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Brasil Colombina
e pierrô A primeira-dama de Salvador agita
a política baiana às vésperas do Carnaval
 Fábio
Portela  | | Maria
Luiza e João Henrique: ela aprova e demite secretários do marido-prefeito |
De certa forma, o Carnaval já começou em Salvador. O Pierrô
é o prefeito João Henrique. A Colombina, sua mulher, Maria Luíza.
Na semana passada, os jornais baianos estamparam que o casal havia se separado,
depois que João Henrique foi visto num compromisso na Câmara de Vereadores
sem a aliança de casamento. O prefeito desmente a separação,
mas não a crise matrimonial. "Somos evangélicos da Igreja Batista.
Para mim, o casamento é sagrado. É impossível rompê-lo",
diz ele. Além de dominar os programas de rádio e as páginas
de jornal, o difícil momento conjugal de João Henrique se tornou
um importante tema da agenda política da Bahia. Isso porque a primeira-dama
é tida como a eminência parda da prefeitura de Salvador. Nos treze
meses de administração de João Henrique, Maria Luíza
só fez engordar a sua influência, está claro.
Ela pôs-se a dar ordens já na montagem do governo. João Henrique
submeteu à aprovação da mulher todas as indicações
que recebeu para seu secretariado. Ele diz que pediu ajuda porque Maria Luíza
tem uma habilidade extraordinária. "Ela só precisa bater o olho
para ver a pessoa por dentro. Tem uma visão psicológica muito boa",
diz. Como toda pessoa dotada de visão psicológica muito boa, Maria
Luíza exigiu que o marido lhe desse um cargo. Ganhou a presidência
do Instituto Ação Comunidade. Em seguida, obteve carta branca para
atuar. Não dá satisfações a ninguém. "Ela é
muito competente, praticamente só me comunica o que decidiu", conta o marido.
Também ficou famosa a mania de Maria Luíza de se sentar na cadeira
de João Henrique durante as reuniões do secretariado. "Ela nunca
mais fez isso", assegura o prefeito. Há vinte dias, Maria Luíza
demitiu a secretária de Comunicação do município,
Simone Souto Maior. "Foi um pico emocional", explica João Henrique, que
lamenta o episódio. A experiência
administrativa um tanto informal aumentou o gosto de Maria Luíza pela política.
Em setembro passado, ela se filiou ao PDT, o mesmo partido de seu marido, para
concorrer a uma vaga de deputada estadual. Ainda não sabe qual será
a sua prioridade caso seja eleita. "Chegando lá, vou me interessar por
alguma", diz. Maria Luíza ainda se atrapalha um pouco no que se refere
a detalhes do cenário político nacional: "Sou fã de Gilberto
Gil. Acho que ele está fazendo um ótimo trabalho no Ministério
do Meio Ambiente. Ele é do Meio Ambiente, não?". Mas são
detalhes sem importância, como se vê. Assim como Rosinha Matheus e
Marta Suplicy, que também entraram na política graças ao
prestígio político dos seus maridos, Maria Luíza prepara-se
para alçar vôos mais altos. Se tudo der certo, poderá concorrer
a um mandato federal em 2010. A primeira-dama
toca suas atividades curriculares e extracurriculares em um gabinete situado no
meio do Parque da Cidade, que tem uma das mais bonitas paisagens de Salvador.
Adora o escritório. Só faz muxoxo em relação a uma
estátua do filósofo chinês Confúcio, que, sabe-se lá
por quê, adorna seu jardim. Se pudesse, ela a tiraria de lá. "O nome
dele, Confúcio, lembra confusão. Não é bom, não."
Há dez dias, numa prévia do Carnaval baiano, Maria Luíza
caiu na folia ao som da cantora Ivete Sangalo. "João Henrique também
ia. Teve um compromisso na última hora e pediu que eu ficasse em casa.
Mas eu fui", relata ela. É uma Colombina que não precisa de Pierrô. |