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Queijo
e vinho
Ou
vice-versa. É fácil
combinar
esses sabores
Fernanda
Medeiros
Arnaldo Klajn
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Existe vida saborosa além do romeu-e-julieta. Muito mais saborosa,
aliás. O queijo é uma daquelas raridades capazes de agradar
a quase todos os paladares, graças à imensa variedade de
tipos. Uns são mais salgados, de personalidade forte. Outros, leves,
quase doces. Há os cremosos, sensíveis, os de massa, suaves,
os duros e os defumados, marcantes. No frio, especialmente, são
boa escolta para qualquer mesa. Na França, o queijo é base
de muitos pratos e sobremesa comum. Devagarinho, restaurantes brasileiros
já começam a oferecer alguns para ser saboreados com bons
vinhos depois da refeição.
O vinho, por seu lado, merece uma descrição não menos
detalhada. Também pode ser espirituoso, delicado, instigante, até
feroz. E achar que será sempre tinto na parceria com o queijo é
outro daqueles enganos comuns. Especialistas garantem que a combinação
dos queijos com os vinhos brancos pode ser perfeita em muitos casos
bem mais adequada, aliás. Como regra geral, use a seguinte equação:
queijos fortes pedem vinhos encorpados, em proporções crescentes
de ambos os lados. Aqueles de sabor suave, em contrapartida, merecem um
acompanhamento que não destrua sua delicadeza.
O especialista Gustavo Andrade de Paulo, da Associação Brasileira
de Sommeliers, diz que não existem regras imutáveis nesse
assunto. Sabores e aromas intensos, gordura, sal, acidez e viscosidade
variadas tornam difícil a definição de um tipo específico
de vinho para cada variedade de queijo. O máximo que se pode fazer
é uma aproximação. Para quem tem menos prática,
vale levar em consideração as regiões de origem do
queijo e do vinho, casando, por exemplo, roquefort com Sauternes, gorgonzola
italiano com Barbera e munster da Alsácia com Gewürztraminer
da mesma região. Quem disse que desfrutar prazeres não exige
um pouco de geografia? Outra informação: evite diversidade
de vinhos. Um só, casado com os queijos predominantes à
mesa, dará conta do recado. O empresário Adilson Carvalhal
Júnior, que há 32 anos trabalha com venda de queijos, aconselha
compor a mesa com pelo menos cinco tipos. E não pôr nela
nada que tenha sabor de alho ou lingüiça.
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