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Cinema
Quixotes portenhos
Em Clube da Lua, a tentativa
de salvar a velha Argentina

Isabela Boscov
Divulgação
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| Darín, como o taxista Román: pouco a ganhar,
muito a perder |
Os poucos sócios remanescentes do Luna, um velho clube social
e desportivo da periferia de Buenos Aires, ainda se lembram da glória
dos anos 60, quando seus milhares de sócios brigavam por
espaço em seus animadíssimos bailes. Se o Luna existe
no presente, é porque suas paredes ainda não ruíram
de todo e porque idealistas como o motorista de táxi Román
(Ricardo Darín, sempre ótimo) acham que as crianças
da área precisam de algum sentido de comunidade e de um lugar
para bater bola. O que fazer, então: vender o Luna para que
ele seja transformado em cassino, mediante a promessa de empregos,
ou lutar para que ele subsista? O que esses dedicados, mas cansados,
dom-quixotes descobrirão é que, em qualquer um dos
casos, há muito a perder. Clube da Lua (Luna
de Avellaneda, Argentina/Espanha, 2004), desde sexta-feira em
cartaz no país, é, assim, mais uma das metáforas
um bocado transparentes que o cinema argentino tem produzido sobre
a crise que, no início da década, roubou ao país
a identidade e colocou-o diante do temor de que não houvesse
lugar para ele na nova ordem mundial. Com sua boa mão, porém,
o diretor Juan José Campanella, do sucesso O Filho da
Noiva, exprime algo mais: a idéia de que a conjunção
econômica não existe num plano e as pessoas, em outro.
Em momentos críticos, elas são uma coisa só
e a mesma coisa. Afetuoso e sereno, Campanella não é
dado a bater panelas em protesto. Mas, com seus filmes tão
pequenos e tão bem amarrados, faz ainda mais barulho.
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