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Estilo Patuás
de luxo Na oferta de talismãs para dar
sorte e proteção, o que era fitinha de pano virou jóia
de ouro e brilhantes 
Sandra Brasil
Fotos divulgação/Dulla/Oscar Cabral
e Alice Ramos  |
| Sincretismo com brilho: pencas de amuletos e de santos,
mandala, imagens de orixás, relicários e pulseira do Senhor do Bonfim |
Em tempos de preocupações, violência,
stress e competição acirrada, até quem não acredita
em nada passa a ver os talismãs com certa simpatia. Como já há
alguns anos esses fatores não saem da ordem do dia da maioria das pessoas,
figa, olho grego, trevo de quatro folhas, fitinhas do Senhor do Bonfim e imagens
de santos tomaram conta de pulsos e pescoço dos esperançosos. Primeiro,
disseminaram-se na forma de bijuterias. Agora, subiram um patamar e viraram jóias
de verdade. Nessa elevação de nível, a lembrança do
santo mais popular da Bahia, por exemplo, de fitinha barata e encardida virou
pulseira luxuosa de ouro branco ou amarelo cravejado de brilhantes. O mimo, obra
do designer baiano Carlos Rodeiro, custa 5 900 reais e recentemente adornou o
pulso de Gisele Bündchen. Chegam às lojas no fim deste mês,
assinadas pelo estilista Alexandre Herchcovitch por encomenda da joalheria Dryzun,
outras duas "fitinhas" chiques, uma tipo escrava, outra de borracha que dá
três voltas (no lugar dos três nozinhos), ambas com a inscrição
"Senhor do Bonfim" e detalhes em ouro ou prata.
Na busca de sorte e proteção convivem confissões religiosas
as mais diversas: budas (de ouro, a cerca de 6 000 reais), mandalas (de ouro e
imbuia, 2 600 reais), imagens de Iemanjá e outros orixás do candomblé,
estrelas-de-davi de ouro e muitos e variados santos. "Jóias de proteção
vendem muito. E os brasileiros gostam de misturar tudo, para dar mais sorte",
diz o designer José Carlos Guerreiro, um dos pioneiros na modalidade. Segundo
ele, "pencas" de talismãs (inclusive em anéis) são o item
mais cobiçado do momento em sua loja, um punhado de berloques (olho
grego, pimenta, trevo, figa) de ouro não sai por menos de 1 500 reais.
Na joalheria que a socialite carioca Chiara Magalhães, 23 anos, inaugurou
há menos de um mês em um shopping center do Rio de Janeiro, existem
santos por toda parte. "Pelo menos metade das jóias que vendemos é
religiosa", diz Chiara, que é católica praticante. Os mais procurados
são Nossa Senhora das Graças (uma medalha com duas carreiras de
diamantes na moldura sai por 6 800 reais), Santo Antônio e, mais recentemente,
Nossa Senhora de Guadalupe, de quem é devota a mexicana Consuelo, personagem
de Claudia Jimenez na novela América. Na rota da sofisticação
dos símbolos religiosos, até os simplésimos escapulários
ganharam versão de luxo: a joalheira Carla Amorim está lançando
um encravado no centro de uma cruz de ouro e quartzo rosa (4 850 reais). Carla
também assina na nova coleção (devidamente benzida peça
a peça) uma pulseira de ouro amarelo com vinte medalhas com imagens de
santos (19 700 reais) e outra de ouro branco com cruzes e ametistas (14 800 reais).
"A demanda por esse tipo de peça aumentou
neste ano, e a tendência deve se manter em alta em 2006", diz Natália
Salomão, gerente de comunicação e marketing do Instituto
Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). A previsão se fundamenta
em números: uma pesquisa feita no mês passado com noventa expositores
da Feninjer a feira de jóias realizada duas vezes por ano, que abastece
4 000 lojas no Brasil e em outros países e movimentou 51,6 milhões
de dólares constatou que 65 deles ofereciam peças religiosas
ou místicas. O baiano Rodeiro, que tem em seu catálogo pencas de
santos e um Sagrado Coração de Jesus cravejado de rubis e diamantes,
confirma: a procura por talismãs só faz aumentar. "Antes, menos
de 10% das peças que eu fazia eram voltadas para proteção.
Agora, já são uns 30%", contabiliza. |