Edição 1947 . 15 de março de 2006

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História
O mistério do Graf Spee

Destroços do encouraçado de Hitler são
retirados do fundo do Rio da Prata

NESTA REPORTAGEM
Quadro: Anatomia de um encouraçado

Uma operação de resgate marítimo financiada por um empresário uruguaio está começando a retirar do fundo do Rio da Prata uma lenda da II Guerra, o encouraçado Admiral Graf Spee, afundado por sua própria tripulação em dezembro de 1939. Os destroços estão a 8 metros de profundidade, nas proximidades de Montevidéu. Jóia da indústria naval do III Reich, o Graf Spee era o menor, o mais leve e o mais rápido cruzador de sua época. Seu poder de fogo era o maior de sua categoria. Sob o comando de uma figura enigmática, o capitão Hans Langsdorff, herói da Marinha alemã na I Guerra, o navio deixou a Alemanha dias antes do início da II Guerra. Sua missão era afundar cargueiros ingleses e atrair a Marinha inglesa para o Atlântico Sul. Nos quatro meses seguintes, Langsdorff pôs a pique nove navios, um deles na costa brasileira. Em 13 de dezembro, foi avistado por uma esquadra de três navios ingleses próximo à entrada do Rio da Prata. Na batalha que se seguiu, o Graf Spee danificou uma das embarcações inimigas e escapou para o Rio da Prata.

Com estragos consideráveis e 36 mortos a bordo, o capitão conseguiu autorização do governo uruguaio para ficar 72 horas no Porto de Montevidéu, tempo insuficiente para efetuar os reparos. Langsdorff viu-se diante de um dilema. Suas ordens, recebidas diretamente de Adolf Hitler, eram para voltar a alto-mar e lutar até a morte. O capitão acreditava que uma força superior estava a sua espera (na verdade, a esquadra inglesa só recebera o reforço de um cruzador). Sua decisão foi afundar ele próprio o Graf Spee. A tripulação pediu asilo no Uruguai e na Argentina, e muitos só voltaram para a Alemanha após o fim da guerra. Atormentado pelos acontecimentos, Langsdorff matou-se com um tiro na cabeça, três dias depois, em Buenos Aires.

 
 
 
 
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