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Brasil Palocci
de novo na mira Novos depoimentos contradizem versões
do ministro e obrigam-no a voltar a dar mais explicações
Divulgação
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motorista Francisco Costa disse à CPI que levou Palocci à casa em que os ex-assessores
se reuniam para fazer negócios escusos |
O ministro Antonio Palocci anunciou em Londres que não pretende coordenar
a campanha reeleitoral do presidente Lula. Não que lhe falte disposição
ou talento para a tarefa. O problema de Palocci é de outra ordem. Desde
que começaram a eclodir personagens e histórias comprometedores
ligados ao seu passado de ex-prefeito de Ribeirão Preto cargo que
ocupava antes de ser indicado a ministro da Fazenda , a imagem de Palocci
vem sofrendo. Na semana passada, a CPI dos Bingos ouviu três depoimentos
que complicam ainda mais o ministro. No mais contundente deles, o motorista Francisco
das Chagas Costa contou aos parlamentares que Palocci freqüentava a casa
que seus ex-auxiliares de Ribeirão alugaram em Brasília no início
do governo (veja a reportagem seguinte).
Nela, sabe-se hoje, os amigos do ministro planejavam e executavam ações
para tentar beneficiar empresários usando como trunfo a amizade com o ex-prefeito.
Palocci prestou depoimento à CPI em janeiro e negou veementemente que tivesse
freqüentado a casa. O motorista, porém, garantiu que o ministro esteve
lá duas ou três vezes, era chamado pelos convivas de "chefão"
e suas visitas aconteceram sempre de dia, no horário de expediente.
Além do depoimento do motorista, a CPI ouviu a ex-chefe de obras da prefeitura
de Ribeirão Marilene do Nascimento Falsarella e o delegado regional da
cidade, Benedito Antônio Valencise. Ambos foram convocados para esclarecer
acusações pesadas contra Antonio Palocci nos seus tempos de prefeitura.
O delegado contou aos parlamentares que a polícia já recolheu indícios
suficientes para acusar Palocci por formação de quadrilha, falsidade
ideológica e peculato. Ele demonstrou não ter dúvidas de
que existia um esquema de corrupção montado para arrecadar dinheiro
de empresas prestadoras de serviço. Marilene Falsarella, por sua vez, confirmou
que adulterava as planilhas de medição para permitir o superfaturamento
dos serviços. Parte do dinheiro pago a mais para as empresas retornava
como doação eleitoral. Em depoimento, Rogério Buratti, ex-secretário
de Governo da prefeitura de Ribeirão, contou à polícia que
a empresa responsável pela varrição da cidade pagava uma
mesada de 50.000 reais por mês a Palocci e seus assessores. Parte do dinheiro
era transferida para o caixa do PT e outra abastecia as próprias campanhas
de Palocci.
Dida
Sampaio/AE
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delegado Benedito: corrupção investigada |
As declarações do motorista, se confirmadas, colocam o ministro
da Fazenda em uma situação ainda mais delicada. Francisco das Chagas
foi contratado pelo economista Vladimir Poleto, ex-assessor de Palocci em Ribeirão,
no início de 2003. O ministro garantiu que não conhece Poleto, mas
não será de estranhar se amanhã ele se lembrar do ex-assessor.
Palocci já foi obrigado a reformar suas versões para episódios
nebulosos ao menos duas vezes. Em março de 2004, funcionários da
multinacional GTech denunciaram uma suposta tentativa de extorsão contra
a empresa que teria partido do advogado Rogério Buratti. Logo após
a denúncia, para tentar manter distância do escândalo, o ministro
disse que não falava com Buratti havia anos. Depois, lembrou que poderia
ter se encontrado casualmente com o ex-assessor. Por último, admitiu que
houve encontros em eventos familiares. Buratti freqüentava não só
o Ministério da Fazenda como a residência oficial de Palocci em Brasília.
Segundo o advogado, o último encontro entre os dois aconteceu em um hotel
de São Paulo, onde tomaram café e conversaram sobre o caso Gtech.
Agora, com base no depoimento do motorista Chagas à CPI, sabe-se que eles
também se encontraram na mansão alugada em Brasília.
O motorista Chagas revelou aos parlamentares ter levado ao Ministério da
Fazenda os empresários angolanos José Paulo Teixeira Figueiredo
e Artur José Valente Caio, fabricantes de máquinas de bingo. Em
depoimento prestado à polícia, Rogério Buratti contou que,
ainda na campanha, Palocci se reuniu com esses mesmos angolanos na casa do empresário
Roberto Carlos Kurzweil, em São Paulo. Na ocasião, o então
coordenador da campanha de Lula garantiu que, em caso de vitória, o PT
regulamentaria o funcionamento das casas de bingo. Em troca, os empresários
teriam doado 1 milhão de reais à campanha de Lula. Os recursos não
foram contabilizados. Palocci disse que nunca viu os bingueiros africanos nem
participou de encontro algum na casa de Kurzweil. Kurzweil é dono da locadora
do carro blindado que pegou no aeroporto as caixas com os dólares de Cuba.
Logo no início do governo Lula, uma comissão foi criada para estudar
a legalização dos bingos. Os estudos eram desenvolvidos por um grupo
de técnicos da Caixa Econômica Federal, órgão subordinado
ao Ministério da Fazenda, que tinha entre seus conselheiros o ex-secretário
de Fazenda da prefeitura de Ribeirão Ralf Barquete, já falecido.
As declarações do motorista foram tão contundentes que o
relator da comissão, senador Garibaldi Alves Filho, anunciou que pretende
incluir o nome do ministro no relatório final da CPI. Como se vê,
além de amigos, os personagens dos escândalos que minaram a biografia
do ministro Palocci Rogério Buratti, Vladimir Poleto, Roberto Colnaghi,
Roberto Carlos Kurzweil e Ralf Barquete tinham outras coisas em comum:
eles freqüentavam a mesma casa, participavam das mesmas festas e todos faziam
negócios no governo. Sempre se imaginou que a turma de Ribeirão
agia nas costas do ministro. O depoimento do motorista não prova que Palocci
sabia de tudo o que seus "amigos-da-onça" faziam. Mas o obriga a dar mais
e constrangedoras explicações. |