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Copa
Preço de pop star
Exibição da seleção
brasileira
tem preço: 1,5 milhão de dólares

André Fontenelle
Montagem sobre fotos de Robson Fernandes/AE,
Terry O'Neill/Getty Images
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| A cabeça de Ronaldo no corpo de Elton
John: jogadores têm tratamento de astros do rock |
Organizar um jogo da seleção
brasileira é tão caro quanto realizar um concerto
de uma estrela do rock. Para apresentar-se por noventa minutos no
último dia 1º, sob o frio moscovita de 10 graus negativos,
o time do Brasil que estará na Copa da Alemanha cobrou 1,5
milhão de dólares (3,3 milhões de reais), segundo
a federação russa de futebol. Para cantarem por duas
horas na Praia de Copacabana, os Rolling Stones receberam, especula-se,
2 milhões de dólares. Cada um dos dois shows do U2
em São Paulo também teve preço semelhante.
Os valores do futebol têm ainda uma vantagem. "Uma seleção
não carrega 400 toneladas de equipamento, como o U2, e se
apresenta em palcos que já estão prontos", compara
o empresário Alexandre Accioly, que trouxe o conjunto irlandês
ao Brasil. Há outras semelhanças, porém, como
o tratamento de pop star que os jogadores recebem. Sempre ficam
hospedados em hotéis de primeira categoria e sofrem constante
assédio de tietes.
A Ásia é o eldorado
do comércio do futebol. No ano passado, o Manchester United,
da Inglaterra, recebeu 5 milhões de dólares por quatro
jogos no continente. O Real Madrid, da Espanha, excursiona todo
ano por lá, como parte de um contrato de 50 milhões
de dólares com duração de quatro anos. O mercado
asiático tem 2 bilhões de fãs potenciais do
esporte cada vez mais endinheirados. O Manchester conta com 23 milhões
de torcedores na China mais que o dobro do que tem na Inglaterra.
A Confederação Brasileira de Futebol também
olha para a Ásia, mas esbarra em um problema. Os clubes europeus,
nos quais jogam os titulares do Brasil, não gostam de ver
seus craques embarcar em longas viagens sem ganhar nada em troca.
Obtiveram da Fifa a dispensa de ceder craques para jogos amistosos
a mais de seis horas de avião da Europa. Isso cria dificuldades
para a CBF levar seu melhor time à Ásia e disputar
esse mercado com o Manchester e o Real Madrid.
Goh Chai Hin/AFP
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| Cartaz promove o Real Madrid na Ásia:
um mercado bilionário |
O preço de um jogo da seleção varia conforme
o freguês. A CBF não divulga números, mas geralmente
a federação anfitriã revela quanto pagou. Sabe-se,
por exemplo, que o jogo na região espanhola da Catalunha,
contra um combinado local, em 2004, rendeu 1,4 milhão de
dólares. Um ano antes, a seleção se apresentou
na Nigéria por 250.000 dólares. Quem se dispõe
a pagar geralmente recupera o investimento com venda de ingressos,
patrocínio e transmissão de TV. Os catalães,
por exemplo, arrecadaram quase o dobro do que gastaram para contratar
o Brasil. Uma vez por ano, a cota do jogo vai para a AmBev, uma
das patrocinadoras da seleção. Foi o caso do jogo
do dia 1º em Moscou. A CBF garante que isso não é
uma interferência indevida na programação da
seleção os amistosos que a empresa negocia
são submetidos à aprovação do técnico
Carlos Alberto Parreira. A AmBev afirma que recebeu apenas 500 000
reais pela partida, e não o 1,5 milhão de dólares
divulgado pelos russos. Atribui a discrepância a outros custos
embutidos na organização do jogo.
Desde o pentacampeonato, a seleção
valorizou-se muito. Em 1989, Ricardo Teixeira levou o time para
jogar com a equipe do Milan, da Itália, por 150.000 dólares.
Era uma época de vacas magras porque desde 1970 a equipe
não vencia uma Copa. Hoje a entidade nada em dinheiro, com
100 milhões de reais de receita anual, e pode ser mais seletiva.
Deu-se até ao luxo, no ano passado, de recusar uma proposta
de 2,5 milhões de dólares para enfrentar o Chelsea,
da Inglaterra, time do bilionário russo Roman Abramovich.
É sempre uma temeridade expor os pentacampeões a uma
eventual derrota contra um clube, um risco mais do que mediano quando
o adversário é o time mais caro do mundo.
Estrelas do espetáculo,
os jogadores também faturam alto com as turnês, mas
não diretamente. Pelas partidas, recebem bolsas em torno
de 6.000 dólares por cabeça, entre diárias,
"bicho" por vitórias e outros prêmios previstos em
contrato. O lucro real advém de vestir a camisa da seleção,
valorizando o atleta em negociações futuras, e dos
contratos de publicidade, que também aumentam conforme a
exposição do jogador. No passado, a situação
era bem diferente. Os times brasileiros eram obrigados a viajar
pelo mundo para conseguir pagar o salário dos craques. Foi
assim com o Santos de Pelé, na década de 60. Na época,
o clube recebia 150.000 dólares (em valores atualizados)
por uma exibição no exterior. Sem Pelé, o cachê
era reduzido em um terço. O próprio Pelé ficava
com 10.000 dólares dessa cota, também em valores de
hoje.
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