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Medo
de voar
Por falta de passageiros, companhias
aéreas estão cancelando viagens
em 11 de setembro
Tania
Menai
Fotos AP
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| Passageiros
são revistados nos EUA: medidas de segurança |
Já
é conhecido o local em que a maioria dos americanos pretende passar
o próximo 11 de setembro: eles planejam ficar em terra no dia em
que faz um ano que quatro aviões de passageiros foram seqüestrados
e usados em ataques contra o World Trade Center, em Nova York, e contra
o Pentágono, em Washington. Por falta de passageiros, muitas companhias
aéreas estão cancelando seus vôos nos Estados Unidos
no aniversário dos atentados. Só a British Airways abriu
mão de 24 de suas 78 viagens diárias, incluída uma
que tinha como destino Barbados, ilha caribenha muito freqüentada
por turistas americanos. A Air France, que tradicionalmente não
cancela vôos por falta de passageiros, eliminou dois, para Nova
York e Washington. A Scandinavian Airlines suspendeu dois de seus três
vôos. Muitas pessoas não querem embarcar com medo de que
os terroristas possam comemorar a data com novo atentado. Outras simplesmente
passaram a considerar o 11 de setembro um dia fatídico. "Viajar
nesse dia traria de volta as imagens daquela manhã", diz a advogada
Edith Bertoletti, uma carioca que assistiu da janela de seu escritório
ao atentado ao World Trade Center, em Nova York. "Nenhuma empresa teria
coragem de obrigar um funcionário a viajar nessa data."
Visto que os americanos não estão dispostos a comprar bilhetes
para esse dia, a Spirit Airlines, companhia doméstica com sede
na Flórida, anunciou na terça-feira passada que todos os
seus vôos serão gratuitos em 11 de setembro. A empresa colocou
13.000 assentos, noventa vôos e catorze destinos à disposição
de quem quiser embarcar a custo zero. "Queremos incentivar o público
a viajar nessa data e exercitar a liberdade deste país", explicou
Jacob Schorr, presidente da Spirit Airlines. A JetBlue Airways, empresa
de passagens baratas, não cancelou nenhum vôo, mas sabe que
seus aparelhos decolarão com muitos assentos vagos. "As reservas
para esse dia estão abaixo do normal", conta Fiona Morrisson, porta-voz
da JetBlue. "Sendo uma empresa nova-iorquina, entendemos bem que as pessoas
vão preferir ficar em casa, com a família, num dia assim."
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| Ataque
ao World Trade Center, em 2001: o terror vai comemorar com novos atentados? |
A
American Airlines e a United Airlines, donas dos aviões seqüestrados
e usados como mísseis pelos terroristas, vão cancelar uns
poucos vôos, mas concluíram que, devido às circunstâncias,
a melhor política é manter a maioria de seus aviões
no ar. "Até agora nenhum vôo para o Brasil, partindo de Nova
York ou de qualquer outra cidade americana, foi cancelado. Mas isso ainda
pode ocorrer", relata Luciana Gomes, agente de turismo da Bacc, agência
nova-iorquina especializada em vôos para o Brasil. Na Varig, que
tem 21 partidas diárias para os Estados Unidos, a quantidade de
reservas não caiu. Na verdade, quem estiver disposto a viajar em
11 de setembro poderá levar vantagem. A engenheira Vivien Zraick,
brasileira de 26 anos que trabalha na Califórnia, embarcará
com o namorado de São Francisco para Paris, com escala em Boston,
nesse dia. "Estou adorando a idéia", diz. "A passagem saiu barata,
acho que os aeroportos terão segurança extra e, com tantos
assentos vagos, poderei dormir esticada em cinco poltronas."
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