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Brasil
Okamotto o tipo "O"
Apelidado de "doador universal",
ele não declarou à Receita doações
feitas a Lula, Lurian e Vicentinho

Juliana Linhares
Bruno Spada/Ag. Brasil
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| Okamotto: por que não deixam quebrar o seu
sigilo? |
A generosidade do presidente do
Sebrae, Paulo Okamotto, parece não ter fim. Em 2002, ele
pagou uma dívida de 26.000 reais contraída pela filha
do presidente Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, conforme revelou
VEJA na semana passada. Em 2003, saldou a primeira parcela de um
débito do próprio Lula, no valor total de 29.000 reais.
Em 2004, quitou a dívida do presidente e doou ao então
candidato a prefeito de São Bernardo do Campo pelo PT, Vicentinho,
24.800 reais. A prodigalidade do amigo de Lula é só
um dos aspectos curiosos que envolvem essas doações.
Um outro é que nenhuma delas foi declarada à Receita
Federal, conforme manda a lei. Esse tipo de omissão, embora
não configure crime fiscal, é uma infração
sujeita a multa.
Prestações de contas
são um assunto perfeitamente familiar para Okamotto
ex-tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da campanha
presidencial petista de 1989. Além disso, ele costuma ser
preciso em suas declarações de imposto de renda, como
mostram os documentos referentes aos anos de 2002 e 2004, aos quais
VEJA teve acesso. Na declaração de 2004, Okamotto
chega a ponto de fazer constar um pagamento de modestíssimos
340 reais a um certo José Lázaro Henrique Júnior.
Não faltam ao presidente do Sebrae, portanto, nem meticulosidade
nem experiência em assuntos fiscais. É mais provável,
portanto, que o motivo pelo qual ele omitiu as doações
a Lula, Lurian e Vicentinho seja outro: elas saíram de um
bolso que não o seu.
Daniela Xu/Jornal de Santa Catarina/AE
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| Lurian: Okamotto pagou calote |
A despeito do imenso coração que possa ter o amigo
do presidente, ele está longe de ser um milionário
daqueles que podem sair por aí distribuindo milhares
de reais aos amigos. Em 2004, Okamotto ganhou ao todo 282.400 reais,
segundo informou ao Fisco. Naquele ano, pagou a segunda parcela
da dívida de Lula (no valor de 17.000 reais) e fez a doação
de 24.800 reais a Vicentinho em material de campanha. A soma dessas
bondades equivale a 15% de tudo o que recebeu no período.
Em 2002, a situação foi mais surpreendente. Okamotto
ainda não era presidente do Sebrae e declarou ter recebido,
de janeiro a dezembro, um total de 45.600 reais. A dívida
paga em nome de Lurian, no valor de 26.000 reais, representa, portanto,
mais da metade de tudo o que o petista ganhou no ano.
Na terça-feira passada,
Okamotto divulgou nota negando ter pago a dívida da filha
do presidente Lula. No dia seguinte, foi desmentido por mais uma
testemunha. O débito de Lurian teve origem quando ela se
candidatou a vereadora em São Bernardo do Campo, em 1996,
e alugou um imóvel para abrigar seu escritório de
campanha. Lurian não se elegeu e também não
pagou um único aluguel. Em 1998, o proprietário do
imóvel decidiu processar a fiadora do contrato, Ida Ivone
Müller Carloti, mãe de uma amiga de Lurian. Quem resolveu
o caso foi Okamotto. O amigo do presidente depositou 26.000 reais
em dinheiro na conta da fiadora Ida, que quitou a dívida
em abril de 2002 com cheques seus. Na quarta-feira passada, Ida
confirmou ao jornal Folha de S.Paulo que Okamotto deu a ela
o dinheiro para pagar o calote de Lurian. Desde que suas "doações"
vieram a público, Okamotto tem sido obrigado a usar de muita
imaginação para explicá-las. Se quisesse mesmo
esclarecer as suspeitas que pesam sobre ele, bastaria que autorizasse
a quebra de seu sigilo bancário até agora trancafiado
a sete chaves.
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