Edição 1947 . 15 de março de 2006

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Carta ao leitor
Com o apoio do povo

 
Silvia Izquierdo/AP
Soldado do Exército em favela carioca: a maioria da população do Rio está a favor da operação

Na semana passada, o Exército ocupou favelas cariocas para tentar encontrar dez fuzis e uma pistola roubados de seu arsenal por traficantes. A operação causou indignação em colunistas de jornais. O Exército foi acusado de exagero e até mesmo de atentar contra a cidadania da população favelada. Tivessem esses mesmos colunistas se dado ao trabalho de consultar os habitantes do Rio de Janeiro, favelados inclusive, as acusações teriam morrido antes de ser impressas. Morrido não por efeito de bala perdida, mas pelo confronto com a realidade. Como mostra uma reportagem de VEJA, a operação do Exército – perfeitamente legal, enfatize-se – tem o apoio da esmagadora maioria da população carioca. Desde que ela começou, todos os índices de criminalidade nas favelas diminuíram e seus moradores passaram a se sentir mais seguros para denunciar os traficantes que infestam sua vizinhança. A operação do Exército, portanto, não atentou contra a cidadania de ninguém, mas devolveu um pouco de dignidade e tranqüilidade a cidadãos abandonados pelo Estado.

É disso que se trata no Rio: a falta de Estado. Não se defende, aqui, que as Forças Armadas atuem como polícia ou que voltem a ser mantenedoras da "lei e da ordem", sem autorização dos poderes constitucionais, atribuição que existia até 1988 e foi pretexto para a implantação de uma ditadura no país. Mas se a própria polícia, impotente e contaminada pela corrupção endêmica, não é capaz de enfrentar a ameaça permanente dos traficantes, o que deve fazer o cidadão indefeso? Reclamar ao bispo, trancafiar-se em casa, chamar o ladrão, como sugere aquela música de Chico Buarque? A verdade é que a operação do Exército fez lembrar aos cariocas como a presença do Estado é fundamental para combater a criminalidade. E que a situação caótica no Rio, engendrada pelo tráfico de drogas, não pode mais ser encoberta por movimentos politicamente corretos e demagógicos. O Rio, está mais do que evidente, tem tanta condição de erguer-se sozinho quanto um homem de levantar-se do chão puxando pelos próprios cadarços. O problema da cidade, um dia maravilhosa, é de todos os brasileiros. Civis ou militares.

 
 
 
 
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