Edição 1 640 - 15/3/2000

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Alguns depoimentos

Dilmar Cavalher

"Nem me lembro que idade tinha quando comecei a apanhar. Minha mãe sempre falou que queria me ver morto. Nunca me importei, até o dia em que ela me jogou contra a parede, apertou o meu pescoço e não largou mais. Já apanhei de vara de marmelo e sapato, levei pedrada e puxão de cabelo. Minha irmã, de 10 anos, é quem mais sofre. Ela limpa a casa e passa nossas roupas, mas mesmo assim leva uns tapas."

Felipe, de 12 anos, vive desde o final de 1998
num abrigo para menores no Rio de Janeiro

 

Selmy Yassuda
" Jamais vou esquecer o que meu pai me fez. Sinto pânico cada vez que um homem me toca. Fui violentada dos 10 aos 17 anos e gerei duas filhas. Minhas irmãs sofreram a mesma coisa. Apanhávamos de madeira na palma da mão, levávamos surras com o fio da enceradeira, éramos enforcadas ou eletrocutadas. Ninguém acreditava no que eu contava. Meu pai precisou ser preso para saberem que eu não mentia. "

Fabiana de Andrade, paulista, autora do livro
Labirintos do Incesto – O Relato de uma Sobrevivente

 

Selmy Yassuda
"Não sei explicar o que aconteceu, eu nem estava nervoso. Só lembro que o Márcio não queria estudar. Mandei fazer o dever de casa, fui para o quintal e peguei um tubo de PVC para usar em uma obra. O Márcio apareceu e eu perguntei se ele já havia terminado. Ele falou que sim, mas eu olhei e disse: 'Não, você não terminou'. Ele falou que não ia fazer mais nada. Peguei o cano e dei uma, duas... O Márcio só falava 'ai, ai, não me bate'. Depois de sete, oito, eu parei. "

Valdemir Cerqueira, guarda municipal do Rio
, preso por espancar o filho até a morte

 

Joel Rocha

" Minha filha tinha 18 anos e poucos sonhos. Meu marido deu fim a eles com três tiros. Mislaine morreu na hora. Eu já imaginava que fosse terminar assim. Ele violentava todas as minhas filhas, mas eu nunca soube de nada. Quando Mislaine me contou, busquei a ajuda da pastoral. Meu marido foi preso, mas acabou solto por falta de provas. Voltou ainda mais violento. Transtornado, disse-me que era apaixonado pela filha e que iria resolver aquela situação. Pegou a arma e acabou com tudo. "

Maria Marcelina Rodrigues, dona-de-casa curitibana, ex-mulher do mestre-de-obras Rosalvo de Melo, que matou a filha a tiros