Edição 1922 . 14 de setembro de 2005

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Imigração
Êxodo dos ricos

Cidadãos do Primeiro Mundo
mudam-se para o exterior em
busca de conforto e bons empregos


José Eduardo Barella


Lee Jinm-Man/AP
Americana dá aula de inglês para sul-coreanos em Seul: globalização

Em todo o mundo, há 175 milhões de pessoas vivendo e trabalhando fora do país em que nasceram. A maior parte desse contingente é de imigrantes de países pobres em busca de melhores empregos no Primeiro Mundo. Outro êxodo, mais discreto mas igualmente intenso, percorre um caminho diferente. É formado por cidadãos do mundo próspero que vão viver em outros países. Emprego e qualidade de vida estão no topo da lista de razões dessa migração. Uma semelhança entre os dois fluxos é a seguinte: ambos se dirigem sobretudo aos países ricos. O número de americanos que vivem fora dos Estados Unidos cresceu em 800.000 nos últimos seis anos. A cada ano, aumenta em 10% a quantidade de franceses que moram no exterior. Inglaterra e Alemanha, que nas últimas décadas foram inundadas por levas de imigrantes, bateram recentemente o recorde histórico em emigração. Desde a II Guerra, não se viam tantos alemães de mudança para o exterior. No ano passado, foram 150.000, quantidade equivalente à que saía do país no fim do século XIX – a época das grandes migrações, quando 44 milhões de pessoas fugiram da pobreza da Europa, em busca das oportunidades do Novo Mundo.

Há dois tipos distintos que marcam os novos migrantes que saem de países ricos. O primeiro é o de profissionais que encontram no exterior oportunidade de investir na carreira, se possível conciliando trabalho com qualidade de vida. A globalização da economia é o principal catalisador dessa tendência. "Como os países ricos abrigam as melhores universidades, as maiores empresas e, por tabela, os empregos mais bem remunerados, nada mais natural que um profissional altamente qualificado de um país rico se mude para outra nação que lhe ofereça possibilidade de ascensão na carreira", disse a VEJA a economista americana Erica Field, da Universidade Harvard. Isso explica por que o principal destino dos emigrantes alemães são os Estados Unidos. Os aposentados formam o segundo grupo de emigrantes saídos dos países ricos. Em geral, eles procuram um custo de vida mais baixo e um clima mais agradável para passar os seus anos dourados e gastar com parcimônia o dinheiro da aposentadoria. Na Espanha, 20% dos imigrantes europeus são aposentados, principalmente alemães e ingleses. Só agora o governo brasileiro está acordando para a oportunidade de negócios representada pelos aposentados. Estão em estudo mudanças no Estatuto da Imigração, para criar um visto específico para aposentados estrangeiros e facilitar a entrada de empresários vindos de fora.

 

 
 
 
 
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