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Televisão
La Malhación
Como se construiu o sucesso do
grupo RBD, que causou frenesi em
sua passagem pelo Brasil
Divulgação
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Os atores-cantores do
RBD: tumulto na sessão de autógrafos causou
três mortes
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Na manhã do sábado 4,
uma sessão de autógrafos do grupo musical mexicano
RBD atraiu quase 15.000 pessoas ao estacionamento de um shopping
center paulistano. Era cinco vezes mais gente do que previam os
organizadores e o evento terminou em desastre. Três
pessoas morreram e 41 ficaram feridas no empurra-empurra que se
seguiu à derrubada das grades de proteção que
separavam a multidão dos artistas. O frenesi era previsível.
O RBD é o braço musical do mais novo fenômeno
latino na televisão: o folhetim Rebelde. Exibido pelo
SBT na faixa das 18h45, o programa é um similar mexicano
da novelinha Malhação, da Rede Globo. Seus
personagens são jovens que estudam num colégio de
elite e estão às voltas com as questões típicas
da idade, como a amizade, o sexo, as drogas e as brigas com os pais.
Produzido pela rede Televisa, a mesma de onde saíram dramalhões
como Maria do Bairro, Rebelde faz sucesso em 65 países
no Brasil, ostenta 14 pontos de ibope, média robusta
para a emissora no horário. Assim como a Vagabanda de Malhação,
que impulsionou a carreira de cantora de Marjorie Estiano, o
RBD nasceu dentro da trama de Rebelde e dali saltou para
uma carreira autônoma. Formado por seis atores-personagens
e dublês de cantores , já vendeu mais
de 3 milhões de CDs e DVDs. No Brasil, foram 500.000 cópias
de três discos um com suas músicas em espanhol,
outro com versões das mesmas em português e um terceiro
ao vivo.
Rebelde tornou-se uma
febre porque fala com eficiência a um estrato de público
meio esquecido na TV: os pré-adolescentes, faixa que vai
dos 10 aos 13 anos. Faz sucesso em especial entre as garotas, principalmente
as das classes C e D não é por acaso que a
recente tragédia teve lugar num bairro da periferia paulistana.
Os fãs se identificam com os melodramas vividos pelos personagens
e também com sua doce inconseqüência. Num dos
primeiros capítulos, os integrantes do RBD invadiram o estúdio
de um programa de televisão, amarraram o apresentador e tocaram
no ar ao vivo, com o objetivo de conseguir um contrato com uma gravadora.
"Os pré-adolescentes adoram tiradas desse tipo, pois estão
numa fase em que sonham com autonomia e buscam se diferenciar",
diz a psicóloga Lidia Weber, da Universidade Federal do Paraná.
Afora os arroubos infanto-juvenis, é bom que se diga, não
há lá grande rebeldia o máximo de ousadia
na tal escolinha são as gravatas desalinhadas dos rapazes
e as minissaias e botas de cano alto das garotas (bem insinuantes,
por sinal).
Embora tenham argumentos até
bem parecidos, Rebelde e Malhação dão
tratamentos um tanto diferentes ao tema (veja
o quadro). A atração da Globo aposta
num registro mais naturalista. O programa exibido pelo SBT não
nega sua origem mexicana: as interpretações são
carregadas, e as tramas abusam da fantasia. A cena em que uma aluna
e sua mãe fizeram as pazes em público num evento escolar,
por exemplo, foi uma choradeira só. Outra diferença
é que, enquanto o colégio de Malhação
é todo politicamente correto, o de Rebelde é
um internato de elite em que os poucos alunos pobres enfrentam uma
sociedade secreta que quer expulsá-los. Quanto à comparação
entre o pop insosso da Vagabanda e o do RBD bem, nesse quesito
os dois programas empatam em zero a zero.
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