Edição 1943 . 15 de fevereiro de 2006

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Brasil
Colombina e pierrô

A primeira-dama de Salvador
agita a política baiana às
vésperas do Carnaval


Fábio Portela

 

Maria Luiza e João Henrique: ela aprova e demite secretários do marido-prefeito

De certa forma, o Carnaval já começou em Salvador. O Pierrô é o prefeito João Henrique. A Colombina, sua mulher, Maria Luíza. Na semana passada, os jornais baianos estamparam que o casal havia se separado, depois que João Henrique foi visto num compromisso na Câmara de Vereadores sem a aliança de casamento. O prefeito desmente a separação, mas não a crise matrimonial. "Somos evangélicos da Igreja Batista. Para mim, o casamento é sagrado. É impossível rompê-lo", diz ele. Além de dominar os programas de rádio e as páginas de jornal, o difícil momento conjugal de João Henrique se tornou um importante tema da agenda política da Bahia. Isso porque a primeira-dama é tida como a eminência parda da prefeitura de Salvador. Nos treze meses de administração de João Henrique, Maria Luíza só fez engordar – a sua influência, está claro.

Ela pôs-se a dar ordens já na montagem do governo. João Henrique submeteu à aprovação da mulher todas as indicações que recebeu para seu secretariado. Ele diz que pediu ajuda porque Maria Luíza tem uma habilidade extraordinária. "Ela só precisa bater o olho para ver a pessoa por dentro. Tem uma visão psicológica muito boa", diz. Como toda pessoa dotada de visão psicológica muito boa, Maria Luíza exigiu que o marido lhe desse um cargo. Ganhou a presidência do Instituto Ação Comunidade. Em seguida, obteve carta branca para atuar. Não dá satisfações a ninguém. "Ela é muito competente, praticamente só me comunica o que decidiu", conta o marido. Também ficou famosa a mania de Maria Luíza de se sentar na cadeira de João Henrique durante as reuniões do secretariado. "Ela nunca mais fez isso", assegura o prefeito. Há vinte dias, Maria Luíza demitiu a secretária de Comunicação do município, Simone Souto Maior. "Foi um pico emocional", explica João Henrique, que lamenta o episódio.

A experiência administrativa um tanto informal aumentou o gosto de Maria Luíza pela política. Em setembro passado, ela se filiou ao PDT, o mesmo partido de seu marido, para concorrer a uma vaga de deputada estadual. Ainda não sabe qual será a sua prioridade caso seja eleita. "Chegando lá, vou me interessar por alguma", diz. Maria Luíza ainda se atrapalha um pouco no que se refere a detalhes do cenário político nacional: "Sou fã de Gilberto Gil. Acho que ele está fazendo um ótimo trabalho no Ministério do Meio Ambiente. Ele é do Meio Ambiente, não?". Mas são detalhes sem importância, como se vê. Assim como Rosinha Matheus e Marta Suplicy, que também entraram na política graças ao prestígio político dos seus maridos, Maria Luíza prepara-se para alçar vôos mais altos. Se tudo der certo, poderá concorrer a um mandato federal em 2010.

A primeira-dama toca suas atividades curriculares e extracurriculares em um gabinete situado no meio do Parque da Cidade, que tem uma das mais bonitas paisagens de Salvador. Adora o escritório. Só faz muxoxo em relação a uma estátua do filósofo chinês Confúcio, que, sabe-se lá por quê, adorna seu jardim. Se pudesse, ela a tiraria de lá. "O nome dele, Confúcio, lembra confusão. Não é bom, não." Há dez dias, numa prévia do Carnaval baiano, Maria Luíza caiu na folia ao som da cantora Ivete Sangalo. "João Henrique também ia. Teve um compromisso na última hora e pediu que eu ficasse em casa. Mas eu fui", relata ela. É uma Colombina que não precisa de Pierrô.

 
 
 
 
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