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Edição 1 764 - 14 de agosto de 2002
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O parceiro certo
para sua corrida

Peso, ventilação, amortecimento
e até hora da compra fazem
diferença na
escolha do tênis

Miguel Vieliczko

Veja também
Pés de vento
  Dos arquivos de VEJA
Reportagem de 28/11/2001: "Tecnologia para andar a pé"
Reportagem de 11/4/2001: "Só faltam as rodas"
Reportagem 14/7/1999: "Com o pé no futuro"
Reportagem de 27/1/1999: "Feito sob medida"

Quem gosta de correr para se exercitar e manter a forma sempre encontra corredores que parecem mais velozes, menos cansados e até mais felizes, como se não sentissem o esforço. Nessas horas, antes de lamentar o próprio despreparo, é bom baixar os olhos e comparar que tipo de equipamento cada um leva nos pés. Algumas características dos calçados para corridas – como peso, flexibilidade, absorção de impacto e ventilação – podem parecer secundárias para quem dá mais importância a detalhes como a combinação das cores. Mas, quando o exercício é regular e se persegue com ele um objetivo, um bom tênis faz diferença no desempenho e até evita lesões por esforços prolongados e repetitivos. Durante uma corrida, o impacto dos pés na pista pode ser até 2,8 vezes maior que o peso do atleta, por causa da velocidade. Os tênis com sistemas de amortecimento absorvem parte disso e, melhor ainda, distribuem para toda a área esforços que podem estar concentrados num ou noutro ponto. Por isso, reduzem o risco de inflamações e lesões articulares.

Kate Garner
O bom calçado para correr tem reforço no calcanhar, bico alto e sistema de redução de impactos


Na hora de comprar, é preciso ficar atento: há muita pirataria e tênis fabricados com materiais inadequados. Alguns dos modelos, ao invés de reduzir impactos, podem até multiplicar a força de contato do pé contra o solo. Outras características que os tênis de corrida devem apresentar são uma estrutura rígida na região do calcanhar, para prevenir torções, e um bico levantado, para evitar tropeços em terrenos acidentados. O treinador Ricardo D'Angelo, coordenador técnico da equipe de atletismo BMGF/Pão de Açúcar/São Caetano, explica que muitos modelos possuem estrutura estabilizadora no solado. "É um plástico que transfere o peso do calcanhar para o bico do tênis", explica. A capacidade de ventilação e a flexibilidade na parte superior também são importantes. Uma impede a proliferação de bactérias, a outra atenua o esforço. Segundo o doutor em biomecânica Aluísio Avila, coordenador do Centro Tecnológico do Couro, Calçados e Afins e dos laboratórios de biomecânica de duas universidades catarinenses, quando a temperatura do pé atinge mais de 35 graus, o suor aumenta e o corredor pode começar até a perder coordenação motora.

Boas marcas respeitam essas características. Porém, há recursos que podem ser mais úteis para determinados tipos de pé. Há pessoas cuja pisada sofre desvios em direção às laterais do pé. Aqueles que se apóiam mais sobre a parte interna do pé são chamados pronadores. Para estes, os treinadores recomendam tênis com estrutura mais reforçada na borda interna. Os supinadores, por sua vez, donos de pés altos, cuja sola tem menor área de contato com o chão, precisam de calçados com reforço nas bordas externas. A saída é experimentar bem os modelos disponíveis nas lojas ou, em casos mais pronunciados, procurar ajuda com ortopedistas e lojas especializadas. O treinador Katsuhico Nakaya lembra que é melhor comprar qualquer tipo de calçado na parte da tarde, quando os pés estão inchados por causa da dilatação normal dos vasos sanguíneos do corpo.

 
 
   
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