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Internacional
O preço do perdão
Para redimir-se de crimes corporativos,
o dono da Samsung faz doação de
825 milhões de dólares
Yonhap Ha Sa-Hum/AP
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Lee Kun Hee: o homem
mais rico da Coréia do Sul pede desculpas
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Lee Kun Hee, o principal executivo da gigante de eletrônicos
Samsung e o homem mais rico da Coréia do Sul, surpreendeu
a opinião pública de seu país com um ato raro
de generosidade: doou espontaneamente 825 milhões de dólares
ao governo. O empresário não explicou o motivo da
doação, e nem precisava. Sua imagem já estava
arranhada desde o fim do ano passado, quando gravações
flagraram planos da Samsung de subornar candidatos à Presidência
da Coréia do Sul com 10 milhões de dólares.
Mais recentemente, Lee Kun Hee, que luta contra um câncer,
foi acusado de usar métodos irregulares para transferir parte
do controle da empresa para um de seus filhos. A estratégia
integraria um plano ilegal para aumentar a participação
acionária da terceira geração da família
que fundou a Samsung, em 1938. Hoje, a família Lee detém
menos de 5% das ações do grupo.
Logo após a doação,
o empresário saiu de seu retiro médico para admitir
seus erros, ainda que de forma transversal: "Coloquei toda a minha
energia na administração da companhia, mas falhei
ao não ir ao encontro das expectativas das pessoas", afirmou.
O episódio reforça a relação paradoxal
dos coreanos com a Samsung, a maior empresa do país. Ela
doa anualmente ao governo 200 milhões de dólares para
a construção de orfanatos e bibliotecas e para ajuda
aos desabrigados. A população reconhece a importância
do conglomerado para a rápida transformação
econômica da nação, mas se queixa das relações
perigosas entre seus executivos e os políticos. Justamente
por isso, nenhuma empresa representa tão bem a pior e a melhor
faceta do capitalismo do que a Samsung. Nos últimos anos,
seus computadores, celulares e televisores de tela plana deram um
salto de qualidade, inovação e design. Para isso,
a empresa investiu pesado, durante uma década, em pesquisa
e desenvolvimento tecnológico. O esforço surtiu efeito.
A Samsung é hoje uma das maiores fabricantes de televisores
com tecnologia de cristal líquido de cada vinte unidades
vendidas no mundo no ano passado, uma era da empresa. Em 2004, assumiu
a terceira posição na fabricação de
celulares. O conglomerado tem mais de sessenta subsidiárias
e é responsável por um quarto das exportações
totais da Coréia. O mais recente estudo feito pela Business
Week avaliou a marca em 103 bilhões de dólares.
A companhia saltou dezesseis posições no ranking anual
das marcas mais valiosas do mundo.
Mas, se foi ágil e perspicaz
para competir no mundo globalizado, permaneceu presa a um sistema
arcaico de administração. A Samsung sempre foi resistente
às iniciativas do governo para deixar o mercado de capitais
mais transparente. Além disso, resistiu aos esforços
para reduzir a participação familiar nos conglomerados
econômicos do país conhecidos como chaebols.
Dada a importância da Samsung, suas práticas corporativas
antiquadas têm um custo econômico e social. É
bem provável que esse custo supere o valor da generosa doação
do empresário.
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