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Economia e
Negócios O clube do bilhão engorda
Valorização do real e euforia na Bolsa fazem o Brasil ganhar
oito novos bilionários na lista da revista Forbes
 Chrystiane
Silva Bia
Parreiras
 | | Meu
primeiro bilhão: favorecidos pela alta no preço das ações, Constantino Júnior,
37 anos, e seus três irmãos, donos da Gol, viram sua fortuna subir para 4,4 bilhões
de dólares |
O Brasil nunca teve tantos bilionários.
Na mais nova edição da lista dos mais ricos do planeta, elaborada
anualmente pela revista americana Forbes, dezesseis brasileiros aparecem
no clube do bilhão. O país incluiu oito novos membros no ranking,
ultrapassando o México como o país latino-americano com o maior
número de magnatas. Ao todo, são 793 os felizardos em todo o mundo
com saldo bancário acima de 1 bilhão de dólares, um número
recorde. O Brasil não é a única economia que criou bilionários.
Outros países emergentes e do Oriente Médio também fizeram
a lista engordar, favorecidos pelos elevados preços de produtos como o
petróleo. Os bilionários da Turquia subiram de treze para 21. Os
da Índia não só saltaram de treze para 23 como também
impressionam pelo volume de riqueza. Juntos, os bilionários indianos têm
99 bilhões de dólares, bem mais que os 67 bilhões de dólares
dos 27 japoneses bilionários. A fortuna total dos bilionários brasileiros
é de "apenas" 33,5 bilhões de dólares. O Brasil já
tem mais integrantes na lista que a França (catorze), a Arábia Saudita
(onze) e o México (dez). Entre
os brasileiros novatos da lista, quase todos são donos de empresas que
abriram o capital recentemente e começaram a vender ações
na Bolsa. É o caso da família Constantino, que controla a Gol Linhas
Aéreas. O valor dos papéis da Gol triplicou desde junho de 2004.
Os quatro irmãos, Constantino de Oliveira Júnior, Ricardo Constantino,
Joaquim Constantino Neto e Henrique Constantino, detêm, cada um, uma fortuna
avaliada em 1,1 bilhão de dólares.
Outra novidade foi a inclusão dos acionistas da Natura, Guilherme Peirão
Leal e Antonio Luiz Seabra, ambos com 1,4 bilhão de dólares. A Natura
teve a mesma trajetória da Gol no mercado acionário. Lançou
papéis de sua companhia e os preços dispararam. Com 1,3 bilhão,
Elie Horn, da construtora Cyrela, também viu sua fortuna multiplicar depois
que os papéis de sua empresa começaram a ser negociados na Bolsa.
Completa o grupo de brasileiros novatos no ranking Dorothéa Steinbruch,
da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cujos negócios foram favorecidos
pelo elevado preço do aço. Na lista divulgada pela Forbes,
a liderança entre os brasileiros segue com os irmãos Joseph e Moise
Safra, donos do Banco Safra e de uma fortuna de 7,4 bilhões de dólares.
Os brasileiros, de maneira geral, foram favorecidos pela queda do dólar,
ou seja, pela valorização do real na comparação com
a moeda americana, o que valorizou seu patrimônio.
O homem com a maior fortuna da América Latina é o mexicano Carlos
Slim, o terceiro mais rico do planeta, com 30 bilhões de dólares.
Slim tem um império empresarial que atua em vários setores, sobretudo
no de telecomunicações no Brasil, detém o controle
da Embratel e da Claro. O topo da lista permanece há doze anos com Bill
Gates, 50 anos, da Microsoft. "O último ano foi extraordinário.
Na economia mundial ocorreram coisas muito positivas", disse o diretor da revista,
Steve Forbes. Juntos, os 793 membros do ranking acumulam uma fortuna de 2,6 trilhões
de dólares, 18% a mais do que no ano passado. Essa montanha de dinheiro
equivale ao triplo do PIB brasileiro a soma de tudo o que o país
produz em um ano. Existem apenas 78 mulheres na lista, dez a mais que no ano passado.
Segundo a Forbes, 452 pessoas construíram sua fortuna do nada. Uma
delas foi a escritora J.K. Rowling, autora da saga Harry Potter, ex-dona-de-casa
e secretária. Agora tem 1 bilhão de dólares, a primeira pessoa
a ser bilionária escrevendo livros. Mas a liderança entre as mulheres
é da francesa Liliane Bettencourt, de 83 anos, a principal acionista da
L'Oréal (16 bilhões de dólares no banco). Um dos casos mais
curiosos é o do canadense Calvin Ayre, que ganhou 1 bilhão de dólares
promovendo apostas ilegais pela internet. Hoje ele desfruta sua fortuna na Costa
Rica, sem poder entrar nos Estados Unidos, onde seria preso.
Em quase todo o mundo, as bolsas de valores contribuíram para o surgimento
de novos bilionários. A Bolsa da Índia subiu 54% e criou dez novos
ricaços, mais do que qualquer outro país, excluindo os Estados Unidos.
Na Rússia, o mercado de ações subiu 108%, e surgiram outros
sete bilionários. A China também ganhou espaço. O país
tem oito bilionários, quatro vezes o número do ano passado. Os Estados
Unidos incluíram 44 novos bilionários no ranking 371 são
do país. Nova York é a cidade com mais magnatas por metro quadrado.
Alguns países, como a República Checa, entram pela primeira vez
na lista. Outros voltaram a ela, a exemplo do Líbano de Hind Hariri,
filha do ex-primeiro-ministro do país Rafik Hariri, assassinado no ano
passado. A herdeira é a mais jovem da lista, com 22 anos. A depender dos
números da Forbes, parece que o planeta tem ficado cada vez mais
rico, com a fortuna se disseminando para países que até há
pouco tempo se mantinham isolados da economia mundial. Vinte anos atrás,
quando a revista fez sua primeira lista, havia apenas 140 bilionários.
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