapareceu na quinta-feira, 2 de abril, dia em que deveria
ter embarcado de volta para a Itália, e só deu
sinal de vida no domingo. Soube-se depois que Adriano havia
passado esses dias com os amigos e parentes na favela.
Marcelo
Régua/Ag. O Dia/AE
 |
| NÃO FOI ELA A
ex, Joana Machado, foi apontada como pivô do sumiço |
Ao reaparecer, não deu nenhuma explicação.
Mas, diante da repercussão do caso, e das inevitáveis
especulações sobre os motivos que o levaram
a desaparecer, convocou uma entrevista coletiva para dizer
que não usa drogas, não bebe, e que seus problemas
nada têm a ver com o fim de seu namoro com a garota-propaganda
Joana Machado. Segundo o craque, tudo aconteceu porque ele
não quer mais jogar na Inter. "Perdi a alegria
de jogar", disse ele, justificando a decisão de
"dar um tempo" no futebol. Adriano tem problemas
emocionais conhecidos. Foi revelado pelo Flamengo e, em 2001,
transferiu-se para a Itália e entrou em sua melhor
fase. Após a morte do pai, em 2004, caiu em depressão
e passou a beber. As noitadas se tornaram frequentes, e ele
próprio admitiu ter problemas com o álcool.
No ano passado, a Inter cedeu o jogador ao São Paulo,
avaliando que uma temporada no Brasil poderia ajudar. Funcionou.
Adriano submeteu-se por três meses a um acompanhamento
psicológico. Voltou a jogar bem e a ser convocado para
a seleção brasileira. Na sequência, retornou
à Itália. Parecia recuperado, mas o atual escândalo
mostra que o drama do craque está longe do fim. Como
seu contrato com a Inter só termina em 2010, ele está
abrindo mão do salário e ainda terá de
negociar uma multa pesada. "Eu poderia ter resolvido
tudo de uma maneira melhor", admite Adriano. Tomara que
este momento seja apenas mais uma descida na carreira do nosso
Imperador.