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VEJA Recomenda
CINEMA
Divulgação
 | | Redford
e Jennifer: ele está perfeito, enquanto ela... |
Um
Lugar para Recomeçar (An Unfinished Life, Estados Unidos/Alemanha,
2005. Estréia nesta sexta-feira no país) Jennifer Lopez pode
tentar quanto quiser, mas ainda vai ter de comer muito arroz e feijão até
merecer o título de atriz dramática (ou atriz, ponto). Feita essa
ressalva, o filme do sueco Lasse Hallström (de Regras da Vida) proporciona
uma parceria inédita entre Morgan Freeman no seu papel habitual
de melhor amigo e conselheiro e Robert Redford, como um rancheiro amargo
e taciturno que se vê obrigado a dar abrigo à nora (Jennifer) e à
neta (a promissora Becca Gardner). Na tradição de Hallström,
muitos ressentimentos virão à tona, e todos serão resolvidos.
Nada, porém, subtrai do prazer de apreciar as atuações lapidadas
de Redford e Freeman. Veja
cenas. DVDS Sorte
no Amor (Bull Durham, Estados Unidos, 1988. Fox) As estatísticas
sugerem que, para obter uma boa atuação de Kevin Costner, é
mandatório que seu personagem seja um jogador de beisebol ou golfe que
já viu dias melhores. E, como descobridor do filão com Sorte
no Amor, o diretor Ron Shelton foi quem tirou dele a maior pepita. Costner
é "Crash" Davis, veterano da segunda divisão do beisebol que terá
ao mesmo tempo de ensinar o novato Nuke (Tim Robbins) a controlar seus impulsos
e boicotar seus avanços sobre Annie (Susan Sarandon) no papel milagrosamente
bem escrito de uma mulher que contribui para o moral do time tomando um jogador
como amante a cada temporada. É um desses pequenos clássicos em
que se tem o melhor de dois mundos o filme de esporte e a comédia
romântica , sem suas respectivas desvantagens.
20th
Century Fox
 | | La
Luna, de Bertolucci: uma tijolada |
La
Luna (Itália, 1979. Versátil) A viúva e prima-dona
Caterina (Jill Clayburgh) ensaia uma ópera em Roma, enquanto seu filho
Joe (Matthew Barry) se inicia na bissexualidade, injeta drogas e, na falta delas,
perfura o próprio braço com um garfo. Ciente do sofrimento do filho,
mamãe não o interna ela o ajuda a masturbar-se. Não
é de admirar que essa criação do italiano Bernardo Bertolucci
tenha sido vergastada à época de seu lançamento. Mas ela
comporta uma revisão: seu casamento de drama operístico com Freud
ainda é uma tijolada, mas hoje soa mais mordaz do que sensacionalista (e,
portanto, mais provável também). Em tempo: o cineasta escolheu personagens
americanos porque não conseguia imaginar uma mãe italiana fazendo
o que Caterina faz. Até para Bertolucci transgressão tem limites.
LIVROS 49
Contos, de Tennessee Williams (vários tradutores; Companhia das
Letras; 696 páginas; 46 reais) Mais conhecido por clássicos
do palco americano como Um Bonde Chamado Desejo, Tennessee Williams (1911-1983)
também era um contista consumado. Com introdução do romancista
Gore Vidal, esse livro recolhe todos os contos de Williams. Assim como as peças
teatrais, seus contos são estrelados por personagens frágeis, perdidos
mas sensuais, que de algum modo não se encaixam na sociedade americana.
"Não é preciso escrutar os olhos de muitos americanos para subitamente
deparar com o grave e belo desvario do seu olhar", escreve o autor no conto Andanças
de um Cavalheiro. A curiosidade do livro é o primeiro conto de Williams,
escrito aos 16 anos uma história que se passa no Egito antigo.
Zama,
de Antonio Di Benedetto (tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro;
Globo; 248 páginas; 39 reais) No fim do século XVIII, dom
Diego di Zama, funcionário da Coroa espanhola, trabalha em um povoado perdido
no Paraguai colonial. Ele espera ser transferido para Buenos Aires, cidade mais
civilizada, mas a ordem nunca chega. Toda a vida de Zama será definida
por essa longa espera. Ele passa dez anos nesse marasmo e, depois de cair
prisioneiro de uma tribo de índios não assimilados, continua esperando
para saber que destino terá nas mãos dos selvagens. Com essa história
de muito pouca ação, o argentino Di Benedetto (1922-1986) consegue
construir uma narrativa cheia de suspense sobre o absurdo da vida nas colônias
americanas. Publicado em 1956, esse romance é considerado a melhor obra
do autor. Leia
trecho.
INFANTIL Cristiano
Mascaro
 |  | | Vila
Sésamo: músicas inesquecíveis | |
Vila
Sésamo e Sítio do Pica-Pau Amarelo, vários
intérpretes (Som Livre) Nos últimos anos, Charles Gavin tem
se empenhado na pesquisa musical. Ele entra nos arquivos das companhias de discos,
encontra as gravações originais de clássicos da MPB e batalha
para recuperar o som original dessas obras. A mais recente empreitada de Gavin
foi relançar 25 álbuns da gravadora Som Livre. Entre vários
títulos de samba, bossa nova e funk, destacam-se as trilhas de dois infantis
exibidos pela Rede Globo nos anos 70. A primeira é a de Vila Sésamo.
Além do tema principal, escrito por Marcos Valle e Nelson Motta, o disco
traz as músicas de personagens inesquecíveis, como Gugu e Garibaldo.
O outro CD vem com as canções do Sítio do Pica-Pau Amarelo
e tem gente consagrada, como Dorival Caymmi (Tia Nastácia), Francis
Hime (Passaredo) e Gilberto Gil (a faixa-título).
DISCO Try!,
John Mayer Trio (Sony/BMG) O cantor e guitarrista americano John Mayer
lançou seu primeiro disco em 2001. Boa-pinta e baladeiro de categoria,
angariou enorme simpatia do público adolescente, em especial as meninas.
Desde então, Mayer amadureceu. Passou a escrever sobre música para
a revista americana Esquire e colaborou nos discos dos ídolos Eric
Clapton e B.B. King. Try!, gravado ao vivo, é a prova de sua evolução
musical. Escudado pelo baixista Pino Palladino e pelo baterista Steve Jordan (que
têm no currículo trabalhos ao lado do grupo The Who e de Keith Richards),
o astro de 29 anos apresenta novas composições, calcadas no blues
e no rock. Outros bons momentos ficam por conta das releituras de Wait Until
Tomorrow, de Jimi Hendrix, e I Got a Woman, de Ray Charles. |