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Edição 1 764 - 14 de agosto de 2002
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DVDs

Divulgação

Senhor dos Anéis: ótimos bônus


O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel
(The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, Estados Unidos/ Nova Zelândia, 2001. Warner) – O primeiro disco, que traz esse grande sucesso baseado na obra do escritor J.R.R. Tolkien, conta com imagens de uma fidelidade ao original acima da média até para os padrões atuais do DVD. Já o segundo disco vem repleto de extras. Por exemplo, palinhas de um videogame inspirado no filme, o clipe de Enya para a canção May It Be e nada menos do que três documentários (o melhor é Uma Passagem para a Terra Média). Há ainda uma prévia de dar água na boca do segundo capítulo da série, As Duas Torres, com estréia nos cinemas marcada para janeiro. Um dos extras é muito intrigante: trata-se de um trailer da edição especial do DVD de A Sociedade do Anel, a ser lançada em novembro nos Estados Unidos com quatro discos, horas de informações inéditas e uma versão remontada do filme, com trinta minutos a mais. A New Line, produtora da trilogia, garante que essa supercaixa não será vendida no Brasil. Então o que essa provocação está fazendo no DVD que já está nas lojas? É para deixar qualquer um com a pulga atrás da orelha.

 
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O Senhor dos Anéis

O Campeão (The Champ, Estados Unidos, 1979. Warner) – Não há cineasta que desconheça o potencial dramático de uma criança desfavorecida pela sorte – especialmente se ela for fotogênica como Ricky Schroder, que tinha 8 anos à época em que o italiano Franco Zeffirelli dirigiu esse melodrama. Schroder, além de ser encantador, sofre à beça no papel do filho de um ex-campeão de boxe (Jon Voight), que, depois de levar mais socos do que deveria, largou a carreira e vive modestamente como cavalariço. Voight foi abandonado pela mulher (Faye Dunaway) e é o mais bem-intencionado dos pais. Mas é também um dependente incorrigível dos dados e da garrafa, razão pela qual os papéis domésticos se inverteram: embora o filho o idolatre, é ele quem cuida de pôr o pai na cama à noite e o encoraja em meio às adversidades. Dunaway é fria demais para convencer como uma mulher que redescobre o amor materno, e Zeffirelli usa e abusa de todos os truques baixos que o sentimentalismo permite. Mas, graças a Schroder, a choradeira é garantida.

 

LIVROS

E o Bruno?, de Aleksandar Hemon (tradução de Lia Wyler; Rocco; 218 páginas; 29 reais) – Na primavera de 1992, o bósnio Aleksandar Hemon partiu para uma viagem de um mês nos Estados Unidos. Dias depois de sua chegada, a guerra explodiu em seu país e sua família se viu sitiada em Sarajevo. Hemon decidiu, então, que era mais prudente ficar onde estava. Passou a viver de bicos e estudou inglês a ponto de dominá-lo como um americano – ou muito melhor que a maioria deles, segundo têm afirmado a crítica americana e a inglesa. Lançado lá fora em 2000, E o Bruno? é sua obra de estréia. Reúne oito histórias sobre o Leste Europeu e sobre o tema do exílio. Hemon – que se casou nos Estados Unidos e fixou residência em Chicago – é um escritor satírico. Aborda com mordacidade todo e qualquer tipo de assunto, não importa quão terrível ele seja. O livro começa com um tio que conta histórias amedrontadoras sobre os campos de concentração de Stalin a seu sobrinho estupefato e prossegue com relatos como Uma Moeda – descrição do dia-a-dia numa cidade infestada por franco-atiradores.

 
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Trechos do livro


Tio Tungstênio,
de Oliver Sacks (tradução de Laura Teixeira Motta; Companhia das Letras; 334 páginas; 34 reais) – O inglês Oliver Sacks é um neurologista com dom para a literatura. Tornou-se famoso com livros como Um Antropólogo em Marte, que valem a pena não somente pelo que narram (casos de pessoas que aprenderam a conviver com graves problemas cerebrais, como a síndrome de Tourette), mas também pela saborosa prosa do autor. Nesse novo lançamento, Sacks volta-se para sua própria história e reconta o despertar de sua vocação científica. Paralelamente, escreve passagens iluminadoras sobre alguns de seus heróis intelectuais, como a polonesa Marie Curie, que descobriu a radioatividade, e o russo Dmitri Mendeleiev, criador da tabela periódica dos elementos químicos. A química foi a grande paixão de Sacks, antes que ele dirigisse sua carreira para a medicina.

 

DISCO

 
Paulo Rubens Fonseca
Elizete: marco zero da bossa nova

Canção do Amor Demais, Elizete Cardoso (Eldorado) – Há um bom tempo fora de catálogo, esse disco foi o marco zero da bossa nova. Lançado em 1958 pelo Festa, selo que era especializado em discos de poesia declamada, ele reúne treze composições da dupla Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Jobim cuidou dos arranjos e da produção, além de reger a orquestra – que se casa perfeitamente à voz de Elizete Cardoso, em belas faixas como Janelas Abertas e Caminho de Pedra. O disco também é importante porque duas músicas (Chega de Saudade e Outra Vez) contam com o violão de João Gilberto. Foi o primeiro registro da batida que viraria marca registrada da bossa nova. Reza a lenda que, num primeiro momento, o som de João Gilberto desagradou à cantora.

 
Veja também
Para ouvir: faixa Chega de Saudade

 

 

OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

É possível dividir a obra do filósofo inglês Bertrand Russell (1872-1970) em duas fases. Enquanto no começo de carreira ele produziu trabalhos de alto rigor teórico, mais tarde se tornou um ensaísta capaz de emitir opiniões a respeito de tudo – uma faceta ruidosa, mas hoje reconhecida como menor. A essa segunda fase pertencem os escritos de O Elogio ao Ócio (tradução de Pedro Jorgensen Júnior; Sextante; 184 páginas; 19,90 reais), em quarto lugar na lista de não-ficção de VEJA. Lançada nos anos 30, a obra traz quinze artigos. Há bons motivos para supor que seu apelo comercial no Brasil decorre do fato de remeter ao best-seller O Ócio Criativo, do italiano Domenico de Masi. Este último, inclusive, assina a orelha do lançamento. Mas quem comprar o livro de Russell pensando em encontrar algo na mesma linha de De Masi, que faz um misto de sociologia e auto-ajuda, vai acabar confuso.

A verdade é que somente o primeiro ensaio fala sobre o ócio. É um texto em que Russell desfia uma série de utopias e considerações irônicas sobre o assunto. "Eu acho que se trabalha demais no mundo de hoje e que a crença nas virtudes do trabalho produz males sem conta", sentencia. O filósofo sugere, então, a sua própria receita. Numa sociedade perfeita, diz ele, as pessoas deveriam trabalhar apenas quatro horas por dia – isso, sem perdas salariais. Os professores não deveriam perder tempo dando mais que duas horas de aulas diárias, para não quebrar a "afeição natural" que nutrem pelos alunos. O mesmo tom tempera os demais ensaios. Neles, Russell aborda temas tão variados quanto o fascismo, a educação e os insetos. Como se trata de artigos de ocasião, publicados originalmente em jornais, nem mesmo o texto afiado disfarça a sensação de que muita coisa ficou datada.

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Siciliano; Natal: Sodiler, Nobel; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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