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Edição 1 764 - 14 de agosto de 2002
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B de bacana

Malditas Aranhas! é um
trash bastante divertido

Isabela Boscov


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Filme trash que se dê ao respeito tem de ter no máximo um ator de segundo time e uma porção de aspirantes ao quinto escalão. Tem de ter também criaturas insólitas, não se levar a sério e, além de custar pouco, ter cara de que custou pouco. Malditas Aranhas! (Eight Legged Freaks, Estados Unidos, 2002), portanto, é um trash com honras. A aventura que estréia nesta sexta-feira no país é encabeçada pelo obscuro David Arquette, o xerife titubeante da série Pânico e marido de Courteney Cox, de Friends. Trata, como o título sugere, de aranhas gigantescas que invadem uma cidadezinha esquecida do Arizona - resultado, como manda a cartilha do gênero, da infeliz conjunção de um cientista maluco com uma dieta à base de produtos tóxicos e um prefeito ganancioso. Os efeitos são cuidadosamente calculados para não convencer demais, as gagues e piadas surgem naquele ritmo-padrão - uma a cada três minutos, mais ou menos - e há um bocado de gosma, mais engraçada do que propriamente repulsiva. É bacana como só um filme B é capaz de ser, e revela que a dupla de produtores formada por Dean Devlin e Roland Emmerich (a mesma do sucesso Independence Day e do fiasco Godzilla) passou por uma iluminação. Em vez de torrar 125 milhões de dólares para reviver aquelas bobagens deliciosas dos anos 50, pode-se (e deve-se) gastar um quarto disso para divertir quatro vezes mais a platéia que tem apetite para esse tipo de coisa.



   
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