Edição 1947 . 15 de março de 2006

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Economia e Negócios
O clube do bilhão engorda

Valorização do real e euforia na Bolsa
fazem o Brasil ganhar oito novos
bilionários na lista da revista Forbes


Chrystiane Silva

 

Bia Parreiras
Meu primeiro bilhão: favorecidos pela alta no preço das ações, Constantino Júnior, 37 anos, e seus três irmãos, donos da Gol, viram sua fortuna subir para 4,4 bilhões de dólares


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Os 5 homens mais ricos do mundo

O Brasil nunca teve tantos bilionários. Na mais nova edição da lista dos mais ricos do planeta, elaborada anualmente pela revista americana Forbes, dezesseis brasileiros aparecem no clube do bilhão. O país incluiu oito novos membros no ranking, ultrapassando o México como o país latino-americano com o maior número de magnatas. Ao todo, são 793 os felizardos em todo o mundo com saldo bancário acima de 1 bilhão de dólares, um número recorde. O Brasil não é a única economia que criou bilionários. Outros países emergentes e do Oriente Médio também fizeram a lista engordar, favorecidos pelos elevados preços de produtos como o petróleo. Os bilionários da Turquia subiram de treze para 21. Os da Índia não só saltaram de treze para 23 como também impressionam pelo volume de riqueza. Juntos, os bilionários indianos têm 99 bilhões de dólares, bem mais que os 67 bilhões de dólares dos 27 japoneses bilionários. A fortuna total dos bilionários brasileiros é de "apenas" 33,5 bilhões de dólares. O Brasil já tem mais integrantes na lista que a França (catorze), a Arábia Saudita (onze) e o México (dez).

Entre os brasileiros novatos da lista, quase todos são donos de empresas que abriram o capital recentemente e começaram a vender ações na Bolsa. É o caso da família Constantino, que controla a Gol Linhas Aéreas. O valor dos papéis da Gol triplicou desde junho de 2004. Os quatro irmãos, Constantino de Oliveira Júnior, Ricardo Constantino, Joaquim Constantino Neto e Henrique Constantino, detêm, cada um, uma fortuna avaliada em 1,1 bilhão de dólares.

Outra novidade foi a inclusão dos acionistas da Natura, Guilherme Peirão Leal e Antonio Luiz Seabra, ambos com 1,4 bilhão de dólares. A Natura teve a mesma trajetória da Gol no mercado acionário. Lançou papéis de sua companhia e os preços dispararam. Com 1,3 bilhão, Elie Horn, da construtora Cyrela, também viu sua fortuna multiplicar depois que os papéis de sua empresa começaram a ser negociados na Bolsa. Completa o grupo de brasileiros novatos no ranking Dorothéa Steinbruch, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cujos negócios foram favorecidos pelo elevado preço do aço. Na lista divulgada pela Forbes, a liderança entre os brasileiros segue com os irmãos Joseph e Moise Safra, donos do Banco Safra e de uma fortuna de 7,4 bilhões de dólares. Os brasileiros, de maneira geral, foram favorecidos pela queda do dólar, ou seja, pela valorização do real na comparação com a moeda americana, o que valorizou seu patrimônio.

O homem com a maior fortuna da América Latina é o mexicano Carlos Slim, o terceiro mais rico do planeta, com 30 bilhões de dólares. Slim tem um império empresarial que atua em vários setores, sobretudo no de telecomunicações – no Brasil, detém o controle da Embratel e da Claro. O topo da lista permanece há doze anos com Bill Gates, 50 anos, da Microsoft. "O último ano foi extraordinário. Na economia mundial ocorreram coisas muito positivas", disse o diretor da revista, Steve Forbes. Juntos, os 793 membros do ranking acumulam uma fortuna de 2,6 trilhões de dólares, 18% a mais do que no ano passado. Essa montanha de dinheiro equivale ao triplo do PIB brasileiro – a soma de tudo o que o país produz em um ano. Existem apenas 78 mulheres na lista, dez a mais que no ano passado. Segundo a Forbes, 452 pessoas construíram sua fortuna do nada. Uma delas foi a escritora J.K. Rowling, autora da saga Harry Potter, ex-dona-de-casa e secretária. Agora tem 1 bilhão de dólares, a primeira pessoa a ser bilionária escrevendo livros. Mas a liderança entre as mulheres é da francesa Liliane Bettencourt, de 83 anos, a principal acionista da L'Oréal (16 bilhões de dólares no banco). Um dos casos mais curiosos é o do canadense Calvin Ayre, que ganhou 1 bilhão de dólares promovendo apostas ilegais pela internet. Hoje ele desfruta sua fortuna na Costa Rica, sem poder entrar nos Estados Unidos, onde seria preso.

Em quase todo o mundo, as bolsas de valores contribuíram para o surgimento de novos bilionários. A Bolsa da Índia subiu 54% e criou dez novos ricaços, mais do que qualquer outro país, excluindo os Estados Unidos. Na Rússia, o mercado de ações subiu 108%, e surgiram outros sete bilionários. A China também ganhou espaço. O país tem oito bilionários, quatro vezes o número do ano passado. Os Estados Unidos incluíram 44 novos bilionários no ranking – 371 são do país. Nova York é a cidade com mais magnatas por metro quadrado. Alguns países, como a República Checa, entram pela primeira vez na lista. Outros voltaram a ela, a exemplo do Líbano de Hind Hariri, filha do ex-primeiro-ministro do país Rafik Hariri, assassinado no ano passado. A herdeira é a mais jovem da lista, com 22 anos. A depender dos números da Forbes, parece que o planeta tem ficado cada vez mais rico, com a fortuna se disseminando para países que até há pouco tempo se mantinham isolados da economia mundial. Vinte anos atrás, quando a revista fez sua primeira lista, havia apenas 140 bilionários.

 

 

Fotos Raul Junior, Germano Luders, Pedro Rubens, Rafael Jacinto/Valor/Folha Imagem, Jeff Chili/AP
 
 
 
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