Edição 1947 . 15 de março de 2006

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CINEMA

Divulgação
Redford e Jennifer: ele está perfeito, enquanto ela...


Um Lugar para Recomeçar
(An Unfinished Life,
Estados Unidos/Alemanha, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país) – Jennifer Lopez pode tentar quanto quiser, mas ainda vai ter de comer muito arroz e feijão até merecer o título de atriz dramática (ou atriz, ponto). Feita essa ressalva, o filme do sueco Lasse Hallström (de Regras da Vida) proporciona uma parceria inédita entre Morgan Freeman – no seu papel habitual de melhor amigo e conselheiro – e Robert Redford, como um rancheiro amargo e taciturno que se vê obrigado a dar abrigo à nora (Jennifer) e à neta (a promissora Becca Gardner). Na tradição de Hallström, muitos ressentimentos virão à tona, e todos serão resolvidos. Nada, porém, subtrai do prazer de apreciar as atuações lapidadas de Redford e Freeman. Veja cenas.

 

DVDS

Sorte no Amor (Bull Durham, Estados Unidos, 1988. Fox) – As estatísticas sugerem que, para obter uma boa atuação de Kevin Costner, é mandatório que seu personagem seja um jogador de beisebol ou golfe que já viu dias melhores. E, como descobridor do filão com Sorte no Amor, o diretor Ron Shelton foi quem tirou dele a maior pepita. Costner é "Crash" Davis, veterano da segunda divisão do beisebol que terá ao mesmo tempo de ensinar o novato Nuke (Tim Robbins) a controlar seus impulsos e boicotar seus avanços sobre Annie (Susan Sarandon) – no papel milagrosamente bem escrito de uma mulher que contribui para o moral do time tomando um jogador como amante a cada temporada. É um desses pequenos clássicos em que se tem o melhor de dois mundos – o filme de esporte e a comédia romântica –, sem suas respectivas desvantagens.

20th Century Fox
La Luna, de Bertolucci: uma tijolada


La Luna
(Itália, 1979. Versátil) – A viúva e prima-dona Caterina (Jill Clayburgh) ensaia uma ópera em Roma, enquanto seu filho Joe (Matthew Barry) se inicia na bissexualidade, injeta drogas e, na falta delas, perfura o próprio braço com um garfo. Ciente do sofrimento do filho, mamãe não o interna – ela o ajuda a masturbar-se. Não é de admirar que essa criação do italiano Bernardo Bertolucci tenha sido vergastada à época de seu lançamento. Mas ela comporta uma revisão: seu casamento de drama operístico com Freud ainda é uma tijolada, mas hoje soa mais mordaz do que sensacionalista (e, portanto, mais provável também). Em tempo: o cineasta escolheu personagens americanos porque não conseguia imaginar uma mãe italiana fazendo o que Caterina faz. Até para Bertolucci transgressão tem limites.

 

LIVROS

49 Contos, de Tennessee Williams (vários tradutores; Companhia das Letras; 696 páginas; 46 reais) – Mais conhecido por clássicos do palco americano como Um Bonde Chamado Desejo, Tennessee Williams (1911-1983) também era um contista consumado. Com introdução do romancista Gore Vidal, esse livro recolhe todos os contos de Williams. Assim como as peças teatrais, seus contos são estrelados por personagens frágeis, perdidos mas sensuais, que de algum modo não se encaixam na sociedade americana. "Não é preciso escrutar os olhos de muitos americanos para subitamente deparar com o grave e belo desvario do seu olhar", escreve o autor no conto Andanças de um Cavalheiro. A curiosidade do livro é o primeiro conto de Williams, escrito aos 16 anos – uma história que se passa no Egito antigo.

Zama, de Antonio Di Benedetto (tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro; Globo; 248 páginas; 39 reais) – No fim do século XVIII, dom Diego di Zama, funcionário da Coroa espanhola, trabalha em um povoado perdido no Paraguai colonial. Ele espera ser transferido para Buenos Aires, cidade mais civilizada, mas a ordem nunca chega. Toda a vida de Zama será definida por essa longa espera. Ele passa dez anos nesse marasmo – e, depois de cair prisioneiro de uma tribo de índios não assimilados, continua esperando para saber que destino terá nas mãos dos selvagens. Com essa história de muito pouca ação, o argentino Di Benedetto (1922-1986) consegue construir uma narrativa cheia de suspense sobre o absurdo da vida nas colônias americanas. Publicado em 1956, esse romance é considerado a melhor obra do autor. Leia trecho.

 

INFANTIL

 

Cristiano Mascaro
Vila Sésamo: músicas inesquecíveis  

Vila Sésamo e Sítio do Pica-Pau Amarelo, vários intérpretes (Som Livre) – Nos últimos anos, Charles Gavin tem se empenhado na pesquisa musical. Ele entra nos arquivos das companhias de discos, encontra as gravações originais de clássicos da MPB e batalha para recuperar o som original dessas obras. A mais recente empreitada de Gavin foi relançar 25 álbuns da gravadora Som Livre. Entre vários títulos de samba, bossa nova e funk, destacam-se as trilhas de dois infantis exibidos pela Rede Globo nos anos 70. A primeira é a de Vila Sésamo. Além do tema principal, escrito por Marcos Valle e Nelson Motta, o disco traz as músicas de personagens inesquecíveis, como Gugu e Garibaldo. O outro CD vem com as canções do Sítio do Pica-Pau Amarelo e tem gente consagrada, como Dorival Caymmi (Tia Nastácia), Francis Hime (Passaredo) e Gilberto Gil (a faixa-título).

 

DISCO

Try!, John Mayer Trio (Sony/BMG) – O cantor e guitarrista americano John Mayer lançou seu primeiro disco em 2001. Boa-pinta e baladeiro de categoria, angariou enorme simpatia do público adolescente, em especial as meninas. Desde então, Mayer amadureceu. Passou a escrever sobre música para a revista americana Esquire e colaborou nos discos dos ídolos Eric Clapton e B.B. King. Try!, gravado ao vivo, é a prova de sua evolução musical. Escudado pelo baixista Pino Palladino e pelo baterista Steve Jordan (que têm no currículo trabalhos ao lado do grupo The Who e de Keith Richards), o astro de 29 anos apresenta novas composições, calcadas no blues e no rock. Outros bons momentos ficam por conta das releituras de Wait Until Tomorrow, de Jimi Hendrix, e I Got a Woman, de Ray Charles.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Fnac, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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