Edição 1922 . 14 de setembro de 2005

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Tecnologia
Perfeita união

A Apple lança um celular-iPod e, de quebra,
apresenta um novo tocador de música

Em meio a grande fanfarra (como é de seu costume), com direito a Madonna em pessoa num telão, falando de Londres, o presidente da Apple, Steve Jobs, lançou nesta semana o aparelho que os apreciadores do tocador de música iPod – ou seja, todo mundo – esperavam desde que se descobriu, há um ano, que ele andava em negociações secretas com a Motorola: o Rokr, que combina celular e iPod, versão dois em um da dupla de ferramentas imprescindíveis na vida do jovem que sabe das coisas. E de surpresa, sem que ninguém esperasse, no fim da apresentação Jobs tirou casualmente do menor bolsinho do jeans outra novidade: o iPod Nano, aparelhinho muito mais leve e fino que o modelo Mini, que deverá substituí-lo no mercado. A Apple do Brasil informa que ambos chegarão ao país ainda neste ano – o Nano em outubro, o Rokr (abreviação de rocker) até dezembro.

Para quem esperava um celular com o design, a rapidez de conexão e o característico botão giratório do iPod, o Rokr é meio decepcionante. O desenho é bonito e moderno, mas não tem nada a ver com a célebre caixinha branca – até porque é prateado. O aparelho não permite que as músicas sejam baixadas por telefone; tem de ser conectado por computador ao iTunes, serviço da Apple e única fonte possível de canções para o Rokr. Cada transferência leva trinta segundos (no iPod, um CD inteiro é baixado em dez segundos). Um cartão de memória permite a armazenagem de 100 músicas, e só – mesmo que haja espaço disponível, o total não passa disso. Essa, supõe-se, foi a forma encontrada pela Apple para 1) não afetar as vendas do iPod, sua mina de ouro, do qual está prevista a comercialização de 25 milhões de unidades no mundo neste ano; e 2) turbinar ainda mais as compras no iTunes Music Store, que cobra 99 centavos de dólar por canção e já alimenta 85% do mercado mundial de venda de música digital. Do Brasil, não se pode comprar músicas pelo iTunes; o usuário terá de formar lá um acervo próprio e depois transferi-lo para o Rokr. Há atrativos, porém, e grandes. Quando se aperta o botão de música, a telinha colorida mostra o exato menu do iPod: Playlists, Artists, Albuns, Songs. O som é excelente e o fone de ouvido é do mesmo modelo do branquinho que alguns usam até sem nada na ponta, só para fazer gênero. Mais: o celular, que tem viva voz e câmera digital, não só vibra ao som da música como pisca – no ritmo – luzes coloridas, vendidas como acessório. Já o iPod Nano é parecidíssimo com o Mini, mas muito menor: mede 4 por 9 centímetros, tem 6 milímetros de espessura e pesa 42 gramas. Para a armazenagem, usa, em vez de minidisco, um cartão de memória embutido, capaz de guardar 500 ou 1.000 músicas, dependendo do modelo. "Fábricas inteiras foram montadas para produzir o aparelho", disse Jobs na apresentação. Este Natal promete.

 

Fotos Paul Sakuma/AP, Toru Hanai/Reuters

Jobs apresenta seus brinquedos: duas novas versões de iPod
 
 
 
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