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Alguns depoimentos
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Dilmar Cavalher

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"Nem me lembro que idade
tinha quando comecei a apanhar. Minha mãe sempre
falou que queria me ver morto. Nunca me importei,
até o dia em que ela me jogou contra a parede,
apertou o meu pescoço e não largou mais.
Já apanhei de vara de marmelo e sapato, levei
pedrada e puxão de cabelo. Minha irmã,
de 10 anos, é quem mais sofre. Ela limpa a
casa e passa nossas roupas, mas mesmo assim leva uns
tapas."
Felipe,
de 12 anos, vive
desde o final de 1998
num abrigo para menores no Rio de Janeiro
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Selmy Yassuda
"
Jamais vou esquecer
o que meu pai me fez.
Sinto pânico cada
vez que um homem me
toca. Fui violentada
dos 10 aos 17 anos e
gerei duas filhas. Minhas
irmãs sofreram a mesma coisa. Apanhávamos
de madeira na palma
da mão, levávamos surras com
o fio da enceradeira, éramos
enforcadas ou eletrocutadas.
Ninguém acreditava
no que eu contava. Meu
pai precisou ser preso
para saberem que eu
não mentia. "
Fabiana
de Andrade, paulista,
autora do livro
Labirintos do Incesto O Relato de uma Sobrevivente
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Selmy Yassuda
"Não
sei explicar o que aconteceu, eu nem estava nervoso.
Só lembro que o Márcio não queria
estudar. Mandei fazer o dever de casa, fui para o
quintal e peguei um tubo de PVC para usar em uma obra.
O Márcio apareceu e eu perguntei se ele já
havia terminado. Ele falou que sim, mas eu olhei e
disse: 'Não, você não terminou'.
Ele falou que não ia fazer mais nada. Peguei
o cano e dei uma, duas... O
Márcio só falava 'ai, ai, não
me bate'. Depois de sete, oito,
eu parei. "
Valdemir
Cerqueira, guarda
municipal do Rio
, preso por espancar o filho até a morte
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Joel Rocha
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" Minha
filha tinha 18 anos e poucos sonhos. Meu marido deu
fim a eles com três tiros. Mislaine morreu na
hora. Eu já imaginava que fosse terminar assim.
Ele violentava todas as minhas filhas, mas eu nunca
soube de nada. Quando Mislaine me contou, busquei
a ajuda da pastoral. Meu marido foi preso, mas acabou
solto por falta de provas. Voltou ainda mais violento.
Transtornado, disse-me que era apaixonado pela filha
e que iria resolver
aquela situação. Pegou a arma e acabou
com tudo. "
Maria
Marcelina Rodrigues, dona-de-casa
curitibana, ex-mulher do
mestre-de-obras Rosalvo de Melo, que
matou a filha a tiros
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