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Cinema Alegria
& decepção Como toda
adaptação da obra de Jane Austen, Orgulho & Preconceito
acerta ali e erra acolá  Isabela
Boscov
Divulgação
 | | Keira,
com Rosamund: a Academia raspou o tacho |
Elizabeth Bennett (Keira Knightley) é vivaz e tem um senso de humor infalível.
Mas o que lhe sobra em inteligência falta-lhe em experiência, o que
a leva a julgamentos desastrados. Ela tem ainda contra si três irmãs
caçulas destemperadas, um pai relapso e uma mãe estúpida
e vulgar. Elizabeth e sua irmã mais velha, Jane (Rosamund Pike), mais do
que merecem o interesse dos aristocráticos Sr. Bingley (Simon Woods) e
Sr. Darcy (Matthew Macfadyen). Mas, por causa dessa família inaceitável,
Darcy, o mais rico e severo dos dois, decide podar os romances ainda em botão.
Para duas moças em idade de casar, no início do século XIX,
essa é uma pequena tragédia, como a inglesa Jane Austen (1775-1817)
anotou minuciosamente em Orgulho e Preconceito, o livro mais popular de
sua pequena e magnífica obra. Será que Bingley terá coragem
de se opor a Darcy? Será que Elizabeth vai perceber que Darcy não
é um monstro, e sim um cavalheiro que tem o coração (e tudo
o mais) no lugar certo? E será que um dia Darcy conseguirá se declarar
para Elizabeth sem ofendê-la? Há dois séculos leitores e espectadores
continuam sofrendo com essas perguntas como se não tivessem a menor idéia
de qual seria a resposta. Orgulho & Preconceito (Pride &
Prejudice, Inglaterra/França, 2005), desde sexta-feira em cartaz no
país, aposta nesse misto de familiaridade e excitação que
Austen soube produzir como ninguém e, como toda adaptação
da escritora, é ela própria um misto de alegria e decepção.
O
maior sucesso da nova versão está na mise-en-scène,
que reconstitui não uma Inglaterra de museu, mas vibrante, colorida e ruidosa,
cheia de animais, bailes e conversas educadas ou nem tanto. Entre os pontos positivos,
conta-se a maior parte do elenco, com interpretações sólidas
de Macfadyen, Donald Sutherland, Brenda Blethyn e Judi Dench. Seu defeito quase
imperdoável, porém, é a escalação de Keira
Knightley. Elizabeth era perspicaz, arrojada e independente, mas aqui ela é
uma personalidade regressiva, que arfa como uma heroína comum e ri como
uma tonta. Nem um ano tão fraco de interpretações femininas,
como foi 2005, justifica que a Academia raspe o tacho a ponto de incluí-la
entre as indicadas ao Oscar. |