Brasil
Royalties sob suspeita
A Polícia Federal
investiga denúncias de tráfico de
influência no sistema de distribuição
de recursos
comandado pela Agência Nacional do Petróleo
M.A.
Rezende/Tyba
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| UM NACO MAIOR O
município de Angra dos Reis, que reviu sua cota no bolo
dos royalties |
A Agência
Nacional do Petróleo se viu, na semana passada, no
centro de uma constrangedora história que envolve o
sistema de pagamento de royalties, recursos a que têm
direito estados e municípios situados em áreas
de exploração petrolífera. Um inquérito
da superintendência da Polícia Federal do Rio
de Janeiro apura denúncias de desvios na definição
do valor desses royalties, que somam 11 bilhões de
reais por ano. Como os critérios de distribuição
não são muito claros, os municípios estão
em briga constante para aumentar sua fatia do bolo. Um dos
casos que motivaram a investigação teve lugar
em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A prefeitura contratou
a empresa de consultoria Petrobonus para tentar aumentar o
valor dos royalties destinados ao município. Angra
conseguiu o que queria, levando com ela nove outros municípios
que fizeram valer junto à ANP suas justificativas para
aumentar sua cota de royalties. Essa taxa de sucesso chamou
a atenção da Polícia Federal. O inquérito
sugere uma razão para isso: tráfico de influência.
A Petrobonus tem em seus quadros quatro ex-funcionários
da ANP. Entre eles está Newton Brito Simão,
que trabalhava diretamente com Victor Martins, diretor da
ANP e irmão do ministro da Comunicação
Social, Franklin Martins. E quem deu aval ao pleito e o encaminhou
à reunião da diretoria da agência? Victor
Martins, no dia 21 de maio de 2007.
Marcello
Casal Jr/ABR
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NOS GABINETES
O diretor-geral da ANP, Haroldo Lima: a agência nega que
haja manipulação |
Em relatório atribuído pela PF a policiais federais
da área de inteligência da ANP, aparece o nome
de Victor Martins, que, em flagrante conflito de interesse,
é sócio da Análise Consultoria, empresa
especializada em fazer lobby na ANP para aumento da participação
de municípios nos royalties. Martins (leia
a carta que ele enviou a VEJA)
diz-se distante da confusão porque a empresa em questão
não é administrada por ele, mas por sua mulher.
A Análise Consultoria foi responsável pelo aumento
da participação de Vila Velha no bolo dos royalties
em abril de 2005. Por três anos, dos quais em dois Martins
já era diretor da ANP, a Análise foi paga pela
prefeitura do município pelo êxito obtido com
a agência. Victor Martins beneficiou-se direta e indiretamente
do lobby da empresa dirigida por sua mulher junto à
ANP, da qual ele é diretor. A agência, dirigida
por Haroldo Lima, nega que haja manipulação.
Mas o fato é que, no campo da ética mais rudimentar,
essa situação é claramente insustentável.
A Polícia Federal e o Ministério Público
informaram, na semana passada, que vão rever as informações
contidas no relatório sobre a Análise Consultoria
e, eventualmente, incluí-las no inquérito que
apura desvios na distribuição dos royalties.
Mas esses fatos já não constavam do inquérito?
Não. A ética mais rudimentar sugere que essa
falha talvez mereça também uma investigação
especial.