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Carta ao leitor Com
o apoio do povo Silvia
Izquierdo/AP
 | | Soldado
do Exército em favela carioca: a maioria da população do
Rio está a favor da operação |
Na semana passada, o Exército ocupou favelas cariocas para tentar encontrar
dez fuzis e uma pistola roubados de seu arsenal por traficantes. A operação
causou indignação em colunistas de jornais. O Exército foi
acusado de exagero e até mesmo de atentar contra a cidadania da população
favelada. Tivessem esses mesmos colunistas se dado ao trabalho de consultar os
habitantes do Rio de Janeiro, favelados inclusive, as acusações
teriam morrido antes de ser impressas. Morrido não por efeito de bala perdida,
mas pelo confronto com a realidade. Como mostra uma reportagem de VEJA, a operação
do Exército perfeitamente legal, enfatize-se tem o apoio
da esmagadora maioria da população carioca. Desde que ela começou,
todos os índices de criminalidade nas favelas diminuíram e seus
moradores passaram a se sentir mais seguros para denunciar os traficantes que
infestam sua vizinhança. A operação do Exército, portanto,
não atentou contra a cidadania de ninguém, mas devolveu um pouco
de dignidade e tranqüilidade a cidadãos abandonados pelo Estado.
É disso que se trata no Rio: a falta de Estado. Não
se defende, aqui, que as Forças Armadas atuem como polícia ou que
voltem a ser mantenedoras da "lei e da ordem", sem autorização dos
poderes constitucionais, atribuição que existia até 1988
e foi pretexto para a implantação de uma ditadura no país.
Mas se a própria polícia, impotente e contaminada pela corrupção
endêmica, não é capaz de enfrentar a ameaça permanente
dos traficantes, o que deve fazer o cidadão indefeso? Reclamar ao bispo,
trancafiar-se em casa, chamar o ladrão, como sugere aquela música
de Chico Buarque? A verdade é que a operação do Exército
fez lembrar aos cariocas como a presença do Estado é fundamental
para combater a criminalidade. E que a situação caótica no
Rio, engendrada pelo tráfico de drogas, não pode mais ser encoberta
por movimentos politicamente corretos e demagógicos. O Rio, está
mais do que evidente, tem tanta condição de erguer-se sozinho quanto
um homem de levantar-se do chão puxando pelos próprios cadarços.
O problema da cidade, um dia maravilhosa, é de todos os brasileiros. Civis
ou militares. |