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Edição
1 640 -15/3/2000
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Na tarde da última quarta-feira, o correspondente de VEJA em Belém, Klester Cavalcanti, viveu os piores momentos de sua vida. O jornalista foi abordado numa rua da cidade por dois homens usando máscara de Carnaval e armados de revólveres. Sob a mira dos mascarados, Klester foi obrigado a entrar no banco traseiro de um carro. Como se quisessem reforçar a impressão do jornalista de que aquilo estava longe de um trote carnavalesco, amarraram seus braços para trás e colocaram um saco plástico sobre sua cabeça. O carro ficou rodando durante uma hora, até que saiu da cidade. Num local ermo, amarraram o jornalista de VEJA a uma árvore e deixaram claro qual era o motivo do ataque. "Se a reportagem for publicada", ameaçou um deles, "voltamos para terminar o serviço." Depois foram embora. Klester conseguiu soltar-se, andou por uma hora, chegou a uma estrada e, finalmente, bateu à porta de um posto policial. A reportagem a que se referiam os mascarados vinha sendo apurada pelo correspondente de VEJA havia algumas semanas. Trata de um certo Carlos Medeiros, em nome de quem está registrado o maior latifúndio do mundo, equivalente à área da Bélgica e de Portugal, somados, tudo isso dentro do Pará. Detalhe: Medeiros não existe. É um nome fictício, um fantasma que encobre a ação de uma máfia regional. Em duas oportunidades recentes, jornalistas de VEJA viveram experiências semelhantes. Há pouco mais de um ano, o jornalista Alexandre Oltramari, que trabalhava na sucursal de Brasília, foi cercado por oito homens armados de escopeta quando tentava entrevistar um torturador em Belo Horizonte. Eram policiais à paisana. Levado para uma delegacia, Oltramari só foi libertado depois da intervenção do então vice-governador mineiro, Walfrido dos Mares Guia Neto. Em 1994, o editor da sucursal de Brasília, Policarpo Junior, e a chefe da sucursal de Curitiba na ocasião, Marleth Silva, foram detidos ao entrevistar o empreiteiro Cecílio do Rego Almeida em sua casa: "Se você se levantar daí, não sai mais de minha casa", ameaçou Almeida. Num descuido do empreiteiro, Policarpo pegou o celular e conseguiu socorro. A pressão, nos três casos, foi inútil, já que as reportagens foram publicadas. A de Klester pode ser conferida a partir da página 48. |
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