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Imigração
Êxodo dos ricos
Cidadãos do Primeiro Mundo
mudam-se para o exterior em
busca de conforto e bons empregos

José Eduardo Barella
Lee Jinm-Man/AP
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Em todo o mundo, há 175
milhões de pessoas vivendo e trabalhando fora do país
em que nasceram. A maior parte desse contingente é de imigrantes
de países pobres em busca de melhores empregos no Primeiro
Mundo. Outro êxodo, mais discreto mas igualmente intenso,
percorre um caminho diferente. É formado por cidadãos
do mundo próspero que vão viver em outros países.
Emprego e qualidade de vida estão no topo da lista de razões
dessa migração. Uma semelhança entre os dois
fluxos é a seguinte: ambos se dirigem sobretudo aos países
ricos. O número de americanos que vivem fora dos Estados
Unidos cresceu em 800.000 nos últimos seis anos. A cada ano,
aumenta em 10% a quantidade de franceses que moram no exterior.
Inglaterra e Alemanha, que nas últimas décadas foram
inundadas por levas de imigrantes, bateram recentemente o recorde
histórico em emigração. Desde a II Guerra,
não se viam tantos alemães de mudança para
o exterior. No ano passado, foram 150.000, quantidade equivalente
à que saía do país no fim do século
XIX a época das grandes migrações, quando
44 milhões de pessoas fugiram da pobreza da Europa, em busca
das oportunidades do Novo Mundo.
Há dois tipos distintos
que marcam os novos migrantes que saem de países ricos. O
primeiro é o de profissionais que encontram no exterior oportunidade
de investir na carreira, se possível conciliando trabalho
com qualidade de vida. A globalização da economia
é o principal catalisador dessa tendência. "Como os
países ricos abrigam as melhores universidades, as maiores
empresas e, por tabela, os empregos mais bem remunerados, nada mais
natural que um profissional altamente qualificado de um país
rico se mude para outra nação que lhe ofereça
possibilidade de ascensão na carreira", disse a VEJA a economista
americana Erica Field, da Universidade Harvard. Isso explica por
que o principal destino dos emigrantes alemães são
os Estados Unidos. Os aposentados formam o segundo grupo de emigrantes
saídos dos países ricos. Em geral, eles procuram um
custo de vida mais baixo e um clima mais agradável para passar
os seus anos dourados e gastar com parcimônia o dinheiro da
aposentadoria. Na Espanha, 20% dos imigrantes europeus são
aposentados, principalmente alemães e ingleses. Só
agora o governo brasileiro está acordando para a oportunidade
de negócios representada pelos aposentados. Estão
em estudo mudanças no Estatuto da Imigração,
para criar um visto específico para aposentados estrangeiros
e facilitar a entrada de empresários vindos de fora.
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