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Brasil
Cortina de fumaça
Dirceu usa o surgimento de outro
Bob Marques para confundir a platéia
Ernesto Rodrigues/AE
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| Dirceu, seguido pelo seu Bob Marques: nova
empulhação |
O jornal Correio Braziliense
publicou na semana passada uma história envolvendo um motorista
chamado Roberto Jefferson Marques, que afirmava numa gravação
ter sacado 50.000 reais de uma agência do Banco Rural, em
Brasília, a pedido do senador Romero Jucá (PMDB-RR),
para quem trabalha há mais de dez anos. Como Jucá
até então não tinha aparecido na lista de beneficiários
do valerioduto, tudo levava a crer que se tratava de mais um caso
de parlamentar atolado no esquema, num momento em que aumentavam
as suspeitas sobre o envolvimento de outros políticos com
o mensalão. Na fita, o motorista afirmou ter ido ao banco
em junho de 2004 e, depois de dizer seu nome a um funcionário,
retirado um pacote amarelo contendo dinheiro. Disse ainda ter assinado
um recibo, sem precisar colocar o número de sua identidade.
O nome do assessor de Jucá
é muito parecido com o do assessor do deputado cassado por
corrupção José Dirceu. Essa coincidência
ofereceu oportunidade para que se tentasse mais uma vez jogar uma
cortina de fumaça sobre um feio episódio que os envolve.
Bob Marques, o de Dirceu, disse que o surgimento do Roberto Marques
de Jucá seria prova suficiente para processar VEJA por tê-lo
incluído no esquema de repasse de dinheiro do publicitário
Marcos Valério. Há mais de sete meses, quando VEJA
revelou que o nome de Bob Marques constava da lista de autorizados
para sacar o dinheiro do mensalão, o assessor de Dirceu já
havia dito que tomaria as "medidas judiciais cabíveis". Não
o fez. Dirceu anunciou, por seu turno, que no recurso de sua cassação,
que prepara para ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF), abordaria
a questão do homônimo, uma vez que o caso Bob Marques
constou do relatório do Conselho de Ética que pediu
a cassação de seu mandato.
Celso Junior/AE
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| O senador Romero Jucá: apenas um homônimo,
nada mais que isso |
Com ou sem um Roberto Marques
de Roraima, os fatos que interessam são os seguintes:
Em 15 de junho de 2004, Geiza Dias, funcionária do departamento
financeiro da SMPB, agência de Marcos Valério, autorizou
Roberto Marques a sacar o cheque número 414.270, de 50.000
reais, na agência do Banco Rural na Avenida Paulista, em São
Paulo. Portanto, a mais de 1.000 quilômetros do local onde
o motorista de Jucá disse ter retirado o dinheiro.
O que aguardava Bob Marques na agência do Rural em São
Paulo era um cheque, e não um pacote amarelo com dinheiro.
O cheque nunca chegou a ser retirado por Bob Marques, pois, no dia
seguinte à autorização de saque, seu nome foi
curiosamente substituído pelo de Luiz C. Mazano, funcionário
da corretora Bonus-Banval, investigada pela CPI por suspeita de
ter atuado na distribuição do mensalão. Quem
retirou, portanto, o cheque 414 270 na agência do Banco Rural,
em São Paulo, foi um funcionário de uma corretora
paulista, que nada tem a ver com o motorista de um senador de Roraima.
Por fim, o próprio Marcos Valério admitiu em depoimento
que a troca dos nomes ocorreu, como sempre acontecia, a pedido de
Delúbio Soares, que não queria correr o risco, assim
como Dirceu, de ver o assessor do ex-ministro e deputado cassado
por corrupção ser pego com a mão na massa.
Com esse episódio, Dirceu
mais uma vez falhou na tentativa de reinventar sua própria
história. O Bob Marques descoberto por VEJA é mesmo
o Bob Marques do ex-deputado.
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