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Ambiente Primeiro,
a floresta. Depois, a faixa Fazendeiro que destruiu
1 000 hectares de mata amazônica usa sua picape para atropelar protesto
de ambientalistas Daniel
Beltra/Reuters
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A
audácia e a criatividade nas manifestações
em defesa do meio ambiente são características do
Greenpeace. Na semana passada, um grupo de cinqüenta ativistas
da organização viajou cinco horas por estradas de
terra para estender sobre uma área de floresta recém-desmatada
uma faixa de dimensões inusitadas: quadrada, com 50 metros
de lado, ocupava uma extensão de 2.500 metros quadrados.
Com os dizeres "100% crime", imitava o selo normalmente colado sobre
caixas usadas para exportação. Tratou-se de um duplo
protesto. O primeiro, contra o desmatamento propriamente dito. No
início de janeiro, imagens de satélite revelaram uma
área de 1 000 hectares, ou mais de sessenta estádios
de futebol, recém-aberta na Floresta Amazônica a 120
quilômetros da cidade de Santarém, no Pará.
O segundo foi contra o plantio de soja, que o Greenpeace considera
inadequado à região amazônica. "Não achamos
certo acabar com a Amazônia para produzir comida de vaca",
diz Paulo Adário, coordenador do Greenpeace na Amazônia.
Técnicos
do Ibama foram ao local desmatado e constataram outro crime ambiental: a destruição
de mais de 1.000 castanheiras, árvores que chegam a atingir 60 metros de
altura e cujo corte é proibido. O Ibama responsabilizou pelo desmatamento
o presidente da Associação dos Produtores Agrícolas de Santarém,
José Donizetti de Oliveira, e o multou em 1,5 milhão de reais. No
ano passado, ele já tinha sido autuado pelo desmatamento sem autorização
de 650 hectares para o cultivo de grãos na mesma região. Irritado
com a manifestação do Greenpeace, Oliveira avançou com sua
picape contra a faixa, até deixá-la em frangalhos. A foto aérea
desse momento de fúria, publicada ao lado, foi feita pelo fotógrafo
do Greenpeace. "O mais espantoso é que a área desmatada não
é propriedade de Donizetti, mas da União", diz Pedro Aquino, superintendente
regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra). O Incra trabalha num projeto de transformação da área
rica em castanheira numa reserva extrativista. Precisará se apressar, pois
corre o risco de não sobrar floresta alguma em Santarém. |